<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779</id><updated>2011-07-07T16:49:05.465-07:00</updated><title type='text'>O Diazepam</title><subtitle type='html'>É pra foder.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>61</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-7765108139587326619</id><published>2010-05-19T07:20:00.000-07:00</published><updated>2010-05-19T12:44:53.439-07:00</updated><title type='text'>A Balada da Exploração no Século XVI</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="  line-height: 19px; font-family:Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;font-size:13px;"&gt;&lt;p&gt;Aqui na Europa eu desfruto de uma mobilidade gigante e sem precedentes, por conta de 3 coisas: meu passaporte italiano, meus vários amigos que se formaram e vieram morar aqui (e que me acomodam em suas respectivas casas de braços abertos, muito obrigada, amo vocês) e as passagens barataspracaralho da RyanAir/ National Express/ Megabus &amp;amp; train/ Eurolines. É claro que isso é maravilhoso e que tenho muitas coisas boas e otimistas pra contar. Mas hoje eu gostaria de escrever sobre as coisas erradas que eu vejo enquanto desfruto dessa mobilidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além da minha pátria amada que agora é a Inglaterra, eu já fui para a Itália, Alemanha, Suíça, Espanha, França e Bélgica, e estou com uma viagem marcada para a Ucrânia. Tirando o último país, todos os outros são impecáveis em suas estruturas físicas. Políticas talvez nem tanto, porque a Itália está no meio da lista e porque a Bélgica, a Espanha e a Inglaterra são, ainda que não na prática, monarquias.  Sobre o social, muito ainda tem que ser discutido e arrumado em questões de imigração e consequente exclusão desses imigrantes (que contribuem absurdamente para a economia européia, mas que são vistos meramente como intrusos). Mas com relação aos europeus, todos têm padrões de vida altíssimos, o que não precisa ser dito. E acho que podemos considerar que para a população da Europa Ocidental, imigrantes inclusos, não há o que para nós “terceiro mundistas” se classifica como pobreza.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso me faz pensar sobre injustiças históricas que eu descobri que muitos dos europeus não reconhecem, em específico a da colonização nas Américas. Ninguém aqui tem nem idéia de que, um dia, espanhóis, portugueses e ingleses (entre outras nacionalidades) vieram para a América para  explorar riquezas e levá-las para suas respectivas terras. Ninguém sabe que essa ótima estrutura européia foi possibilitada também por isso. Ninguém tem nem idéia de por que, nas Américas todas, só falamos línguas européias. Ninguém entende quando eu falo que uma parte muito grande da população brasileira são descendentes indiretos de europeus.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois bem, eu sempre explico para aqueles que não sabem: “a história toda das Américas é muito parecida: um dia, europeus vieram para lá e mataram a população nativa, e levaram riquezas. O motivo pelo qual os Estados Unidos hoje são o que são é porque foram colonizados principalmente por uma nação industrial e emancipada intelectualmente”. (E um comentariozinho: o Canclini, no livro “Culturas Híbridas”, chama a Espanha e Portugal do século XVI de “the most backward european nations”. Me caguei de rir quando li aquilo).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso eu acho muito foda. Todo mundo reconhece as injustiças da segunda onda de colonização, na África e em parte da Ásia, mas da primeira ninguém sabe (eu imagino que o motivo seja a época em que elas aconteceram). A riqueza da Europa é constituída em certa parte (não sei avaliar quanto) pela exploração intensa dos recursos e da população indígena da América. E ninguém fala disso. Isso me dá nos nervos. Se algum dia eu possuir alguma importância midiática como musicista, vou compor a “balada da exploração no século XVI”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra coisa: viajar por aqui evidencia de um jeito escancarado como as riquezas são distribuídas de forma desigual atualmente. Sei que parece besteira bater nessa tecla, mas eu sinto isso muito forte vendo as coisas de perto, e comparando com o que eu sei da situação social e política do Brasil. Chega a doer no ser. Tanta gente vivendo bem aqui e muito mais da metade da nossa população se fodendo e sendo xingada de burra pela classe média por não ter tido acesso a um ensino decente. (Claro que isso acontece também por causa da corrupção e outros fatores no Brasil, né).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes de terminar o texto, eu quero deixar bem claro que não culpo a população européia por essas injustiças das quais estou falando. Eles não são de forma alguma responsáveis por coisas bizarras que aconteceram no passado. Aliás, eu conheci pessoas muito interessantes até agora, com quem tenho discussões relevantes e enriquecedoras sobre política e história.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora sim terminando, preciso confessar que não sei o que fazer diante desses sentimentos de injustiça. Che Guevara fez uma revolução, mas eu sou só a Cioffi, uma estudante qualquer de mestrado que viaja pela Europa depois que se forma (isso sem contar que eu não acredito em socialismo, depois de tudo que aconteceu no século passado). Acho que a única coisa que me resta mesmo é escrever a minha “Balada da Exploração no Século XVI” - no estilo mais Raul Seixas possível - e continuar meus estudos conservando esse sentimento. Quem sabe algo bom não saia daí.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-7765108139587326619?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/7765108139587326619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=7765108139587326619&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7765108139587326619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7765108139587326619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2010/05/balada-da-exploracao-no-seculo-vxi.html' title='A Balada da Exploração no Século XVI'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-7926944673493344565</id><published>2010-05-17T14:51:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T16:31:11.545-07:00</updated><title type='text'>Encaixotando Salinger</title><content type='html'>Quanto mais leio os livros do Salinger, mais ele vai tomando o posto de meu escritor preferido. Quer dizer, até certo ponto. Difícil competir com autores com vários livros bons publicados, já que o Salinger era um recluso incurável e produziu pouquíssimas obras em vida. Não que ele não tenha escrito bastante, mas é que o próprio declarou uma vez que escreve pelo prazer de escrever, e não pelo sucesso comercial. Então ele deve ter um montão de coisas escondidas em casa. Tomara que alguém algum dia seja covarde o suficiente pra juntar tudo o que estiver escondido pelas gavetas ou debaixo dos colchões e publique, mesmo sendo um puta ato antiético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive contato com ele há pouquíssimo tempo. Emprestei "O Apanhador no Campo de Centeio" há pouco mais de um mês e li em uma sentada. Sempre tive uma espécie de desprezo por esse livro, porque o boato que corre por aí é que é um livro para adolescentes rebeldes. Pura besteira. E besteira também também o que as más línguas dizem, que é um livro para serial killers. Tudo bem que o assassino do John Lennon, Mark Chapman, disse que se inspirou na história para cometar tal filhadaputice. Mesmo assim, what the fuck. Ele poderia ter dito que tinha acabado de ler Crepúsculo ou a Bíblia, dá no mesmo. Também dizem que o Apanhador "criou" a adolescência. Meu cu. Ele fala direto aos adolescentes, sim, tem tudo a ver. Mas dizer que a adolescência como tal - e não como uma simples transição da infância para a vida adulta - só começou a existir depois do livro, bem, já é um pouco demais, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Li esse livro e fiquei realmente encantada pela maneira seca e ao mesmo tempo doce do Salinger. Passei pra um livro daqueles de bolso, que reúne "Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira" e "Seymour, uma apresentação", dois contos (?) que tratam sobre o mesmo tema: Seymour, o irmão mais velho da família Glass, que aparece na maioria das histórias do Salinger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O narrador é Buddy Glass, irmão mais novo de Seymour, que escreve os dois contos (mais uma vez tenho que colocar aqui o interrogação. Não julgo que essas histórias sejam necessariamente contos, mas me faltam palavras para descrever melhor) depois que o personagem principal se suicida, em 1948. Dizem que Buddy é o alter ego de Salinger. O primeiro texto é sobre o casamento de Seymour, em 1942, em que o noivo simplesmente não apareceu. O segundo, uma dissertação bem longa sobre o sujeito e a sua "vidência" - cabe explicar: Seymour, em inglês, pronuncia-se "see more", isto é, "ver mais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível não se encantar com a maneira com que Buddy escreve. Ele é, na verdade, um grande filho da puta. Mora em uma casinha no meio do mato, quase não fala com ninguém, tem um grande desprezo por quase todo mundo, menos os integrantes de sua numerosa família (são, ao todo, sete irmãos). Super me identifico com essa maneira dele de ver o mundo: tudo é um saco, um porre, ninguém entende nada. O que importa, verdadeiramente, são as nossas paixões, o que realmente mexe com a gente de um jeito quase não-intencional. Mesmo assim, ele nutre um amor imenso por todo mundo. Se sente só e incompreendido, mas ama até as pessoas mais babacas. Tal qual Holden, personagem principal do "Apanhador". Isso é o que eu interpreto, então não venham me taxar de não ter entendido patavinas das obras. Cadum, cadum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que escreveria livros idênticos sobre meus irmãos ou sobre mim mesma. Pra ser bem sincera, eu não sei porque Salinger é tão bom. Ele não é inovador na sua escrita e nem nada do tipo. Ao contrário disso, ele é totalmente simples, sem vaidades. Não sou nenhuma crítica literária, mas penso que é talvez pelo fato de ele escrever pra si, de amar escrever. Tanto que, no começo do "Carpinteiros...", ele diz que se alguém ainda nesse mundo leia somente por prazer (ou acidente), então que divida a dedicatória do livro em quatro partes iguais, junto com a sua mulher e seus dois filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou bem louca e vou grifando nos livros todas as partes que eu gosto. Mas tem uma que é especial:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;"Se e quando eu começar a ter consultas com um analista, espero ardentemente que ele tenha o bom senso de convidar um dermatologista para participar das sessões. Um especialista em mãos. Tenho cicatrizes nas mãos por haver tocado em certas pessoas. Uma vez, no parque, quando a Franny ainda era levada para lá no carrinho de bebê, passei a mão, por tempo demais, na penugem que cobria a cabeça dela. A outra vez aconteceu no cinema da rua 77, quando eu assistia com Zooey a um filme de horror. Ele tinha uns seis ou sete anos, e se enfiou embaixo da poltrona para não ver uma cena assustadora. Pus a mão na cabeça dele. Certas cabeças, certas cores e texturas de cabelo humano deixam marcas permanentes em mim. Outras coisas também. A Charlotte um dia se afastou correndo ao sairmos do estúdio, e eu agarrei seu vestido para fazê-la parar, para mantê-la perto de mim. Um vestido de algodão amarelo que eu adorava por ser comprido demais pra ela. Ainda tenho uma mancha amarelo-limão na palma da mão direita. Ah, meu Deus, se há algum termo clínico que me sirva, sou uma espécie de paranóico ao contrário. Suspeito que as pessoas estejam sempre conspirando para me fazer feliz".&lt;/blockquote&gt;Esse trecho é do diário do Seymour, que nem aparece fisicamente no texto do "Carpinteiros (...)". Me encanta que ele tenha faltado ao próprio casamento por sentir-se feliz demais para casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, é claro, tenho profundo agrado pelo trecho do "Apanhador (...)" em que Holden explica à irmã menor o que ele realmente gostaria de fazer na vida, mais que qualquer outra coisa:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt; "Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa  num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por  perto – quer dizer, ninguém grande – a não ser eu. E eu fico na beirada  de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer? Tenho que  agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles  começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de  algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia  ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é  a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice&lt;/em&gt;”.&lt;/blockquote&gt;Não acho que é maluquice, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-7926944673493344565?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/7926944673493344565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=7926944673493344565&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7926944673493344565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7926944673493344565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2010/05/encaixotando-salinger.html' title='Encaixotando Salinger'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-161807658757431698</id><published>2010-05-14T10:16:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T10:16:08.947-07:00</updated><title type='text'>Jornalismo facínora</title><content type='html'>Há aquele jornalista beberrão, de “O homem que matou o facínora”, western de John Ford, que ilustra o fato. Cito de memória: “Não sou um político, sou um jornalista. Eu faço os políticos. Eu os endeuso e depois eu os destruo. É disso que eu vivo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se essa forma de pensamento entre jornalistas não é novidade nenhuma para qualquer olhar menos sonolento sobre os cadernos de política, aparentemente em alguns casos (mais raros do que gostaríamos, é fato), ela é inócua. Lula é um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sete anos e meio os jornalões nacionais fizeram de tudo e mais um pouco para derrubar um presidente operário. Achincalharam Lula, achincalharam seus modos, xingaram-no de alcoólatra, de censor e de estuprador frustrado (ó, Pai, a que ponto chegamos?); inventaram a possibilidade de um terceiro mandato e nunca deram tanto espaço para um ex-presidente avacalhar um atual mandatário quanto deram para o senil Fernando Henrique (vários outros notórios fracassos de governo pelo menos tiveram a decência de sair de cena após os mandatos). E isso só para citar alguns casos mais crassos. Mas, ao que tudo indica, espernearam entre surdos e Lula deve encerrar seu segundo mandato com um índice de popularidade que, de tão alto, chega a ser quase inadmissível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Deve ter sido algo parecido que, por ocasião da reeleição de Lula, reza a lenda, levou um dos barões da mídia, numa reunião a portas fechadas, a sapatear de um lado a outro perguntando: “Onde foi que nós erramos?”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o conteúdo da mídia é tão abruptamente diferente da “febre social” há de se desconfiar que algum caroço esse angu tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode negar as falhas do governo nesses quase oito anos, e a própria projeção internacional brasileira (um de seus méritos) atesta que Lula foi bem diferente do que indicava em 1989, quando era um modelo recém-saído da fábrica. Sem falar que a crítica ao poder estabelecido, sem dúvida, agrega algo bastante saudável para qualquer democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as invariáveis e brutais críticas à Lula (incluindo aí a invenção de factóides que não renderiam nem notas de rodapé, mas que por vezes e vezes ocuparam a primeira página dias seguidos), parecem fazer parte de um recalque profundo, como se a mídia passasse a ser um mecanismo de vingança social contra um ex-retirante e operário que, com uma obstinação às raias da bíblica, ousou chegar à Presidência da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida, algo que não estava no script. Vejam só, o horror dos horrores para a classe média nacional, um presidente que não sabe falar inglês. Onde já se viu? Um nordestino, um metalúrgico aleijado em um torno mecânico, praticamente um arremedo de gente se comparado a FHC, o herdeiro das altas castas da sociologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente (para eles), a elite e os jornalões sentaram e esperaram que Lula enfiasse os pés pelas mãos sozinho, mas afinal precisaram assistir apopléticos a um operário comandando um governo que, se não foi perfeito, foi sim bastante satisfatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, em ano eleitoral, sabemos, acontecerá tudo o que Deus quiser e o Diabo permita na vida pública nacional. Se nos basearmos no que a Folha fez quando apresentou a ficha falsa de “terrorista” de Dilma, não é exagero dizer que crimes serão cometidos a propósito de barrar a sucessora de Lula. Resta-nos, a princípio, duvidar de tudo e todos, como mandava a velha máxima dos pistoleiros do oeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que venha, então, a histeria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-161807658757431698?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/161807658757431698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=161807658757431698&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/161807658757431698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/161807658757431698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2010/05/jornalismo-facinora.html' title='Jornalismo facínora'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6489838020194334098</id><published>2010-05-13T19:14:00.000-07:00</published><updated>2010-05-13T19:15:44.955-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', verdana, arial, sans-serif; color: rgb(119, 119, 119); "&gt;Pois que a vida anda corrida e a gente tudo atropelado. Mas rolou essa coisa gostosa de trazer isso aqui de volta à vida, então cá estou eu. Um texto de 2008, mas uma excitação bem atual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/S-yyLAhplEI/AAAAAAAAAw4/r_vk2_rsvXI/s1600/velho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/S-yyLAhplEI/AAAAAAAAAw4/r_vk2_rsvXI/s320/velho.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470943549537752130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Iasa Monique, 2007 &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', verdana, arial, sans-serif;color:#777777;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  color: rgb(119, 119, 119); font-family:'trebuchet ms', verdana, arial, sans-serif;font-size:small;"&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Queria entender um pouco do mundo, ele disse enquanto passava o café. A velha riu. Achava&lt;/div&gt;&lt;div&gt;engraçado, quase não podia entender como é que um homem naquela idade, de barba branca e cabelos ralos, de marcas fundas cravadas no rosto, poderia ainda querer alguma coisa.  Quis lembrá-lo da doença, da tremedeira, dos calafrios de todas as noites, passadas com dificuldade na cama de madeira, que fazia tanto barulho estalando com o frio quanto o velho fazia quando respirava – não conseguiu. Ao invés disso, passou com pressa a seu lado, batendo atrapalhada a leiteira na travessa de pães. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Como está sua perna? Hoje vai fazer frio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Queria entender só um pouquinho. Pensei já muito sobre isso. Formulei hipóteses, você sabe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A velha olhava mas não ouvia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Fico pensando que tanta coincidência não pode ser só brincadeira. Sempre achei interessante a construção das pirâmides. Foram botadas lá, certinhas, equilibradas. Disseram uma vez que numa dessas pirâmides havia uma escada. E essa escada levava ao desenvolvimento espiritual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Hum...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E disseram também que houve um judeu, ou egípcio, ou alguém, mas era um homem, eu sei que era um homem, que subiu essa escada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E o que aconteceu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Faz quanto tempo que você leu a Bíblia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Você bem sabe que leio toda noite, depois do banho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Pois então deve ter lido que houve uma época em que Jesus desapareceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A velha riu outra vez. De repente, franziu o cenho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ah, não vá me dizer que você está comendo o miolo do pão outra vez! Meu Deus do céu. Olha o colesterol, eu já cansei de falar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O velho riu com dentes de plástico. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A maioria das tardes eram passadas à mercê dos pequenos vizinhos. O velho mantinha um certo agrado: por vezes, fruta. Outras vezes, pão. Os sabiás, agradecidos, montavam ninhos cada vez mais próximos à porta, que era amiga também. Nunca havia ouvido um só grito dos velhos, não haviam batido-lhe as fechaduras, a água da chuva que corroía seu cerne era sugada com carinho pelas mãos enrugadas da velha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A velha não amava ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem mesmo o velho, que falava tão doce e tão sonhador. Mas não era má com ele, muito pelo contrário. Cuidava-lhe das feridas, agendava-lhe medicamentos, preparava um bom almoço, porque quando se está velho o ápice do dia se resume a degustar uma galinha bem cozida. A velha entendia do velho; o velho entendia da vida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6489838020194334098?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6489838020194334098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6489838020194334098&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6489838020194334098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6489838020194334098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2010/05/pois-que-vida-anda-corrida-e-gente-tudo_13.html' title=''/><author><name>iasa monique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01508273672110239564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SxxV75JybDI/AAAAAAAAAmg/OmVBmHZYJXI/S220/iasablog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/S-yyLAhplEI/AAAAAAAAAw4/r_vk2_rsvXI/s72-c/velho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6788944697680728134</id><published>2010-05-11T20:48:00.001-07:00</published><updated>2010-05-12T06:50:37.554-07:00</updated><title type='text'>Diários do Festival de Jazz #2 ou Comemorando 10 anos de tendinite e disfunção social</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana, tahoma, arial, sans-serif; font-size: 12px; color: rgb(51, 51, 51); line-height: 19px; "&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;No meu último post, falei que iria escrever mais sobre os britânicos para depois falar sobre o Jazz no Festival. Mas no que diz respeito a textos, a ordem dos fatores altera sim o produto. E justamente para que o produto não seja alguém reclamando “porra Cioffi, só sabe falar da Inglaterra agora, que saco” , eu vou mudar de assunto. Pelo menos por enquanto, porque tirar sarro de culturas diferentes da sua é sempre muito divertido.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Durante o festival de Chelt’am (vide texto anterior para explicação da grafia), tive a oportunidade de conhecer grupos de Jazz massapracaralho (vide blog da Audi para explicação do termo) justamente no ano em que completo 10 anos de música. Por isso mesmo, muita coisa me passou pela cabeça sobre a escolha que fiz quando era adolescente, e também sobre como ela, sem querer, se tornou minha escolha profissional. Nesse percurso, eu pude ver um sonho-utópico-de-todo-adolescente passar por profundas transformações e se tornar uma coisa da qual hoje eu não tenho mais orgulho – mas da qual eu não posso e nem quero me livrar.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Quando eu tinha 13 anos, escutava Nirvana e Green Day. E também Red Hot Chili Peppers. E pra mim, esse negócio de tocar guitarra (que é muito mais glamouroso que baixo ou bateria, a cozinha que me desculpe) e de ter milhares de fãs histéricos me atraía como atráia quase todo adolescente. Foi esse o impulso que me levou a estudar violão. Ter uma banda de rock famosa. Claro que na época eu não via contradição alguma no fato de eu ser mulher, brasileira e ainda por cima curitibana. Juro que não vi obstáculo algum, juro.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Como com qualquer outra coisa que eu quero muito muito fazer, mergulhei de ponta no negócio. Aprendi as coisas básicas bem rápido, e em questão de 1 ano, todos os meus colegas me pediam para levar o violão para a escola. Eles sempre cantavam comigo quando eu puxava “Have you Ever Seen the Rain”, ou “Scar Tissue”.  Vendo a minha evolução, meu professor de violão – o Daniel, que tinha ido do Rock’n’Roll para o “nacionalismo” (Oswald de Andrade falando) -, foi mudando minhas percepções musicais.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Quando eu percebi que já sabia todos os acordes das músicas que eu gostava, ele me apresentou Marcos e Paulo Sérgio Valle, Tom Jobim e também Toquinho. E mais pra frente, me apresentou o violão clássico, o choro, Guinga e Garoto. Foi mais ou menos aí que eu percebi que ninguém mais cantava comigo quando eu levava o violão pra escola. A única conclusão a qual eu consegui chegar na época era a de que eu não tocava mais tão bem assim.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Foi com essa impressão que eu, com 17 anos, toquei “Duas Contas”, do Garoto, na prova do vestibular. Depois do Garoto, veio a FAP. Lá, eu aprendi o que era Jazz e me apaixonei. Lá, eu aprendi que a música que eu fazia era só para outros músicos, e que era essa, na verdade, a razão da minha falta de popularidade na escola. Um pouco antes de lá, eu havia aprendido que o máximo de dinheiro que eu ganharia na vida daria para comprar um Palio laranja usado com a tinta descascando, no maior dos luxos. E um apartamentinho no centro daqueles que você tem quando mora na cidade com os amigos pra estudar. Isso me fez decidir também pelo jornalismo. Antes que você possa gritar alguma coisa rindo bem alto, eu também descobri mais tarde que jornalismo não era exatamente uma boa opção pra encher nem a barriga nem o bolso. Só que eu havia pegado um gosto pelo negócio de verdade. Fiquei com ele também.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Ok, o que fazer então com duas opções que não enchem a barriga? Largar uma e ficar com a outra? Pensei mesmo muitas vezes em largar o violão, que só me trouxe tendinite e alguns “ah, você é músico? Mas o que faz da vida?” pelo “nossa, jornalismo, que legal, queria ter feito também”. Só que eu não consegui. Aí veio a decisão perfeita: pegaria toda a teoria da comunicação que havia estudado, juntaria ela à música, e viraria acadêmica. Enquanto isso, teria todo o tempo do mundo para estudar meu instrumento.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;“Ok Cioffi, e o que o Festival tem a ver com esse bando de coisa, vê se escreve direito”. Bem, além de ter pensado nessa trajetória toda enquanto via os músicos tocando, constatei que, mesmo meu futuro não tendo nada de bem sucedido nos termos da indústria musical – como eu, de um jeito ou de outro, sempre soube – , ele pode ser sim alguma coisa de que eu goste.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Veja bem: tínhamos Jamie Cullum e a orquestra da BBC de um lado, o lado dos famosos. Do outro lado, o dos marginais, tínhamos Farmers Market, Sid Peacock, Polar Bear. Ou ainda, uma lenda – e nesse caso, “lenda” pode coexistir harmoniosamente com “marginal” – igual o John Scofield. Eu não preciso dizer que fiquei com os marginais. Um bando de coisa que me fez quase chorar, ou rir um riso extasiado.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;A orquestra da BBC, monumental, com seus arranjos bem penteados de músicas do Sinatra, me fez querer dormir. Jamie Cullum só me chamou a atenção quando me perguntou porque é que as cadeiras da frente não estavam sendo utilizadas. E pra completar o meu sentimento de marginalidade, quanto mais eu estudo a indústria musical no meu mestrado, mais eu constato cientificamente e dou bases teóricas para o fato de que serei marginal pela vida toda.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Eu não tenho nenhum orgulho disso, pra deixar bem claro. Não acho que eu seja melhor que todos os outros porque estudo esse tipo de música. Na verdade, eu tenho um certo receio e uma certa vergonha disso. Sei que eu nunca terei sucesso além do  limitado “sucesso acadêmico” que eu possa talvez, um dia, conseguir. Sei que nunca possuirei o poder cultural que os músicos contratados pela indústria musical conseguem.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Mas todos os meus 10 anos de música se justificam quando eu lembro da cena: Sid Peacock no palco, bonachão, com um sotaque de lugar nenhum no seu inglês, fazendo piadas estranhas ao explicar suas músicas. Quando sua orquestra começa a tocar, o teatro pequeno simplesmente pára, pelo menos para mim. Arranjos fortes, quase atonais, contrapontos muito bem feitos entre os naipes. Algo que arranca uma parte do seu peito e a joga pra bem longe. Na minha cabeça, a certeza de que se eu morrer sem poder fazer o que ele fez com aquela orquestra, não morrerei satisfeita.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Pra comemorar essa uma década de tendinite, e me aproximar dos meus ideais Peacock que surgiram no Festival, fiz uma promessa. Ao completar 24 anos, estarei tocando improvisos legais na guitarra e terei escrito pelo menos 4 coisas minhas. Façam o favor de me cobrar isso ano que vem.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6788944697680728134?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6788944697680728134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6788944697680728134&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6788944697680728134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6788944697680728134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2010/05/diarios-do-festival-de-jazz-2-ou.html' title='Diários do Festival de Jazz #2 ou Comemorando 10 anos de tendinite e disfunção social'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-9218864002898011971</id><published>2010-05-10T16:39:00.000-07:00</published><updated>2010-05-10T16:49:39.828-07:00</updated><title type='text'>Ó nóis aqui de volta traveiz</title><content type='html'>Depois de tanto, tanto tempo, cá estamos nós de volta com o Diazepam. Vou dar uma de celebridade de segunda linha (pra não dizer quinta) e explicar o porquê do nosso sumiço. Não, nós não brigamos. Ainda somos todos amigos. Mas muita coisa aconteceu desde o último post, em janeiro do ano passado. Teve gente que se formou, teve gente que ficou pra trás (tipo eu), a Cioffi foi para a Inglaterra e agora é a nossa correspondente internacional, o Sandoval se embriagou algumas vezes e a coisa seguiu mais ou menos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns dias, a Iasa corajosamente nos chamou para voltar a escrever aqui. Só pelo convite já deu pra sentir um certo clima de animação no ar, já que esse blog foi muito importante para todos nós, de alguma maneira. Ele foi fruto da noite mais bonita da vida, em que nos tormamos verdadeiramente amigos. Um projeto bem bacana, deixado às traças por conta de outras prioridades na época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico feliz de voltar a abrir essa caixa do blogspot e escrever as asneiras da minha cabeça. Pensei bastante em algum texto para postar, algo mais profundo, criterioso e interessante, como a Cioffão já foi capaz de postar. Mas não consegui, não. Pra mim, o mais importante é que esse meu primeiro post seja uma forma de agradecimento por tudo que já passou e tudo que há por vir. Nem tanto as coisas que aconteceram aqui no blog, mas as da vida real, os meus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo fica me enchendo porque estou muito piegas desde a formatura desse ano. Não adianta, não consigo parar de me emocionar ao pensar o tanto de coisas que nós já passamos juntos nesses quatro anos e meio de Jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, desculpa, post de verdade só semana que vem. Agora, deixo só o meu apreço. E de uma maneira bem brega, tipo música da Pepê e Neném, que é o meu estilo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-9218864002898011971?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/9218864002898011971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=9218864002898011971&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/9218864002898011971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/9218864002898011971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2010/05/o-nois-aqui-de-volta-traveiz.html' title='Ó nóis aqui de volta traveiz'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1565869626218445508</id><published>2010-05-05T20:36:00.000-07:00</published><updated>2010-05-11T20:07:00.584-07:00</updated><title type='text'>Diários do Festival de Jazz #1</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="  color: rgb(51, 51, 51); line-height: 19px; font-family:verdana, tahoma, arial, sans-serif;font-size:12px;"&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Há dois meses, recebi uns anúncios sobre vagas para trabalhar em um festival de Jazz em Cheltenham (que se pronuncia Chelt’am, e eu já reclamei para todos os ingleses que podia do grande desperdício de letras que é esse nome). O trabalho, apesar de voluntário, envolvia Jazz e festivais legais tipo os de Antonina, nos quais você conhece um monte de gente interessada nas mesmas coisas que você. Eu passei um bom tempo escrevendo meu CV e uma carta, que foram bastante convincentes e me garantiram uma entrevista por telefone. Também nela fui convincente – já havia antecipado todas as perguntas que me seriam feitas e escrevido as respostas antes de receber a ligação.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Esse processo árduo de inscrição para um trabalho voluntário me fez acreditar que esse festival devia ser bem importante mesmo. Herbie Hancock e Chick Corea já tocaram algumas vezes por lá, então sim, seria no mínimo interessante para mim. Eu escuto esses caras desde que o processo natural de jazzificação – que acontece com todo músico que estuda veementemente música popular – começou em mim, há aproximadamente 4 anos. Nessa época eu tocava standards na casa do Diego, com meu clarinete desafinado e meus improvisos que eu fazia usando no máximo duas notas por compasso, sem saber bem em que acorde estava. Essa sessão foi carinhosamente apelidada de Jazzeeeera (em homenagem ao querido sotaque catarinense do Diego) e durou até eles ficarem bons e eu empacar no caminho por ter começado a odiar o esforço respiratório que o clarinete me impunha. Enfim, a Jazzeeeera foi um passo importante no meu estudo, e o Jazz me acompanhará em tudo que farei nos próximos anos.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Mas voltando para o festival: chegando em Chelt’am (eu me oponho fervorosamente a escrever essas 3 letras que acabam com o entendimento dos fonemas do inglês que um cidadão normal tem), me deparei com um time literalmente completamente britânico. Na lista de nomes de pessoas trabalhando para o festival, o meu era o único que não comia salsichas com ovo frito no café da manhã, nem possuía um dispositivo contra incêndio que dispara pelo menos 3 vezes por mês e faz você sair de pijama de casa às 7 da manhã.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Por causa disso, a experiência que eu tive pode ser dividida em dois pontos principais: a música que eu ouvi, e a socialização intensa com britânicos que eu tive. Aqui em Liverpool, meus amigos são de várias partes da Europa, e quando a gente sai todo mundo junto tem no máximo 3 pessoas britânicas, e só. Socializar com um grupo predominantemente inglês era algo que eu não tinha feito ainda, e posso dizer que tenho várias coisas pra contar depois disso. Fiz constataçoes que até existiam antes, mas que se tornaram óbvias depois da semana de trabalho.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Vou então começar com essa experiência britânica, pra depois, no diário número 2 – ou 3, dependendo de quanta coisa sobre eles eu tenho pra dizer – falar sobre a música. Muito bem, vamos começar com as diferenças espaciais. Eu fui para uma cidade a duas horas e meia na direçao sul de Liverpool. Para um brasileiro, essa distância seria tipo ir pra praia no fim de semana, ou ir lá pegar um negócio muito importante que você esqueceu em casa no Sítio Cercado e depois voltar pro trabalho no centro. Mas aqui na Inglaterra, é uma distância enorme. As pessoas não só têm sotaques diferentes por causa dela, como também têm mais ou menos dinheiro e também cores de bochechas diferentes. O Norte é o operário caipira levemente rosa que parece um presuntinho, e o sul é o rico Sir Peter Gaylord com sotaque da BBC (que até parece um presuntinho também, mas um pouco mais apresentável). O Norte vota para o partido operário e o Sul para o conservador. (Só para constar, a pessoa com quem mais bebi e falei merda foi um cara do Norte que era zuado constantemente por todos os outros, que eram do Sul. Talvez tenha feito isso para inconscientemente contrariar minhas origens de classe média polida curitibana. Mas isso é uma coisa que eu acho que faço toda hora, independente de estar na Inglaterra ou não).&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Outra britanicidade: informação. Dizer para as pessoas como chegar a algum lugar, para um inglês, é um ritual sério que envolve muitos estágios. A partir do momento em que você pergunta para um deles, “can you tell me the way to…”, você constatará as seguintes fases: 1) O posicionamento. Haverá um período de silêncio no qual o inglês virará de frente para a direção na qual você deverá caminhar. 2) O enrijecimento do corpo. O inglês irá adquirir uma postura firme e irá alinhar o braço solidamente com o seu caminho. 3) O uso de vocabulário próprio para informações. Nesse ponto você irá constatar quantas palavras a mais existem no inglês para ajudar alguém a chegar em algum lugar. 4) A confirmação. Ele olhará para você para ter a certeza de que deu uma informação precisa, e esperará um sorriso e um “thank you very much” acolhedor. Se você não fizer isso, ele ficará puto.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Falando em sorrisos e em coisas acolhedoras, ingleses sorriem muito, ao contrário do que se pensa. É como se eles substituissem muitas palavras por sorrisos. Não sei da veracidade deles, mas toda vez em que passava por alguém do time para o qual estava trabalhando, rolava um sorriso. Toda vez em que eles me pediam algo, e eu dizia “sure”, com uma cara feliz, eles respondiam com um “thank you” que mais parecia que estavam cantando (eu até cheguei a pensar numa melodia imitando esse thank you, mas não poderei mostrar agora para vocês por isso ser um texto e não uma partitura – embora alguns chatos semióticos possam ficar enchendo o saco por horas para provar que uma partitura é um texto).  A impressão que ficou na minha cabeça é a de que a Inglaterra é uma grande mãe e um grande pai também, ambos gordos e felizes, que impõem regras, mas que fazem isso sorrindo bastante. E se você sorrir e fizer o que for pedido, você irá receber um abraço acolhedor, mas não literal, em retorno.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0.7em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.7em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;Estou chegando ao fim do diário 1 constatando que deverei escrever mais sobre eles no próximo diário. Fico por aqui com esse texto, para em seguida escrever mais sobre essa grande mãe gorda e rosada que é a Inglaterra.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1565869626218445508?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1565869626218445508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1565869626218445508&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1565869626218445508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1565869626218445508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2010/05/diarios-do-festival-de-jazz-1.html' title='Diários do Festival de Jazz #1'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-354834762905574969</id><published>2009-01-08T20:05:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T20:07:47.884-08:00</updated><title type='text'>No fim, meu bem, a gente junta os cacos</title><content type='html'>Desorganização, pra mim, não é defeito. Talvez porque eu só funcione em modo de curto-circuito, uma peça que já saiu de fábrica inconsertavelmente defeituosa. Talvez porque eu só funcione quando não planejo, em cima da hora, e com aquele simpático diabinho soprando ao ouvido que “não vai dar tempo, não vai dar tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma ou outra, com ou sem álibi, não considero minha desorganização um defeito. Ser desorganizado é uma forma de ser organizado às avessas, um jeito de sair do marasmo, conectar idéias que de outra forma jamais estariam na mesma pasta. Desorganização também é uma forma de raciocinar, de olhar o mundo. Nem certa, nem errada; apenas organizada de maneira desordeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais consegui ter uma estante de livros. “O apartamento é pequeno, não cabe mais nada”, desculpo-me comigo mesmo, a fim de aliviar a consciência. Fica tudo mais ou menos guardado, mais ou menos jogado, numa parte do guarda-roupa (guarda-roupa? Todos no aguardo do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, previsto pra fevereiro). Desesperadoramente empilhados, parecem saltimbancos prestes a cair. Claro, nada é catalogado, separado, organizado. Henry Miller convive com Dostoiévski, Norbert Elias com Maquiavel, Cristovão Tezza com Cortázar; João Ubaldo com Capote, Borges com Kerouac. Uma orgia! Uma temeridade! Nas proximidades, as camisas convivem com as camisetas, as calças com os calções, as cuecas com as meias; há baralhos, dinheiro esquecido pelos bolsos, moedas que se perdem para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como administrador, então, fracasso absolutamente. O dinheiro vem e o dinheiro vai sem que tenha tempo de pedir notícias do mercado financeiro. Cerveja na esquina, saquinhos de pipoca... Falta para a conta da internet, para as pendências com os amigos, para quitar a dívida com o pai. Tenho o excelente hábito de me recusar a fazer contas, cálculos financeiros. Vai sobrar mês, eu sei, mas quem se importa? Se eu parar agora também vai sobrar noite, confere? Que sobre o mês, ora pois!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o computador, que deveria ajudar depravados como eu, salva-se. O disco rígido é mais desorganizado que puteiro de quinta e às vezes, apesar de meu ateísmo, levanto as mãos aos céus e agradeço ao deus todo-bondoso pelo “localizar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me pergunte quando vence a luz, quando é a prova. Eu não sei. Na vida, sou um neurocirurgião com mal de Parkinson, um bêbado desastrado numa loja de porcelanas. Vou esbarrando no mundo, derrubando a prataria. Então, olho para o balconista e pergunto, com o semblante um tanto besta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá pra colar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;PS.: O Diazepam naufraga, mas eu, que não sou capitão nem nada (talvez mais nada que qualquer outra coisa), insisto em ir junto.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-354834762905574969?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/354834762905574969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=354834762905574969&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/354834762905574969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/354834762905574969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2009/01/no-fim-meu-bem-gente-junta-os-cacos.html' title='No fim, meu bem, a gente junta os cacos'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6543861803791054091</id><published>2008-12-24T10:35:00.001-08:00</published><updated>2008-12-24T10:42:17.774-08:00</updated><title type='text'>Pátria minha</title><content type='html'>&lt;div&gt;Voltei há exatamente uma semana para a minha terra de origem. São sete dias que me separam de algo completamente diferente, como se fosse uma outra vida que eu mantinha em Curitiba. Não sei explicar exatamente o que mudou. Só sei que os ares daqui me botam comovida como o diabo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cada pequeno detalhe, que antes me era tão familiar, agora é uma novidade. A primeira coisa que se nota ao chegar aqui é o bafo quente que bufa sem parar. Não dá sossego nem à noite, o que nos obriga a todos a dormir com o ventilador ligado no último. Tento me lembrar de como eu fazia para permanecer viva em outros tempos. Quando, por exemplo, eu era criança e tinha medo de dormir sem me cobrir com o lençol. Não sei como sobrevivi a tantas noites escaldantes e tive saúde suficiente para ir para a escola de manhã com aquele uniforme de poliéster. Ou então como eu conseguia sair por aí de bicicleta às três horas da tarde, ou brincar de handeball louco (a especialidade da garotada do bairro) naquela pracinha calçada com pedras que ferviam à luz do sol. Lembro até que a grama esturricada nas extremidades do nosso campinho serviam como marcação para as duas traves do gol; só faltava colocar alguns chinelos por cima para ficar mais claro para os jogadores afobados em marcar. Havia me esquecido de tudo isso, não por não sentir saudades, mas por puro e banal esquecimento, que não tem porquê, acontece, simplesmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ontem fui para o bar com alguns amigos. Apesar de não haver esquecido, tampouco me lembrava com clareza de como é a noite mariliense. Não importa quantos bares têm na cidade: todo mundo vai para apenas um. Se você quer sair, tomar uma cerveja geladinha e não sabe para onde seus amigos vão, não há dúvidas: vá ao Chaplin. Ele é caro, não dá pra pedir nem uma porção de fritas, mas dá todo tipo de gente. Desde nós (o pessoal mais esculachado do noroeste paulista) até as meninas de cabelo amarelo alisado com chapinha e os meninos que usam regata para mostrar os braços e ganhar as meninas de chapinha. Bem, estava no bar e fazia calor. Havia algumas máquininhas, como postes, que jogavam vapor de água para refrescar a galera. Estávamos lá, suando, bebendo a autêntica Brahma agudense que não existe em nenhum outro lugar do mundo. E ela estava trincando... Isso me fez pensar. Esse pedaço de estado paulista é intrigante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Marília é, sem dúvidas, uma cidade engraçada. Constrastando com o calor, o povo daqui não é aquilo que se pode chamar de acalorado. Alguns o são, mas a maioria tem ares de cidadãos de uma metrópole, como se isso os tornassem algo acima do bem e do mal. Bom, o que posso dizer é que Marília pode ser uma cidade relativamente grande, tendo em vista que possui quase 250 mil habitantes e é considerada a "capital nacional do alimento", como ostenta, orgulhosa, a plaqueta disposta na entrada da cidade. Mas não age como tal. Para mim, no máximo, é como um bom e grande feudo. O nosso senhor feudal, Dom Camarinha, excepcionalmente não é o atual prefeito, mas nem por isso manda menos. Afinal, o Bulgarelli (este sim, prefeito reeleito) é seu melhor laranja. Ops! Quis dizer amigo, foi mal. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Camarinha tem visto seu poder diminuir desde o trágico e surpreendente caso da queima do jornal. Vivo contando essa história por aí, porque é muito divertida: camarada Camarinha era o dono do maior jornal de Marília, o Diário. Quer dizer, ele não era o dono, mas mandava de qualquer maneira, porque o editor-chefe, José Ursílio, também era o seu melhor laranja. Agora eu realmente quis dizer laranja. Por uma briga envolvendo dinheiro, intrigas e apelações judiciais, Camarinha e Ursílio se separaram. O jornal, então, faz denúncias escabrosas contra o político. Camarinha se vinga. Ninguém nunca pôde provar, mas é quase certo que ele contratou uma cambada de capangas (incopetentes, diga-se de passagem) para botar fogo na sede do jornal Diário e na rádio homônima. Esta era a sua demonstração de poder. Pouco tempo depois, um grupo de mascarados entra na casa de Camarinha, para um suposto assalto mal-sucedido, e matam seu filho. Rafael Camarinha, provavelmente o herdeiro do trono, foi morto. A história, claro, estava muito mal-contada. Quem sou para afirmar alguma coisa? Só sei que os dois acontecimentos são muito catastróficos para não serem relacionados. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;De qualquer maneira, nenhum desses fatos sequer foram realmente analisados. Uma cambada de outros laranjas foram para trás das grades, os peixes grandes continuam a nadar. Claro. Camarinha hoje é deputado federal. Seu filho mais velho, Vinícius, é deputado estadual. Os dois fazem parte do PSB - Partido Socialista Brasileiro. Hehe. Zé Ursílio ainda usa seu jornal para esculachar seu antigo parceiro. Ele ainda não sabe usar vírgulas e é monotemático. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mais engraçado de tudo foram as eleições deste ano. Quem concorreu à prefeitura: Bulgarelli (o laranja), Vinícius Camarinha (o filho) e José Ursílio (a oposição sem noção). Bulgarelli venceu. Mas o clima de piada ainda continua por aqui. Afinal, que outra cidade 'grande e desenvolvida' tem tantos crimes políticos dignos de um povoado dos anos 1800 quanto Marília? É triste. Digo isso porque eu amo isso aqui. Essa terra vermelha, quente, árida, poeirenta, esturricada, onde as mulheres se equilibram em seu salto alto e protegem os cabelos da fumaça, essa partezinha de território brasileiro com cheiro de bolacha em toda parte e com um povo que reclama do frio sempre que venta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem, hoje é véspera de Natal, estou em casa, com minha família, me entupindo de panetone e esperando Papai Noel chegar. Estou imensamente apaixonada por toda essa vida diferente. Quer dizer, sei que me apaixono porque sei que a vou abandonar em poucos dias, para começar tudo de novo outra vez lá no Paraná. Não sou mais criança e o Natal já perdeu aquela magia que tinha antes. O que me comove, agora, é estar onde nasci, com as pessoas que estiveram comigo por toda a minha vida, e perceber que não me enjoei de todas estas tradições. Talvez essa seja a minha maneira de dizer Feliz Natal. Talvez seja só um jeito de falar sobre um jornal queimado e sobre um moço executado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6543861803791054091?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6543861803791054091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6543861803791054091&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6543861803791054091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6543861803791054091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/ares-da-minha-origem.html' title='Pátria minha'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1514143875626245669</id><published>2008-12-18T06:58:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T13:45:49.821-08:00</updated><title type='text'>Crônica feia</title><content type='html'>Não me importo com o fato de ser feio. Não me importo com a magreza atávica e irremediável (passei a infância toda sendo obrigado a engolir intragáveis e torturantes tonificantes que de nada adiantaram), com os ossos dos cotovelos à mostra;  nem com a altura excessiva, o que chega a me deixar divertido de tão desengonçado; não me importo com o rosto estranho, que parece cortado a machado. Aliás, como tudo é feio, o conjunto chega até a ter certa harmonia; fica suportável aos olhos. Por isso, vou mais longe, e procuro quase que obsessivamente esculhambar minha sintaxe física de vez. Daí os cabelos longos e indômitos de espantalho e a barba rala que (por teimosia e preguiça) deixo crescer, pra acabar ficando com aquela aparência de quem tomou o último banho há uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um convicção política, isso de não se importar em ser feio – chega-se a gostar de ser feio. Ser feio é estar à esquerda do espectro; a beleza é a direita. A beleza não se rebela, não se insurge, não pega em armas; a beleza é conformista e conservadora. Nenhuma grande reforma foi iniciada pela beleza, pelos bem asseados. As revoluções são feitas pelos feitos, pelos infectos, pelos despojados e mulambentos. A fealdade é punk, é o sorriso podre de Johnny Rotten. A fealdade é vermelha. E se a história tem mesmo um fim, o fim é nosso (a bênção, seu Karl Marx). Os feios, ao fim, vencerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou além. Ninguém de olhar menos sonolento se importa com a beleza. A beleza não é curiosa, interessante; a beleza é estandarte, brasão. Curioso mesmo são as mulheres barbadas. Por isso o mundo da ciência se curva diante de nós, os feios; pesquisa a feiúra. A sociologia nos defende, nos protege. Os sociólogos se interessam pelo pobre, pelo carente, pelo déficit sanitário, pelo desorganizado, pelo outsider – em suma, pelo feio. Está cientificamente e quantitativamente comprovado nos anais das pesquisas antropológicas e sociológicas: ser feio é interessante. Ser bonito, não. O bonito já está resolvido, é equação sem incógnita, problema tediosamente solúvel, coisa chata, sem graça, besta de doer. Veja só: uma mulher excessivamente bonita vai ser só isso. Qual é a graça? A beleza, de fato, está em ficar procurando defeitinhos, encontrando-os e achando-os bonitos. Está aí uma coisa que as mulheres precisam entender: os homens também amam as feias; não raro acima de tudo amam as feias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê? Porque ser bonito é ser constitucional; ser bonito é estar de acordo com a legislação, seguir às leis à risca; ser bonito é bom-mocismo e bom-mocismo é chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais chato do que ser bonito, só ser feio e ficar tentando reformar a lataria, como se fosse carro velho. Não orna. Um Chevette 79 vai ser sempre um Chevette 79. É feio. Pode ser um feio vermelho, azul, amarelo... um feio burro-quando-foge; um feio com ou sem trio elétrico. Mas é feio. Feio é fim, não é meio; ponto final e não vírgula. Wander Wildner já canta, punk-brega e alcoolizado, que queria ser bonito, mas não consegue. É insensato. O máximo que se pode conseguir com algo feio é deixá-lo feio e espalhafatoso – o que, convenhamos, piora as coisas. São as atitudes drásticas. Pintar seu Chevette 79 de cor-de-rosa, por exemplo. Pronto: agora você que odiava ser feio continua feio - e ainda por cima não pode mais passar despercebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só isso (nunca é só isso, oras). É preciso admitir a feiúra com convicção, e para isso é preciso transcender, exercitar os defeitos. Não só os defeitos físicos (um lóbulo da orelha maior que o outro, os mindinhos tortos das mãos), mas todos os defeitos. É preciso admitir ser fumante incurável, admitir o eterno mau humor matinal, gabar-se da própria falta de sofisticação... é preciso admitir que você marca os livros com suas respectivas orelhas (as deles, não as suas, leitor estúpido!) e, na falta delas, dobrando as páginas mesmo; ser feio convicto é não ter vergonha das orelhas-de-burro. É ter algumas virtudes (muitas, talvez), mas fazer questão mesmo de exercitar seus defeitos. Ouvi isso em algum lugar: as pessoas gostam umas das outras por suas qualidades, mas só amam umas às outras por seus defeitos. A virtude é genérica (é esteticamente resolvida, não estimula investigação), o defeito é singular, único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no mais, se não fôssemos nós, os feios, como é que os pobres de espírito iriam admirar a beleza? Uma coisa não existe sem a outra. Pensar e catalogar (inclusive de belo ou feio) é abstrair, e o cérebro humano é incapaz de abstrair sem parâmetros de comparação. Os belos têm uma dívida para conosco. Assim, por si só, nossa fealdade é, para dizer o mínimo, perdoada. Fujamos das academias, das clínicas estéticas; admiremos nossa feiúra ao espelho. O mundo nos deve essa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1514143875626245669?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1514143875626245669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1514143875626245669&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1514143875626245669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1514143875626245669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/crnica-feia.html' title='Crônica feia'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6691271602590464037</id><published>2008-12-13T23:50:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T23:54:12.412-08:00</updated><title type='text'>sinceridade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;gabriel garcía márquez escreveu, certa vez, que é preciso que se fale da humanidade, e é preciso que se fale do amor, porque um não é sem o outro. é sempre no caminho de volta pra casa, quando a cidade está vazia e escura, cheia de sombras esquecidas, de sonhos bons, de desalentos, ou de lágrimas corridas no escuro, que a vontade de escrever me vem visitar. do começo ao fim da viagem noturna, que tem apenas destino, mas não início, do começo ao fim do passeio por entre luzes e orvalho, esses breves instantes, mil anos talvez, traduzem-se em uma tortura excitada, uma enxurrada de palavras, de dores, de motivos inéditos, frescos, recém-paridos, prontos para chorar ou para rir, querendo que se explorem, que se curtam, se desfrutem, e eles invadem meus olhos e tudo que vejo é transformado em poesia, uma poesia negra e de ornamentos fortes, consistentes, agudos.&lt;br /&gt;penso então que não escrevo há tempos, que nunca escrevi, que talvez nunca tenha escrito nada que realmente se valha a pena ler. penso que essa aura toda das coisas-que-dóem, dos furta-cores, dos úmidos entre as palavras permanecem todos aqui, trancafiados, andando de lado a lado como um pequenino demônio engaiolado, esperando apenas por uma brecha - uma fúria repentina e enlouquecida de todos os dedos, juntos - para se fazer mostrar. e penso em quão triste é uma vida engaiolada, uma vida que não consegue atingir a plenitude, nem sequer um mísero sucesso ocasional, mas que permanece tentando, sem glória nem reconhecimento, sem nunca atingir o primeiro lugar, mas insistente como uma mula pobre, como um murro rubro em ponta de faca.&lt;br /&gt;então lembro de priscilla, que me disse - sem querer e sem rodeios - que escrevo como quem come. "todo dia, o mesmo cinza". clarice disse que o que se escreve de verdade nunca está nas palavras, mas sim nas entrelinhas. revirei minhas entrelinhas de cinco ou sete anos atrás, desde o primeiro drummond, e só me vi sangrando em cores, disfarçando sob o arco íris um doer que nunca tive certeza do nome, da ocupação, do endereço. nunca o critiquei, nunca o julguei, nunca quis que não existisse. tenho para o doer uma espécie de idolatria abusada, uma idolatria que me abre espaço para que eu o explore, o force a me oferecer coisas que não tenho, que nunca teria, e que o ponha contra a parede e o seque até definhar, e então esse doer morre, sem muitos lamentos, e outro me nasce, novo, mais forte, melhorado, como as coisas da vida costumam ser quando o processo é natural, e eu o acolho de bom grado mesmo que me dilacere, que me consuma, que me mate aos poucos, porque &lt;em&gt;mesmo se não der certo, meu coração é esperto, não vai parar de bater&lt;/em&gt;. (apóio tamanho egoísmo no conhecimento popular que diz que só se fala com sabedoria sobre o que conhecemos com propriedade, e nesse mundo não conheço de nada que não seja eu mesma, e, ainda assim, muito pouco - mas não que me envergonhe, porque não conhecer das outras coisas do mundo me impede de tomar conclusões absolutas, me proíbe de dar tudo por conhecido, me condena qualquer julgamento, e permaneço frente a tudo sempre com o olhar de criança curiosa que não entende nada que vê e que, por isso mesmo, tudo lhe parece belo).&lt;br /&gt;também meu pai me disse, em ainda outra ocasião, entre uns acordes de noel e outros de cartola, que de nada adianta cercar os certos e os errados, os justos e os injustos, que de nada adianta esfaquear com olhos e palavras as coisas mutantes e escusas, porque acima de tudo, acima das palavras de clarice, o que se fala é sempre sobre o curso. e o curso é um puto: segue por onde lhe convier, e desdenha em alma de todo o resto das coisas.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6691271602590464037?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6691271602590464037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6691271602590464037&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6691271602590464037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6691271602590464037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/gabriel-garca-mrquez-escreveu-certa-vez.html' title='sinceridade'/><author><name>iasa monique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01508273672110239564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SxxV75JybDI/AAAAAAAAAmg/OmVBmHZYJXI/S220/iasablog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-2443686172272282238</id><published>2008-12-13T18:38:00.001-08:00</published><updated>2008-12-13T18:50:06.034-08:00</updated><title type='text'>Inspiração ou 'O Crepúsculo Japonês'</title><content type='html'>&lt;a href="http://media.tumblr.com/AZN7wsuV4hgazi0tT3kwztU0o1_500.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 397px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://media.tumblr.com/AZN7wsuV4hgazi0tT3kwztU0o1_500.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trecho do livro O País das Neves de Yasunari Kawabata, (1889, 1972), prêmio Nobel de Literatura de 1968&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"(...) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No fundo do espelho, corria a paisagem do entardecer, isto é, o que se via através do vidro e o que se refletia no espelho moviam-se como imagens sobrepostas de um filme. Os personagens e o cenário não tinham nenhuma relação entre si. Além disso, sendo eles de uma fugacidade translúcida, e a paisagem de uma fluidez vaga de cair de tarde, a fusão de ambos desenhava um mundo simbólico. Particularmente, quando os últimos raios de sol da mata iluminaram em cheio o rosto da moça, Shimamura chegou a sentir o coração palpitar diante daquela beleza inexprímivel. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O céu das montanhas mais distantes ainda guardava os resquícios da vermelhidão do pôr-do-sol. Por isso, bem ao longe, os contornos da paisagem através do vidro da janela ainda continuavam nítidos, mas já sem cor, e as montanhas infinitamente monótonas pareciam ainda mais triviais. Por não haver nada de mais atraente, tudo aquilo tornava-se um imenso fluxo de emoção anuviada, obviamente porque ele imaginava o rosto da moça flutuando nesse quadro. Não era possíovel ver o ooutro lado da janela na parte em que a figura dela se refletia, mas como a paisagem do entardecer se movia ao redor do controno da moça, o rosto dela também lhe parecia translúcido. Se era ou não, ele não foi capaz de distinguir, pois lhe parecia que a paisagem do crepúsculo que continuava a pasar por trás do se rosto e estava em frente a ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como o interior do trem nao era muito claro, aquele espelho não era tão nítido quanto deveria ser. Ele não refletia bem as imagens. Por isso, enquanto Shimamura olhava compenetrado, foi se esquecendo da existência do espelho e começou a pensar que a moça flutuava na paisagem do entardecer."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi nesse momento que os raios de sol, já tênues, iluminaram o rosto dela. O reflexo do espelho não era suficiente para apagar a claridade de fora, nem esta, forte o bastante para ofuscar a imagem refletida no espelho. A claridade passava como um relâmpago pelo seu rosto, mas não era suficiente para iluminá-lo. A luz era fria e distante. No momento em que o contorno de sua pequena pupila foi se iluminando, como se os olhos da moça e a luz se sobrepusessem, seus olhos se tornaram um vaga-lume misterioso e belo que pairava entre as ondas da penumbra do cair da tarde&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(...).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-2443686172272282238?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/2443686172272282238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=2443686172272282238&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2443686172272282238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2443686172272282238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/inspirao-ou-o-crepsculo-japons.html' title='Inspiração ou &apos;O Crepúsculo Japonês&apos;'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-4276541491791445917</id><published>2008-12-12T06:33:00.000-08:00</published><updated>2008-12-12T06:36:24.950-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Vou te dizer o que penso essa noite. Quero te dizer o quanto é legal quando as coisas fazem sentido o máximo possível, como é legal entender a natureza, e as pessoas, e Deus se ele existe, mas como é legal da mesma maneira ter um botão que desligue todo esse sentido e que nos mergulhe num poço de dúvida e insegurança, porque é isso que faz do humano humano afinal, mas não sei se você entenderia, então te levaria para o meio da grama, não o meio propriamente dito, pois levaria muito tempo a calcular isso e a noite é muito curta para perder tempo com essas bobagens matemáticas, então te deitaria lá por algum meio da grama e te faria olhar as estrelas e saber da nossa posição em relação aos firmamentos, isso é claro se os firmamentos assim, com essa robustez vocabular firme, forte e magnânima te trouxerem alguma segurança, mas se não trouxerem não é de todo ruim, já que daria a você a noção de como a incerteza torna o humano humano, mas isso já falei, embora a redundância possa te fazer entender melhor, mas não sei exatamente se você entenderia, pois você não é de entender muita coisa, você só é de ficar falando de relacionamentos amorosos ou não tão amorosos, a verdade é que isso enche o saco às vezes, desculpe se fui muito incisivo mas é que falo para não perder esse meu bem querer por você, e você sabe que eu bem te quero muito, assim como bem quero todo mundo, talvez não todo mundo mas a maioria das pessoas, até as chatas, mas a verdade, de novo, sempre ela, é que você é um tanto quanto ininteligível às vezes, fala de muita coisa a toda hora, mas nenhuma eu consigo entender plenamente, com exceção de quando você fala de relacionamentos, que é a parte que eu entendo, porque não há muita coisa que não dê pra entender, está claro tanto para mim quanto para qualquer um que venha a se aventurar em seus fluxos neurais, pois teus olhos imperfeitos, olhos de cigana oblíqua e dissimulada, diria um, e repetiriam milhões de bocas, cara de puta, retrucaria outro, a verdade, olha de novo ela, é que seus olhos não passam de uma seqüela do que o passado fez com você, pobrezinha, te disseram que te amavam e depois disseram que amavam outra pessoa, ora, isso não é coisa que se faça pois amar é uma palavra muito forte, e não pode ser jogada aos quatro ventos, mas sim reservada a pessoas especiais, e cá entre nós, você poderia ser uma pessoa muito especial, mas hoje já não é, Deus do céu, o que fizeram com você que hoje poderia ser especial e não é, vai morrer só isso, mas existiria alguém para pegar tua mão e dizer que te amam verdadeiramente, e você não repudiar esse romantismo repentino como uma forma de defesa dos teus sofrimentos passados, e que se tornam presentes com certa freqüência, mas sim apegar-se não só de corpo como bem faz, e como faz bem, mas também de alma, como diriam um e repetiriam mais outro milhão de bocas num clichê gigantesco, mas que só se tornou esse clichê gigantesco bem sabes porque, ou não sabes já que não entende de muita coisa a não ser de relacionamentos carnais, coisa que, já falei, você é especialista, esse clichê gigantesco, retornemos ao meu fluxo neural inclassificável, me perdoe deixar você à sujeição de absorver toda essa trilha psicológica, mas se você chegou até aqui é porque talvez esteja gostando, e se está gostando vou continuar, mas mesmo que demore páginas, e não dê pra classificar isso em alguma coisa, pois não sei se é crônica conto ou rompante confessional, desculpem, desculpem todos, desculpe mundo, não classifico o que digo, sou um idiota, mas voltando dessas bobagens de classificar, a dizer todas essas coisas quero na verdade dizer só uma coisa, que o clichê gigantesco só virou um clichê gigantesco porque a humanidade o usou à exaustão e a humanidade só o usou em exaustão pois não há verdade mais absoluta para o humano humano que isso, ou talvez até haja, mas que é verdade absoluta é, entregar-se de corpo e alma e ser correspondido tanto quanto o primeiro fez é uma das maiores realizações nessa vida, não sei se você consegue entender, pois não entendes de muita coisa como já disse, mas vou manter minha opinião mesmo que não queiras entender, caso não querias só te levarei para o meio da grama, não bem o meio como já falei, a noite curta, as bobagens matemáticas, não é pra isso que existe a grama nem a noite, mas te deitaria na grama, te encheria com essa homilia neural, te falaria das estrelas e de Vênus que está visível por essas épocas, te falaria qualquer bobagem parecida, e você não entenderia bulhufas, mas buscando segurança nas coisas não tão seguras e certas, mas que trazem alento momentâneo por algum tempo, fiaríamos abraçados debaixo da chuva, e transformaríamos a grama num igapó particular, e nos afogaríamos no meio da madrugada, em nossos próprios refúgios ininteligíveis, eu em meus pensamentos, você em seu corpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-4276541491791445917?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/4276541491791445917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=4276541491791445917&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4276541491791445917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4276541491791445917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/vou-te-dizer-o-que-penso-essa-noite.html' title=''/><author><name>Fábio Pupo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-5886381612382265945</id><published>2008-12-10T18:06:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T18:10:25.331-08:00</updated><title type='text'>O deserto dos banqueiros</title><content type='html'>Detesto bancos. Tal qual finais de ano, como escrevi na última croniqueta cá publicada, antes de dar uma quinta-feira de folga a mim mesmo. Explico o motivo: Bukowski, Cervantes e Hemingway – para ficar só nesses exemplos - que me perdoem, mas escrever bêbado não é para meu calibre. Fica aqui meu pedido de desculpas. Agora, ao banco, para meu suplicio.&lt;br /&gt;Não gosto de bancos porque eles me lembram abatedouros. Pessoas comuns confinadas como gado, obrigadas a passar horas em filas, desapercebidas para o fato de que em breve enfrentarão caixas treinados para defender as fortunas de banqueiros impiedosos num ambiente de assepsia brutal, uma espécie de deserto habitado por chacais famintos que desidratará muitas vezes suas únicas economias e jogará seus corpos descarnados às bestas. De toda sorte, porém, com ou sem minhas resoluções particulares, resolvi abrir um conta bancária. Vinte um anos, de acordo com minha mãe, é idade mais que suficiente para que eu comece a administrar minhas parcas, minguadas, ralas e raras finanças. Na minha idade, veja só, ela já administrava uma casa, tinha dois filhos! Antes de tudo, é claro, resisti à idéia. Questionei-a a respeito de que talvez a solução para minha pessoa seria, ao invés de abrir uma conta no banco, fazer o filho – pareceu-me uma boa e divertida idéia; não o filho em si, mas o processo de confecção. Não, não era a solução, disse-me ela. Sendo assim, dirigi-me ao banco e abri a conta, depois de me complicar todo com um questionário; declaração de renda, essas coisas todas.&lt;br /&gt;Dois dias depois, fui estreá-la, orgulhoso – meio enfadado, é verdade, mas orgulhoso. Nunca tirei os sisos, nunca criei juízo; uma conta bancária talvez fosse os sinal de que minha maturidade começava a acenar-me de longe; talvez eu estivesse chegando à idade adulta. Entrei no banco, olhando a tudo e a todos de cima para baixo. Lembrei de Balzac: os homens esquecidos pelo mundo vingam-se dele olhando-o de cima para baixo. Com os olhos altivos, procurei meu caixa específico. Por algum motivo que desconheço sou cliente class e tenho um caixa específico. Fiquei na fila, envergonhado, detestando a mim mesmo por fazer parte daquela segmentação. De um lado, um fila enorme de outsiders que como um intestino delgado fazia curvas e curvas. Do outro, eu e meus colegas de class. Dois ou três. Algum sociólogo deveria estudar as filas de bancos. Tenho certeza que sairá alguma coisa interessante daí. Para passar o tempo, reparei na gravata dos caras que circulavam pelo banco, orquestrando aquela hemorragia de dinheiro. Gravatas são símbolos fálicos, sempre defendi isso. E sempre me pergunto que espécie de idiota andaria com um símbolo fálico dependurado no pescoço. Hm.&lt;br /&gt;Minha vez, anuncio para a moça do caixa que me atende:&lt;br /&gt;- Oi, moça. Eu queria fazer um depósito.&lt;br /&gt;- Cheque ou dinheiro?&lt;br /&gt;- Cheque, digo eu.&lt;br /&gt;Ela me olha com um sorriso complacente. Em verdade, vos digo: quando uma mulher lhe olha com um sorriso complacente, saia da frente. Elas rodam a baiana.&lt;br /&gt;- Cheque só no auto-atendimento, disse-me, de maneira muito mais cordial do que eu esperava. Preciso parar com essas neuroses, quem sabe recuperar um pouco da fé na raça humana. Nem todo mundo faz da indelicadeza estilo de vida.&lt;br /&gt;Mas estranhei, admito. Como assim não faz depósito de cheque aqui? Qual é a puta diferença? Não, não faz. Sinto muito. Quem sentia muito era eu, oras. Mas como não entendo nada de bancos, achei melhor não prolongar a discussão. Ela voltava a sorrir complacentemente e o mais correto de minha parte era não abusar da sorte, já que escapara ileso da primeira vez. Volvi e fui ao caixa eletrônico. Agradeci ao fato de não haver fila, pois sabia que ia demorar uns bons dez minutos até entender a lógica da máquina; assim, eu não corria o risco de ser xingado pela demora. Processo feito, dinheiro depositado, atravessei a rua para tomar uma cerveja, satisfeito. Oras, agora já sou um homenzinho, tenho o direito de molhar a goela nesta tarde de calor infernal, esta guerra já perdida contra o sol de dezembro. Acabei tomando umas seis, eufórico, e duas ou três cachaças, de modo que voltei para casa um tanto embriagado. Mas satisfeito. Muito satisfeito.&lt;br /&gt;No dia seguinte minha mãe novamente (sempre ela, sempre novamente) alertou-me para o fato de que seria melhor tirar um extrato, ter uma prova caso alguma coisa ocorresse com meu rico dinheirinho. Minha mãe vive às voltas com essas teorias conspiratórias. Contrariei-me. Disse que ir dois dias seguidos ao banco ia contra meus princípios. Eu podia ter um piripaque, pegar uma infecção naquele ambiente asséptico. Sim, uma infecção, ora pois. A pior das infecções – a infecção do lucro pelo lucro. Ela limitou-se a perguntar quando eu de fato ia crescer. Fiquei desarmado e, batalha perdida, fui novamente ao banco. Caixa eletrônico, apertar os botõezinhos, tira da carteira o papel com o número da conta, errar a digitação, voltar, fazer de novo, e agora onde diabos eu enfiei minha senha? Por fim, surpresa: saldo zero. Zero. Zero! Mas não é possível, será o Benedito?, ontem mesmo moça, lembra de mim? Pois então, ontem mesmo eu vim aqui, não vim. Sim, naturalmente que vim. Não estou ficando louco. Pois então, ontem mesmo eu vim aqui e depositei nesta conta aqui – apontava para o papel com o número da conta – e depositei dinheiro. Quanto? Oras, quanto, como assim? Não seja indiscreta. Quando é problema meu. Sim, meu. O problema seu é que o depósito desapareceu. Sim, eu tenho certeza. Desapareceu sem deixar rastros, como se nunca tivesse estado lá.&lt;br /&gt;De fato, nunca estivera lá. Demorei boa parte da tarde pra perceber que tinha depositado o dinheiro na conta errada. Inferi daí que bom mesmo é não crescer. Bom mesmo é ser criança. Bom mesmo é jamais precisar atravessar o deserto dos banqueiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-5886381612382265945?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/5886381612382265945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=5886381612382265945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5886381612382265945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5886381612382265945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/o-deserto-dos-banqueiros.html' title='O deserto dos banqueiros'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1198942881680620948</id><published>2008-12-10T09:08:00.001-08:00</published><updated>2008-12-10T09:40:49.657-08:00</updated><title type='text'>O verdadeiro sonho americano</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Com um carro alugado e o porta-malas lotado dos mais diversos tipos de alucinógenos, os dois cruzam estradas insólitas e desérticas. O ideal almejado é o mesmo: adentrar o coração do chamado Sonho Americano. E eles o fazem sem cerimônias, chutando a canela de quem quer que esteja na frente. Arrombam as portas do conservadorismo estadunidense, debocham dos sonhos medíocres da classe média e atropelam toda e qualquer moralidade, com o objetivo único de desnudar a América. A América do submundo, dos bares de beira de estrada, dos marginais, da cultura transgressora; a América dos loucos, que pertencera aos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;beatniks&lt;/span&gt; e, mais recentemente, aos&lt;span style="font-style: italic;"&gt; hippies&lt;/span&gt;. Por fim, a América que o tal do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;american way of life&lt;/span&gt;, tão propagandeado ao resto do mundo, tentava ocultar – mas que, na verdade, é o seu mais profundo âmago.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/ST_4afpQ_HI/AAAAAAAAANc/mqXOVtW8mdk/s1600-h/thompson.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 264px; height: 176px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/ST_4afpQ_HI/AAAAAAAAANc/mqXOVtW8mdk/s200/thompson.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278210422356376690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;"O que eu estava fazendo aqui? Qual era o sinificado desta viagem? Estaria eu apenas vagando por aí por alguma agitação vinda das drogas? Ou eu realmente havia vindo a Las Vegas para escrever uma reportagem? Quem são essas pessoas, esses rostos? De onde elas saíram? Elas parecem caricaturas de vendedores de carros usados de Dallas e, por Deus, há um monte delas às 4h30 de um domingo de manhã, ainda buscando o Sonho Americano, aquela  visão do grande ganhador emergindo do caótico último minuto pré-amanhecer de um velho cassino de Vegas". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;"Muito estranho para viver, e muito raro para morrer”, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;diz Raoul Duke, alter-ego de Hunter S. Thompson no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fear and Loathing in Las Vegas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;. Ele se referia ao amigo, sob a alcunha de Dr. Gonzo, mas também a si mesmo e a toda a corja de malfeitores que fazem o mundo girar. E giram com ele. Thompson escancarou o jornalismo, enfiando o dedo nas feridas da América selvagem e berrando opiniões. Mas só até 2004, quando meteu um tiro na cabeça após uma longa vida de idas e vindas, letras, medos e delírios. A busca pelo Sonho Americano ainda não acabou - ela continua imersa em todos os outros insanos sofredores apaixonados que renascem todos os dias em suas estranhezas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1198942881680620948?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1198942881680620948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1198942881680620948&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1198942881680620948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1198942881680620948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/o-verdadeiro-sonho-americano.html' title='O verdadeiro sonho americano'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/ST_4afpQ_HI/AAAAAAAAANc/mqXOVtW8mdk/s72-c/thompson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-8724790681793319514</id><published>2008-12-08T21:55:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T21:58:57.520-08:00</updated><title type='text'>Dezembro</title><content type='html'>&lt;div&gt;Você planeja mudar de vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parar de fumar. Parar de perder tempo. Tentar realizar um sonho. Ir até Morretes à pé. Buscar sua bicicleta quebrada no litoral. Retomar o contato com aquela menina daquele verão estranho que você não deveria ter ignorado. Esquecer das coisas que não deram certo. Retomar aquela história que você começou há uns anos atrás. Assistir mais filmes. Ler mais livros. Tocar mais música. Descansar mais. Se cansar mais. Jogar futebol toda semana. Acordar cedo de vez em quando. Dormir cedo de vez em quando. Dar mais atenção às pessoas que ama. Fugir da rotina. Esquecer da timidez. Escrever mais. Pensar menos. Sonhar menos. Agir mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, no fim, todo mês de dezembro é a mesma merda. Ficar apodrecendo vivo em um canto qualquer com um sorriso culpado sonhando com um dia melhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-8724790681793319514?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/8724790681793319514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=8724790681793319514&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8724790681793319514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8724790681793319514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/dezembro.html' title='Dezembro'/><author><name>Chico Marés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03795712040759695041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-3283252608731977603</id><published>2008-12-06T20:26:00.000-08:00</published><updated>2008-12-06T20:45:02.369-08:00</updated><title type='text'>Routine</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="font-family: trebuchet ms;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/STtQ2aZWawI/AAAAAAAAAbc/XEkWKSZ49ow/s1600-h/2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 223px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/STtQ2aZWawI/AAAAAAAAAbc/XEkWKSZ49ow/s320/2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276900284123474690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eve Arnold, 1954, Havana, &lt;a href="http://www.magnumphotos.com/"&gt;Magnun Agency&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;To Make Routine a Stimulus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Remember it can cease -&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Capacity to Terminate &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Is a Specific Grace - &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Of Retrospect the Arrow&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;That power to repair&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Departed with the Torment&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Become, alas, more fair -&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Emily Dickinson, 1871&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Maria levantou-se da cama na mesma hora de sempre, às seis e meia da manhã, horário a que seus olhos já se acostumaram. Adestrados, eles se abriram inesperadamente, trinta segundos antes do soar do despertador. O marido roncava a seu lado, chegara bêbado na noite anterior. Maria não era mulher de se enrolar, olhou para os lados e levantou-se, muito rapidamente. Após movimentos rotineiros da manhã, que ela fez mecanicamente, como um pequeno robô, saiu para trabalhar, deixando para o marido e para as crianças o desjejum sobre a mesa. Caminhar para o trabalho era uma rotina agradável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maria gosta do cheiro da cidade pela amanhã; ela sente um frescor, as pessoas caminham com frio – já vai esquentar, pensam, esfregando as mãos nos braços. Naquela madrugada, uma chuva fina caíra, e Maria sentiu-se feliz, pois gosta mais ainda do cheiro da cidade depois da chuva. “Não há nada como o asfalto molhado”, pensou. A cidade satisfeita com o banho oportuno, limpa como há de ser, livre de incômodos odores, pulsando em concreto. Maria é uma mulher urbana, nasceu em meio à urbe e dela nunca saiu. Não saberia viver sem esse calor, essa emoção, essas cores e esses sons. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Naquele dia Maria sentiu a vida fragmentar-se. Caminhava calmamente, e no trabalho, a rotina tomou conta de seu dia. Durante o dia todo, Maria não teve tempo de pensar no marido bêbado, nos filhos, em problemas financeiros. Não pensava neles não por estar ocupada demais, mas por estar cansada demais. Maria só queria uns dias para si, sem ter que pensar que as coisas vão transformar-se, mas sentir as mudanças. Ao sair do trabalho, Maria decidiu não ir direto para casa, como fazia todos dias. Parou em um bar próximo ao serviço e pediu uma dose de rum. Foram duas ou três: cabisbaixa, Maria pensava em uma liberdade perdida, em sentimentos de futuro já passados e em promessas de sentimentos infinitos. Pagou a conta com uma nota de vinte, ajeitando a manga do vestido, para em seguida levantar-se. Não cambaleava e não mostrava sinais de embriaguez. Ao chegar em casa, Maria encontrou o marido dormindo na mesma posição em que o deixara pela manhã, como se aquele dia – tão pesado! – não tivesse existido. Foi dormir com a sensação de ter sonhado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-3283252608731977603?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/3283252608731977603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=3283252608731977603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/3283252608731977603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/3283252608731977603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/routine.html' title='Routine'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/STtQ2aZWawI/AAAAAAAAAbc/XEkWKSZ49ow/s72-c/2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-4192440717761960757</id><published>2008-12-02T21:09:00.000-08:00</published><updated>2008-12-02T21:24:18.580-08:00</updated><title type='text'>Martelos e lajotas</title><content type='html'>Disseram por aí que ele arquitetou tudo. Que ele desenhou, linha por linha, as minhas asas. Que enquanto conversávamos, naquelas tardes intermináveis e bastante comuns, sobre coisas que pareciam não importar nada, ou que pareciam simples demais para que com elas fosse gasto muito tempo, ele olhava a fundo cada uma das fronteiras que construí durante minha vida; e que, enquanto observava esses lugares que eu não conhecia, ele desenhava um caminho reto, simples e limpo, o qual esperava que eu algum dia percorresse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disseram por ai, e pra mim também; mas enquanto as vozes deles ecoavam, eu construía coisas complicadas, tortuosas, difíceis. Não ouvi nada do que disseram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disseram por aí que ele sabia quem eu era. E me disseram também que eu não sabia quem ele era. Escutei, não sabia o quê. Enquanto ele segurava meus braços abertos em frente ao espelho e falava sobre o futuro, eu escutava frases ao fundo, que soavam sem sentido e abafadas pela dor que eu mesma havia criado, pelas necessidades que eu não tinha, mas que desenhei na forma de facas, que apontavam sempre para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me disse que sempre estaria comigo. Ele me disse, e eu escutei. Mas enquanto escutava, o que eu ouvia mesmo eram nuvens escuras, densas, que drapejavam como bandeiras fincadas em algum lugar que eu julgava conquistado. Um lugar insípido, escuro e sem vida, um lugar em que o vento na verdade se recusava a soprar. Um lugar que eu construía meticulosamente enquanto vivia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia me disseram que ele precisava ir embora. O que eu ouvi foram gritos, de dor lancinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ele foi embora; deixou minhas asas todas desenhadas, projetadas no papel, e me entregou o papel. Ele foi embora. Me deu as respostas, mas não me ensinou as perguntas. Me deu asas, mas não me ensinou a voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais o vi. Achei que era passado, tratei de esquecê-lo. Disseram, depois de muito, que ele nunca havia ido realmente. Eu não escutei; abandonei-o. Abandonei também o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a cavar bem fundo, pensando em como encontrar respostas. Criei batalhas, heróis, vilões; ganhei, perdi, empatei com todos os que me ajudavam a cavar. Criei princesas que precisavam ser resgatadas, criei muros bem altos para impedir que chegassem até lá. Eu nunca parava. Pensava em como vencer a batalha. Precisava que o herói vencesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, me diziam, sempre, todos os dias. As palavras eram simples demais para serem pensadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse o filósofo que os problemas surgem quando as coisas são retiradas de seu uso natural. Disse ainda, muito antes, que o mundo daquele homem infeliz era diferente do mundo daquele homem feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escutava ao fundo, mas o que ouvia eram os sons da construção. Martelos, lajotas, andaimes e sei lá mais o que. As palavras me diziam como construir um prédio bem grande, com tudo aquilo que eu queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, continuavam dizendo coisas. Disseram que minhas preocupações não se preocupavam comigo. Disseram que eu fazia coisas por pessoas que não se lembrariam do meu tempo gasto. Disseram que eu me importava com problemas que não se importavam comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, eu abandonei todos aqueles que diziam coisas. E nunca mais me disseram nada. Preferi os prédios grandes, os planos, as batalhas por vencer. Preferi aquilo que eu dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o prédio não agüentou mais. Desabou, em cima de mim. A dor que senti era finalmente verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, não agüentando a dor, que era de verdade, que eu não construí, deixei de ouvir o que eu dizia para mim mesma. Não ouvi mais nada. Matei o herói, a princesa. Derrubei os prédios, tapei os buracos. Tirei as ferramentas dos construtores, matei-os também. Acabei com a batalha. Matei todos, não sobrou ninguém. Todos sumiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando ele voltou. Não voltou fisicamente, não poderia mais; mas voltou. Lembrei-me então de quando disseram por aí que ele sempre estaria comigo. E acreditei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, voltaram a me dizer coisas. Dizem-nas a todo o momento agora. E elas não precisam ser pensadas, porque só as ouço. Não há buracos a cavar. Não há grandes prédios, nem lugares mortos. Não há herói, não há batalha. Na verdade, nunca houve batalhas. Simplesmente ouço, a todo o momento ouço. Não crio. Não faço nada daquilo que meu pensamento me pede para fazer. Ele simplesmente pede; eu, porém, não acredito mais nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje bati minha bicicleta no espelho de um carro, entortando-o. A moça de dentro do carro parou. Meu pensamento, que sempre me pede para construir coisas, projetou uma série de insultos que eu teria de ouvir, seguidos de uma tristeza e medo súbitos. Ela então abaixou a janela, e, preocupada, me perguntou se eu estava bem; disse-me para tomar cuidado na rua. Segui meu caminho, feliz por ter passado por aquele momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-4192440717761960757?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/4192440717761960757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=4192440717761960757&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4192440717761960757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4192440717761960757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/martelos-e-lajotas.html' title='Martelos e lajotas'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-8051815435609534381</id><published>2008-11-29T20:01:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T20:06:38.167-08:00</updated><title type='text'>Momento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.bfi.org.uk/whatson/sites/bfi.org.uk.whatson/files/images/paris_texas_01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 470px; height: 263px;" src="http://www.bfi.org.uk/whatson/sites/bfi.org.uk.whatson/files/images/paris_texas_01.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;William Faulkner&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Atirou as luvas ao focinho do cavalo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; e havia sinais de que o mundo, daquela pele para dentro,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; iria terminar: como um suicídio ou um eremita.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tenho um coração e um único Deus, disse ela.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas tens ainda um único Deus e sete orações. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E tens ainda uma arma no teu quarto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; E o que utilizas mais rápido: a arma ou as orações?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Não é pergunta que se faça uma mulher, respondeu ela”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Gonçalo Tavares, em A Biblioteca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminha, sem olhar para trás. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O anel que tu me destes era vidro e se quebrou&lt;/span&gt;. A mão encosta na testa, enxuga o suor de horas sem olhar para trás. O que terá feito esta mulher? Quantas rosas terão desabrochado antes que ela olhe para trás? Sem hesitações, sem titubear. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou.&lt;/span&gt; A mulher traja um vestido azul da cor do céu e seus longos cabelos pesados estão presos em um penteado antigo; alguns fios passeiam com o vento. Seu rosto é antigo, marcado pelos anos, é inexpressivo. Do bolso, a mulher retira um terço; ela ajoelha-se – o chão é terra batida – e, vagarosamente, entoa um canto antigo, quase primitivo. Dos olhos amarelados, uma lágrima escorre pela face negra. Ela olha para o céu, e, vagarosamente, levanta-se. Caminha mais alguma distância sem olhar para trás: encontra um canteiro de rosas rubras. Ali, ajoelha-se mais uma vez, à espera de um porquê. Um por que olha para trás. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-8051815435609534381?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/8051815435609534381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=8051815435609534381&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8051815435609534381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8051815435609534381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/momento.html' title='Momento'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-2521101084174858757</id><published>2008-11-29T10:33:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T10:35:15.315-08:00</updated><title type='text'>Do outro lado da rua</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CGERENC%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;Era meia noite e já não agüentava de dor na virilha. Resultado de seu esforço para garantir uma renda maior para o fim do ano. Tudo bem, desde que conseguisse seu objetivo de viajar no Natal. Nessas festas sempre cai o movimento, talvez porque as pessoas fiquem mais religiosas, e doem alimentos, desejem paz, parem de transar com prostitutas, tudo para celebrar o momento natalino de solidariedade. Visconde com Travessa da Lapa era seu ponto tradicional. Já tinha se acostumado com os ônibus que passavam carregando olhares arregalados em direção à criatura ali presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, do outro lado da rua, parou um carro que talvez valesse mais do que tudo que ela já teve na vida. Do Aston Martin escuro desceu uma mulher linda. Alta, cabelos compridos, seios nem pequenos nem exageradamente grandes, barriga seca, pele lisa, e cheia de acessórios como brincos prateados, botas e roupas de marca. De lados opostos da rua, duas realidades de uma mesma moeda. Seu olhar ficou marejado. O charme com que a mulher andava, o glamour, a classe, tudo aquilo era o que o lado de cá da rua nunca ia oferecer. Batalhou tanto na vida, superou tantos obstáculos para quê? Para secar numa esquina do Centro. Logo o pranto se transformou num incontrolável choro. Aquela mulher linda, bem sucedida, poderosa, representava tudo o que ela nunca seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não agüentava mais olhar. Saiu de sua esquina e começou a correr. Tentava se equilibrar do alto do salto, gritando alto. Por mais que quisesse, não seria uma mulher diferente. Sua vida era isso e pronto. Esse pensamento aumentava seu desespero, e ela gritava externando sua mais profunda dor. Como um último recurso, pediu a Deus que mudasse sua vida. Foi quando um baque ensurdecedor fez com que caísse ao chão diante do susto. Parecia um acidente de carro, mas maior que isso. Olhou para trás e viu seu local de trabalho a calçada da loja na esquina da Visconde com a Travessa, destruído por um ônibus. Ela já não chorava mais. Olhou surpresa para aquilo, com o rosto ainda úmido pelas lágrimas e o vento gelado batendo levemente em seus cabelos. Era Deus fazendo que sua vida mudasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela hoje trabalha numa boate do outro lado da rua, com férias e décimo terceiro. Tem clientes com carros caríssimos, ganha muito dinheiro, com o qual já colocou silicone, comprou roupas de marca, e agora viaja todo fim de ano, época em que o movimento não é lá grande coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2vPa0SGm7v0/STGKcL0AfmI/AAAAAAAAABY/P5p50Ecni8k/s320/Untitled-2+copy.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274148855439457890" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-2521101084174858757?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/2521101084174858757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=2521101084174858757&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2521101084174858757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2521101084174858757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/do-outro-lado-da-rua.html' title='Do outro lado da rua'/><author><name>Fábio Pupo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2vPa0SGm7v0/STGKcL0AfmI/AAAAAAAAABY/P5p50Ecni8k/s72-c/Untitled-2+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1293044809427540617</id><published>2008-11-27T06:34:00.000-08:00</published><updated>2008-11-27T06:35:14.526-08:00</updated><title type='text'>Jingle Bell</title><content type='html'>Não gosto de finais de ano – do pacote completo: Natal, Ano Novo, etc. Final de ano, inevitável, você sempre pára pra fazer o balanço e constata, também inevitavelmente, que tudo terminou no mesmo vinagre. Bate aquela depressão, aquela lassidão, aquela fraqueza de vontade. Daí dizemos num rompante que ano que vem, sim senhor, reescreveremos tudo. Reescrever é um vício de fim de ano. Conheço quem, inclusive, promete reescrever-se fabulosamente; emagrecer, dar mais atenção à família, à carreira, parar de fumar, de beber, tudo por ocasião de finais de ano. Eu não. Se tem uma coisa que eu preciso em finais de ano são cervejas, e em quantidades exageradamente boas. Por favor, pelo amor de deus, tenham a santa paciência, um homem que descobre que depois de doze meses tudo terminou no mesmo vinagre tem o inalienável direito de tomar um porre. Um porre para curar a ressaca do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até fico mais animadinho com isso, mas, terminantemente, não gosto de finais de ano. Justiça seja feita, detesto particularmente o Natal. Natal é chato. Chatíssimo. Nunca gostei, desde quando me conheço por gente – ou meio gente, meio mula, tal qual sou. Nem quando criança, na época em que ganhava bolas de futebol – que eu gostava – e carrinhos – que eu odiava e costumava deixar jogados numa grande caixa cheia de quinquilharias. Hoje, é claro, não ganho mais nem bolas de futebol, nem os terríveis carrinhos. Ganho meias. Talvez cuecas. Qual é a graça de ganhar meias? Nenhuma. Porém ganharei, é tradição. Meus pés estarão quentinhos, ao menos, mesmo que seja debaixo do sol de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar em pés quentinhos e, por extensão de sentido, corpos aquecidos, já começo a sentir o calor do “espírito natalino”, quase uma menopausa. Você, leitor desatento (faça-me o obséquio de prestar atenção, estou falando com você), vai dizer que sou rabugento, mas também não gosto de espíritos; eles me põem medo. Qual a diferença entre espíritos e fantasmas? Hm. Podemos então chamar de “fantasma natalino”? Podemos, acho. Vá lá. No fim das contas, tudo bem pesadinho, dá na mesma. Pois bem, ronda-me a casa agora o tal fantasma natalino. Vem anunciado naqueles panfletinhos que nos convidam para a novena de Natal do bairro. Está lá: “O espírito (fantasma, corrijo eu o panfleto) do Natal quer tocar seu coração”, ou algo tão criativo quanto. É o Menino Jesus que chega  para aliviar a consciência dos ricos que, filantrópicos um mês por ano, estão novamente prontos a começar a nos sacanear em janeiro, depois daquele belo porre de champanhe na virada. Fantasminha camarada, esse do Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que tenho contra o Natal: existe algo mais espalhafatoso que Papai Noel? Todo vestido de vermelho vivo (destaque para o gorro com pompom na ponta) e com aquela barba pouco higiênica. Bom velhinho, não. Para mim, com uma barba daquelas a ocultar-lhe toda a face, deve ser algum perigoso fugitivo da polícia tentando passar despercebido, entrando pela chaminé, melífluo, como um meliante, um fora-da-lei. Acusado, com razão, de exploração de menores, ao forçar os pobres diabos dos duendes a trabalhar o ano inteiro a fim de aprontar aquele monte de presentes – bolas de futebol, carrinhos e meias, que sobre outros apetrechos não posso falar com propriedade. E nós aqui, a empurrar as pobres criancinhas contra aquela barba áspera e incômoda. Sem a devida vigilância, qualquer dia ele ainda acaba por aliciar o filho de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal-amado! Azedo! Amargo! Ou qualquer outra coisa de gosto absurdamente ruim, acusa-me o leitor ainda desatento (mas será o Benedito?!) sem, no entanto, reparar na ceia. É pior. Muito pior.  Note-se: arroz com passas e frango - pra mim é frango, sim senhor - com aquelas esquisitices de molhos doces. Por favor, tenhamos a bondade, sim? Sou um sujeito simples. Só gosto de comida de pedreiro e fujo como diabo da cruz desses leviatãs gastronômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Aliás, falando nisso, numa dessas fugas natalinas, inclusive, já estatelei-me sobre a árvore de Natal, essa parafernália que costumam montar em dezembro para atrapalhar o trânsito em minúsculos apartamentos já de difícil fluxo. Coisa ridícula, geralmente elas contam com algodão para “simbolizar” a neve. Em outra ocasião, mais desastrada, ganhei uns pontos com Herodes, quando esbarrei no presépio e decapitei o Menino Jesus, sob o olhar acusador do Papa, que rezava me olhando de soslaio a Missa do Galo. Ah, bem lembrado: existe coisa mais insuportável do que a Missa do Galo?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, desculpo-me por esta croniqueta calhar aqui tão adiantadamente. Nem estamos ainda em dezembro, eu sei. Mas desabafo aqui e agora porque o shopping perto de minha casa já fez o obséquio de lembrar-me, com sua fachada lotada de luzinhas intermitentes, que em breve a cidade inteira estará parecendo uma penteadeira de puta, emperequitada como uma meretriz de meia idade. Suspiro. Paciência. Como um asceta, suportarei mais este Natal. Com o tempo, quem sabe, me acostume. Ano que vem, afinal de contas, tem outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1293044809427540617?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1293044809427540617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1293044809427540617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1293044809427540617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1293044809427540617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/jingle-bell.html' title='Jingle Bell'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-4293739443094857379</id><published>2008-11-26T11:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-26T12:30:51.432-08:00</updated><title type='text'>Doer.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O Cazuza que me perdoe, mas eu não quero a sorte de um amor tranqüilo; tampouco com sabor de fruta mordida. Se é tranqüilo, vira rotina. Se a fruta é mordida, já não é mais novidade. Me atrai o temor do desconhecido e, como já me disseram, eu gosto mais de sentir que do que de causar dor. É ela quem te faz acordar, te deixa alerta, porque você tem que fugir da dita-cuja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As feridas vão se abrindo ao contrário do desabrochar das flores; é algo mais corrosivo, incômodo, dá ânsia, angústia. Vão crescendo como galhos pontudos, sem direção, para todos os lados, crescendo finos, crescendo tortos, ocupando espaço, alcançando o céu. Sem folhas, só galhos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim vão se abrindo os buracos, carregados de botões de nada (que o nada é o que mais fere, que o tédio machuca mais que uma punhalada). E o medo, o medo de que um dia essa fome de vida acabe, que não exista mais tanto interesse por tudo quanto há no mundo que chega até a doer no peito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Será que todas essas pessoas que a gente vê na rua ou no ônibus vivem tanto assim? Sabem, viver tanto que chega até a dar vontade de morrer? Elas vivem, certo. Mas será que choram, se dóem, e riem, e sofrem, e correm, e amam amam amam, e não dormem nunca, nem por um segundo, e quando dormem têm sonhos intranqüilos, e se angustiam, e se maravilham, e dão abraços, e se emocionam com uma nadica de coisa, e caem caem caem, e têm pequenas vitórias, e têm pequenos enormes prazeres, e falam falam falam, e ficam quietas, e querem morrer, e querer arder, e querem viver, VIVER, e querem não sair da cama, e não se reconhecem no espelho, e imaginam tudo que poderiam ter sido, e sofrem até o peito não agüentar mais, e têm saudades, e bebem, e fumam, e se estragam, se acabam, se queimam queimam queimam até não sobrar quase nada, e têm raiva, e se contradizem, e querem mudar tudo, e ai! que preguiça, e pulam da cama, e escrevem freneticamente na madrugada de um domingo para segunda, poucos minutos antes de amanhecer, mas só querem escrever, soltar tudo, sangrar tudo, mesmo que seja um texto assim medíocre como esse, mas que carregue todo o peso do seu sangue, dos seus sonhos, de tudo que perderam e que amaram, de tudo o que suaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ser, minha alma, minha lama.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-4293739443094857379?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/4293739443094857379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=4293739443094857379&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4293739443094857379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4293739443094857379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/doer.html' title='Doer.'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-5379651050178852410</id><published>2008-11-25T18:06:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T18:10:54.990-08:00</updated><title type='text'>Os jogos de linguagem: uma percepção totalmente inadequada</title><content type='html'>Hoje eu não quero falar sobre um músico. Eu quero, na verdade, falar sobre o irmão de um músico. Ele próprio não era músico, mas até tocava clarinete e tinha o maldito ouvido absoluto (que me incomoda muito, demais, já que poder experimentar a sensação de ter o tal do ouvido absoluto é quase como poder assoviar e chupar cana ao mesmo tempo. Falando em assoviar, o indivíduo sobre o qual eu quero falar hoje decorava e assoviava partituras orquestrais inteiras, o que é um tanto bizarro quando você imagina uma criatura ao seu lado assoviando por mais de uma hora sem parar algo como a Nona Sinfonia, exatamente do jeito que é).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu irmão se chamava Paule (ou Paul, não sei ao certo, mas acho que Paule combina mais com a nacionalidade do rapaz), que foi um pianista bem famoso. Ele perdeu o braço direito na guerra, mas pra compensar ganhou peças de Ravel e Skriabin escritas especialmente para ele, para serem tocadas com a mão esquerda. Maravilha, assim vale a pena perder um braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, mas não é do Paule que eu quero falar. O nome do indivíduo ao qual me refiro é Ludwig Wittgenstein. Eu não poderia deixar de escrever sobre ele depois de fazer um semestre inteiro de optativa só sobre ele; ele ficou na minha cabeça. Principalmente porque essa optativa foi muito legal. Mas enfim, eu não vou conseguir escrever propriamente sobre tudo que eu quero escrever, porque o Sr. Wittgenstein é muito cativante, vocês deveriam conhecê-lo. Enfim, de qualquer jeito eu quero comentar um pouco sobre as besteiras que eu pensei enquanto lia os textos dele e assistia às aulas, mas que não pude colocar nos ensaios porque talvez fosse um pouco longe demais das expectativas do professor (e talvez uma grande perversão do que o Wittgenstein quis dizer).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrando no assunto de verdade. O Wittgenstein pensou sobre uma coisa chamada jogos de linguagem. É mais ou menos assim: tudo que você diz só pode ser entendido no contexto do momento em que você está dizendo essa coisa. E esse contexto diz respeito ao jogo que está sendo usado. Por exemplo, imagine alguém pronunciando a sentença “Ronnie Von”. Ela não faz sentido sozinha. Mas vamos supor que o Ronnie Von seja seu camarada, e você esteja chamando ele pra tomar uma cerveja, ou cantar pra sua mãe que tem uma tara irritante pelo indivíduo. Aí temos um possível jogo de linguagem. Ou então vamos supor que seu filho acabou de nascer. Aí você olha pra ele e, ao considerar que você não gostou, nem nunca vai gostar dele, olha para o ser e decide nomeá-lo do pior jeito possível. Aí você diz pro cara do cartório: Ronnie Von. Outro jogo de linguagem. Ou ainda, vamos supor que você esteja brincando de imitar alguém, e comece a cantar e se mexer estrambolicamente com a maior cara de gigolô possível, e eis que alguém exclama: Ronnie Von! Outro jogo de linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que deu pra entender. Você pode nomear, descrever, evocar, adivinhar, entre um monte de outras coisas. Uma frase, palavra ou qualquer coisa assim só faz sentido dependendo do jogo que você está jogando. E com isso, eu comecei a pensar nos inúmeros jogos de linguagem que a gente joga todo dia. É muito divertido parar pra pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo interessante que o Caetano (o professor da disciplina) mesmo deu: Mentir é um jogo de linguagem como qualquer outro. Certo. Então imagine uma criança aprendendo a mentir. Ela acredita que aprendeu muito bem as regras do jogo, mas pense numa criança mentindo. Ela acaba de quebrar o vaso em casa. E as únicas pessoas presentes no local são ela própria e a mãe dela. Aí a mãe olha furiosa pra criança, e eis que a pessoinha de três anos diz: “Não fui eu”. Mentira horrorosa, sim, mas a criança realmente acha que foi uma boa mentira. E sendo assim, você provavelmente nunca vai alcançar seus pais no jogo da mentira. Eles vêm jogando isso há pelo menos 25 anos a mais que você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu fiquei pensando: E se eu aprender a mentir de um jeito tão bom que pareça mesmo que eu estou jogando outro jogo, como o jogo de relatar algo? E talvez seja essa mesmo a definição do mentir por Wittgenstein, mas veja só como ele meio que explica pra gente como mentir mais efetivamente! É só pensar no jogo que está sendo jogado; aí, como você pretende mentir, é só inventar algo e fazer parecer que você está jogando o jogo em questão. O negócio é entender bem como são as regras em cada situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a gente estiver mesmo jogando o jogo do sarcasmo, mas não usar a entonação suficiente pra dar a entender que é esse o jogo? Dizer: “Esse seu novo tênis All Star com estampas de oncinha é muito bonito!”, quando na verdade o que você queria era dizer era: “Esse seu novo tênis All Star com estampas de oncinha é &lt;em&gt;muito bonito&lt;/em&gt;.”. Aí você estaria mentindo também, internamente. Você estaria rindo sozinho, pra você mesmo e ninguém mais saber. Acho que dá pra sacar bem o esquema do mentir lendo Wittgenstein. Convencer as pessoas que você está jogando um jogo específico, quando na verdade não está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a gente pode ainda perceber outra coisa com todo esse esquema dos jogos de linguagem: como é possível tirar certas frases de seu contexto original pra perverter totalmente o que foi dito inicialmente. Assim é muito fácil acabar com o significado de certas coisas, ou acabar até mesmo com certas pessoas. Exemplo. Você está conversando com o Ronaldo (piadas internas). Aí ele diz: “É, eu sou gay”, mas jogando de acordo com as regras do sarcasmo. É lógico que a primeira coisa que você vai fazer é não perder a oportunidade de ignorar esse contexto e começar a rir muito e gritar: “O Ronaldo admitiu que é gay!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E veja só quantas frases famosas você pode perverter só por tirá-las de contexto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que eu aprendi com Wittgenstein foi usar a expressão “com efeito” e a palavra “elucidação” nos trabalhos de faculdade. Esse cara é demais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda teria muito mais a escrever sobre os jogos de linguagem. Eles são muito divertidos, mas eu não quero escrever mais. Pra quem tiver a paciência: “Investigações Filosóficas”, de Ludwig Wittgenstein.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-5379651050178852410?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/5379651050178852410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=5379651050178852410&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5379651050178852410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5379651050178852410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/os-jogos-de-linguagem-uma-percepo.html' title='Os jogos de linguagem: uma percepção totalmente inadequada'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-8968710352064115641</id><published>2008-11-23T15:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T15:35:39.232-08:00</updated><title type='text'>Intervalo</title><content type='html'>Estive Leminskando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;eu queria tanto&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;ser um poeta maldito&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;a massa sofrendo&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;enquanto eu profundo medito&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;eu queria tanto&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;ser um poeta social&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;rosto queimado&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;pelo hálito das multidões&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;em vez&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;olha eu aqui&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;pondo sal&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;nesta sopa rala&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;que mal vai dar para dois &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;    &lt;span style="color:#000000;"&gt;  .&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;podem ficar com a realidade&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;esse baixo astral&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;em que tudo entra pelo cano&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;eu quero viver de verdade&lt;br /&gt;eu fico com o cinema americano &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-8968710352064115641?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/8968710352064115641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=8968710352064115641&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8968710352064115641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8968710352064115641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/intervalo.html' title='Intervalo'/><author><name>iasa monique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01508273672110239564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SxxV75JybDI/AAAAAAAAAmg/OmVBmHZYJXI/S220/iasablog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-5716411013316049515</id><published>2008-11-20T08:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T08:33:11.066-08:00</updated><title type='text'>Bares, botecos, botequins...</title><content type='html'>Eu sou botequeiro. Substantivo que, aliás, escrevo com a maior diligência, já que uma simples troca de sílabas seria de uma obscenidade fatal. Mas, sim, eu gosto de um bom boteco. Bom também é modo de dizer, já que pertenço àquela estirpe que acha de boteco bom é boteco ruim. Nada de muita de frescurada, nada de drinques de cores berrantes, de garçons asseados ou de comidas cujos nomes eu não consigo pronunciar. Como muito bem definiu o Antônio Prata em certo texto, a gente é meio intelectual, meio de esquerda, por isso a gente gosta mesmo é boteco ruim. Acrescentaria que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, vamos lá buscar um pouco de glamour pra esta vida; lá, na boca do lixo, às portas do inferno, lá onde o vento faz a curva. Cerveja gelada, um destilado vagabundo pra fazer o contrapeso, futebol na tevê de vinte polegadas e, sim!, já somos felizes; não é difícil fazer a gente feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, defendo a tese de que é no botequim da esquina que a democracia se realiza em sua plenitude. Em botecos, discute-se de tudo, da temperatura da cerveja ao aquecimento global, passando por política, futebol, crise financeira, cinema, literatura e, ô, Zé, esse aperitivo sai ou não sai? É um exemplo de democracia, reitero, já que todos na mesa têm o inalienável direito de desferir seus comentários precisos. A precisão, aliás, é uma característica das conversas de boteco, quase sempre tão precisas quanto um bêbado com mal de Parkinson. De minha parte, largo em vantagem, porque sou estudante de jornalismo e por dever profissional necessito de estar sempre pronto a dar uma opinião desabalizada sobre qualquer assunto que me solicitem. É difícil me pegar de calças curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Botequins, como se vê, são tablados para a disseminação do conhecimento humano. Tenho absoluta certeza que já tive muitas idéias geniais em mesas de bar, embora a possibilidade de lembrá-las no dia seguinte seja inversamente proporcional às doses de conhaque que vamos virando noite adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho meus botecos preferidos – três ou quatro – estrategicamente espalhados pelo centro da cidade e arredores, de modo a jamais – não importa onde eu esteja – ser pego desprevenido. Prevenir, já nos alertam desde muito, é melhor que remediar. Sem falar que ficar escolhendo botecos com amigos em caráter de urgência é quase sempre uma atividade desgastante; chegar a um acordo, nesses casos, é uma tarefa para gabaritados diplomatas. Melhor mesmo é sempre ter uma sugestão na ponta da língua, uma carta na manga. Se o Brasil é auto-suficiente em petróleo, eu sou auto-suficiente em botequins. O que importa é ter cerveja gelada – e barata, que esta crise financeira que paira sobre nossas cabeças, ao que tudo indica, não está pra brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro, lá na minha terra, do boteco do seu Luís Polaco, uma das maiores pocilgas que conheci na vida. Mas ficava perto da escola, o que nos dava uma boa desculpa para sumir de aulas de matemática, química e demais. Aulas de matemática, mesmo, de pouco nos serviam, porque cansamos de tentar ensinar matemática ao seu Luís, quando ele nos apresentava a conta do dia – sempre, digamos, supervalorizada. Então, se não se pode aplicar matemática nos botequins, de que diabos ela serve? De qualquer forma, adotamos aquele boteco. Era uma relação sentimental e não deixaríamos que algumas queixas materialistas afetassem isso. Lá, bebíamos cerveja, enquanto alguns velhos tomavam cachaça e jogavam baralho. E, bem, quase sempre saíamos de lá noite avançada, muito depois do horário do fim das aulas, arrumando desculpas para dar em casa. Uma errática confraria de bêbados que, na saída, espalhavam-se como contas de uma pulseira que arrebenta pelas ruas de calçamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, esforço-me por dar continuidade à tradição. Mantenho-me assíduo freqüentador de bares, botecos e botequins. Aliás, o que pretendem fazer hoje, pessoal?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-5716411013316049515?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/5716411013316049515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=5716411013316049515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5716411013316049515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5716411013316049515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/bares-botecos-botequins.html' title='Bares, botecos, botequins...'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-5649510600680304260</id><published>2008-11-18T20:39:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T20:45:51.185-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>cerveja gelada&lt;br /&gt;ou cerveja quente&lt;br /&gt;de mim me faça&lt;br /&gt;ficar diferente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-5649510600680304260?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/5649510600680304260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=5649510600680304260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5649510600680304260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5649510600680304260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/cerveja-gelada-ou-cerveja-quente-de-mim.html' title=''/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6956553006682021903</id><published>2008-11-17T19:21:00.001-08:00</published><updated>2008-11-17T19:21:33.864-08:00</updated><title type='text'>O lado esquerdo da cama</title><content type='html'>Ela sempre dorme do lado esquerdo da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ter sido um dia bom. Talvez aquele sol de fim de inverno tenha saído no exato segundo que aquele acorde daquela música que ela gosta soou, enquanto ela estava presa no trânsito indo para o trabalho. Isso me deixa feliz, por algum motivo que eu jamais soube, talvez a deixe também. Não sei. Faz tempo que a gente não se fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o dia tenha sido ruim. O esmalte de sua unha descascou enquanto lavava suas mãos. Isso pode ser bobo, eu sempre disse que era bobo. Mas ela realmente ficava sentida, quando a gente ainda conversava. Quando as pessoas ainda conversavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ela tenha visto algum velho amigo, quase trinta anos depois, na hora do almoço. Talvez ele tenha a reconhecido. Talvez eles tenham passado a tarde juntos. Talvez ela tenha me traído com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ela tenha até sorrido para ele. Não importa, ela sempre dorme do lado esquerdo da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como meu filho sempre dorme com as portas fechadas. Ele me disse ontem que teria um jogo de futebol na escola, torço para que ele tenha ganhado. Mas não sei se ele ganhou. Não me ocorreu perguntá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como não me ocorreu olhar seu rosto assim que cheguei em casa. Entender sua resposta quando lhe perguntei, sem prestar atenção, como tinha sido seu dia. A resposta é sempre a mesma, só a entonação muda. Mas eu não reparo mais nas entonações.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Ele não deve ter feito o gol da vitória. Não é um bom jogador, para começo de conversa, nunca demonstrou ser. Mas talvez tenha feito o passe para o gol. Um ou outro desarme importante, quem sabe. Talvez tenha ficado no banco, observando todos os seus amigos alcançarem aquela glória que os acompanhará nos dias bons e nos dias ruins para o resto de suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me ocorreu perguntá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre durmo à meia-noite. Não importa, todos os santos, deuses e demônios podem se reunir no meu banheiro, enquanto escovo os dentes antes de ir para a cama, e me implorarem de pés juntos para que ficasse mais quinze minutos acordado. Todo o poder do mundo em minhas mãos por apenas quinze, quinze minutos. Toda a glória, todo o ouro. Todos os sonhos, tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais quinze minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim eu diria não. Eu sei que vou acordar às seis e meia. E são essas seis horas e meia de sono que garantem oito horas de trabalho, uma hora de alimentação, duas horas no trânsito e um silêncio perpétuo enquanto vejo corpos se mexerem em uma TV muda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a vida que eu construí. Esse é o conforto que eu escolhi. Não sei mais o que poderia desejar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cachorro sempre late quando eu desço as escadas. Por isso eu tento ser o mais silencioso possível. Talvez eu tenha tomado uma dose a mais de café. Talvez eu tenha tomado um Valium a menos. Talvez o meu dia tenha sido tão ordinário quanto qualquer outro dia, talvez eu tenha ficado preso no trânsito na mesma rua, ouvindo a mesma música, pensando nas mesmas coisas, relembrando o mesmo passado, mas ainda assim eu cedi aos deuses, santos e demônios reunidos no banheiro. Sem nenhum motivo, apenas resolvi ficar acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quando o cachorro finalmente late, eu tento pensar o por quê dele fazer isso. Talvez eu esteja invadindo seu território. Talvez eu esteja invadindo o meu território. Talvez eu esteja fugindo do meu território.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ele só queira um pouco de atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café sempre está pronto para amanhã. Cafeteira cheia até a marcação oito. Quatro colheres de pó. Só apertar o botão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As chaves do carro estão no terceiro prego. O carro está na garagem. Isso significa que eu estou em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje eu desafiei os deuses, santos e demônios do meu banheiro. Desafiei a voz do meu cachorro, desafiei tudo o que construí. Saí a pé. Eram três da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendia exatamente o que estava acontecendo. Eram apenas meus pés se movendo pelo asfalto das ruas do condomínio. Pisando no granito falso das calçadas. As luzes fortes dos postes iluminavam este palco. As casas, todas iguais, estavam escuras. Um ou outro cachorro latia. Nenhum carro. Nenhuma viva alma. O vento frio de fim de inverno balançava as palmeiras falsas. A barra da calça do pijama era estraçalhada, passo a passo, pelos meus calcanhares inquietos. Nenhum carro. Nenhuma viva alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sabia para onde estava indo. E não sabia por que estava indo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto do lago, há um lote vazio. Talvez o melhor terreno de todos, mas por algum motivo, o dono nunca quis construir. Você nunca sabe o real motivo pelo qual as pessoas compram as coisas, talvez não exista nenhum sentido. Era um monte de capim cercado por uma grade de arame em três de suas extremidades. Na quarta, água, só água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei meus pés nos vãos da grade, segurei firme, e fiz algo que não fazia desde que era só mais um piá. Pular uma grade. Quebrar a barreira que nos define, que nos dá algum valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri pelo capim, me joguei no capim, brinquei na lama. Pulei no lago. Chutei a água, enfiei minha cabeça na água. Dei cambalhotas, plantei bananeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ri. Ri como há muito tempo não ria. Um riso tão forte, mas tão forte, que parecia até mesmo um choro. Não existia amanhã. Não existia hoje. Não existia o passado. Todas as memórias, boas e ruins, se apagavam como as luzes do condomínio à meia noite. Como meu corpo apagava toda meia noite. Toda esperança, todo desespero, todo medo. Tudo se perdia de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cachorros da vizinhança latiam. Eu latia. Berrava. Uivava para a lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima de tudo, ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com meu corpo sujo, caminhei pelo granito falso de volta para casa. No trajeto, cheguei a pensar sobre o dia de amanhã. O que diria a ela sobre estar tão sujo e molhado. Como acordaria às seis e meia. Mas nada disso importa. Nada disso importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei, meu carro estava na garagem. O cachorro latiu. A chave estava no terceiro prego. O café estava pronto para amanhã. A porta do quarto do meu filho estava fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela dormia do lado esquerdo da cama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6956553006682021903?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6956553006682021903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6956553006682021903&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6956553006682021903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6956553006682021903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/o-lado-esquerdo-da-cama.html' title='O lado esquerdo da cama'/><author><name>Chico Marés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03795712040759695041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-8996951234914135986</id><published>2008-11-15T10:59:00.000-08:00</published><updated>2008-11-15T11:06:44.486-08:00</updated><title type='text'>sem título</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SR8cb2YWrCI/AAAAAAAAAbU/RDRtg0FgEnQ/s1600-h/faixa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 58px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SR8cb2YWrCI/AAAAAAAAAbU/RDRtg0FgEnQ/s320/faixa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268961353826479138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CFLVIA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;caminho pela rua clara os olhos reclamam a claridade e o dia está a raiar mais azul que o normal e não há neblina e não há relógio mas sei que é manhã e que aurora se ergue impávida no firmamento que eu tanto amo e eu passo a entender um pouco e a calma toma conta do meu coração e eu olho para os pés que caminham e sinto-me parte de um mundo e o espelho reflete flores roxas e amarelas e crianças frescas e tudo parece tão fácil e doce e lindo e o sorriso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;noutra hora ainda não sei a hora mas sei que choverá é aquele cheiro Deus o aroma que só as gotas d’água têm em contato com a grama verde com o concreto da minha urbe quero me colocar em baixo das nuvens e quero que a chuva molhe meu coração, quero me afogar na precipitação o coração é precipitado o que fazer é primavera e as flores são roxas e amarelas e a chuva cai do céu todos os dias na mesma hora o céu fica preto e ela cai e lava todo o mundo e lava todas as almas é tempo de renovação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;e agora eu sei que é noite porque o céu está preto mas não como céu de chuva que já limpou tudo o que estava sob a terra deixando poças que refletem os fios de postes e as folhas de árvores mas é noite e o coração dela é quero sentir algo que não sei bem palavrear que é um ofício dolorido mas é um doer estranho mas não sei o que pensar nessa hora e chega a hora de desejar um mundo uma nuvem um espelho de gritar ao mundo que o coração é livre e que posso sentir o mundo à minha volta. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-8996951234914135986?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/8996951234914135986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=8996951234914135986&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8996951234914135986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8996951234914135986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/sem-ttulo.html' title='sem título'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SR8cb2YWrCI/AAAAAAAAAbU/RDRtg0FgEnQ/s72-c/faixa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-5254908703230998045</id><published>2008-11-13T19:47:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T19:49:21.863-08:00</updated><title type='text'>Fumando embaixo d'água</title><content type='html'>São mais ou menos duzentos e trinta passos do portão de meu prédio até a banca de jornal. Uma vez eu me dei ao trabalho de contar (me dou ao trabalho de fazer uma porção de coisas inúteis). Faço o trajeto sempre aos domingos, quando aquela peculiar languidez domingueira não insiste em agarrar-me pelos cabelos e me manter na cama. O senhor da banca é simpático e já mantemos uma relação que se não é de amizade é pelo menos de cordial transação financeira. Apanho o exemplar, entrego-lhe as moedas, trocam-se afagos de bom domingo, às vezes comenta-se um pouco a respeito do tempo. Dura dois ou três minutos, no máximo, até que eu decida volver para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumo comprar um jornal diferente por domingo, mas não tenho nenhum método. De qualquer forma, quietos na banca, todos parecem inofensivos. Exalam lassidão. Porém são enganosos. Mentirosos mesmo. Mentem deslavadamente. A bem da verdade, é preciso cuidado: ao abri-los, eles lhe lançarão ao colo o mundo, como uma bomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclui daí que o otimismo é uma arte a que só estão aptos aqueles que não lêem jornais. Olhos mais atentos – e talvez seja essa a única serventia que têm olhos atentos – sabem que o fim do mundo dá-se dia a dia, como numa hemorragia contida mas irremediável. O mundo não nos tolera. Repare: o gás de cozinha acabará sempre na hora do almoço de domingo; os cigarros, de madrugada; a luz irá extinguir-se no meio da final do campeonato – se não isso, alguém cruzará a frente do televisor na hora do gol; você fará a barba e se cortará, porque, por deus, jamais vai aprender mesmo a fazer isso; o computador terá uma pane justamente no fim do semestre da faculdade, aquele monte de trabalhos maçantes a entregar; a gasolina terminará no meio do nada, ou então na avenida mais movimentada da cidade; a febre lhe morderá no sábado do veraneio; choverá no dia da grande festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é injusto, ou talvez tenha um senso de justiça alienígena. Por isso, digo que não nos tolera. Daí que vive a rebelar-se. Parece estar sempre a dizer que, por todos os santos, que chateação, que estorvo isso de seres humanos. Mesmo quando sorri, mostra um sorriso de réptil. Répteis sorriem? Estou certo de que não. Mas caso sorrissem, seria exatamente assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é como fumar embaixo d'água.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-5254908703230998045?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/5254908703230998045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=5254908703230998045&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5254908703230998045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/5254908703230998045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/fumando-embaixo-dgua.html' title='Fumando embaixo d&apos;água'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6245137133361589995</id><published>2008-11-12T14:27:00.000-08:00</published><updated>2008-11-12T21:30:19.206-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SRu7EYNJceI/AAAAAAAAAJI/oe9T1l_yVy8/s1600-h/pic+004.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 249px; height: 379px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SRu7EYNJceI/AAAAAAAAAJI/oe9T1l_yVy8/s200/pic+004.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268009873031393762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(0, 0, 153);font-size:78%;" &gt;Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.&lt;br /&gt;Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,&lt;br /&gt;Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,&lt;br /&gt;Vejo os cães que também existem,&lt;br /&gt;E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,&lt;br /&gt;E tudo isto é estrangeiro, como tudo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SRu2-Lad6ZI/AAAAAAAAAJA/sym6qwtlLyY/s1600-h/pic+004.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;_____________________________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre do homem que está à minha frente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tão feio, tão vazio, tão sujo. Seus cabelos já são ralos, as entradas fundas e as estradas, muitas. Ele fala e ninguém presta atenção; quando não diz nada, não o respeitam. Suas roupas são gastas, seu linguajar é antiquado, ele ri sem dentes por pura vergonha. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pobre do homem que está à minha frente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele é bom, é educado, não mastiga de boca aberta só pelo prazer de irritar. Ele é tão carinhoso, tudo que faz é com empatia. Sempre faz sorrindo as coisas que peço chorando. Suas mãos são velhas e calejadas, de tantos amores, tantas enxadas, todas as noites em claro. Seu falar é brando, está sempre abaixo do meu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pobre do homem que está à minha frente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele é tão alto, tão imensamente enorme, ofusca todo o brilho da noite estrelada. Mas seus olhos estão voltados para cima, ele gosta de ver o céu, embora todo mundo só esteja olhando pra ele. E ele olhando pra cima. De tão alto, tem a cabeça no céu. E os pés no chão, bem fincados na terra vermelha. Terra da roça. Pés agora apertados em sapatos de couro com cadarços e meias novas. Ele fala das notícias do dia, e também de geografia, de causos, de passarinhos, fala de qualquer coisa do mundo. Quando fala; porque quase não diz, e quando abre a boca é mais para si que para os outros. E todo mundo só olhando pra ele. Diz, e seus pés continuam em sapatos de couro que nunca serão usados, ainda ansiando por terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;_____________________________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6245137133361589995?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6245137133361589995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6245137133361589995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6245137133361589995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6245137133361589995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/pobre-do-homem-que-est-minha-frente.html' title=''/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SRu7EYNJceI/AAAAAAAAAJI/oe9T1l_yVy8/s72-c/pic+004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-4431255824129590826</id><published>2008-11-11T11:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T11:26:39.244-08:00</updated><title type='text'>A Abujamra dos armários</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Hoje, 15h, uma multidão de milhares de olhos de pessoas olhando pra mim. Muitas, muitas pessoas com olhos e ouvidos também, acho que o equivalente à população da China, olhando para o palco enquanto a banda tocava atrás de mim e eu cantava algo como “olho, e não vejo nada” (e eu não via nada mesmo, mas também não estava olhando. Nos momentos em que levantei a cabeça, olhei acho que para a estante da partitura ou para o bumbo da bateria, ou ainda para a alça da guitarra o tempo todo). Para especificar a quantidade de pessoas prestando atenção em mim, imagine esta cena: Algo como o Frank Sinatra (ainda em vida) tocando de graça em um lugar enorme, um lugar com a área total da Amazônia, reservado só para shows. Nesse lugar o som chega a todos os cantos possíveis, toda a população da China ali presente está escutando e todos que querem ir até lá têm acesso liberado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim a minha apresentação de hoje à tarde. Tá bom, na verdade, a cena era um pouco diferente (confesso que eu aumentei tudo um tantinho só): Cantina da FAP, intervalo, 20 pessoas; metade delas, amigos que sempre me ouvem cantar, e a outra metade, pessoas que estavam ocupadas jogando truco ou beijando outra pessoa do mesmo sexo (meu filho, é da FAP que estou falando). Aliás, as pessoas que me acham estranha e/ou hipponga deveriam visitar a FAP. Eu sou um poço de sanidade e de normalidade perto das pessoas daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não menti no primeiro parágrafo. Eu me sentia exatamente daquele jeito, como se tivessem 25.000.000 pessoas olhando pra mim (bem mais que a população da China, acredito eu). É por isso que eu odeio subir no palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu espelho e os armários do meu quarto sabem o quanto legal, descolada e cool eu sou. Eles sinceramente acham que minha presença de palco é melhor que a do André Abujamra. Mas só eles mesmos podem tirar essas conclusões. Quando eu subo no palco que não é o palco imaginário, o maldito me faz parecer pior do que a Amy Winehouse trêbada, mas mamada mesmo, tentando afinar as notas das músicas que sempre canta e pedindo para o guitarrista da banda parar de tocar para apertar seu cinto (que não pára de cair, o inconveniente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu treinei todas as notas das músicas que iria cantar hoje, todas as notas mesmo, uma por uma, em slow motion e em tempo real. Coloquei as roupas flower power mais legais da minha mãe, que ela usava há uns 20 anos, e pensei: é hoje que eu me solto no palco. É hoje. É hoje meu pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, eu nunca me senti tão mal na vida. No meio da primeira música eu quis dar um berro e mandar a banda parar, para poder sair rolando do palco (o que, pensei, seria um espetáculo melhor do que me ver cantar com uma voz trêmula e sem gestos nenhum, a não ser uma balançada para o lado de vez em quando).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa não é a primeira vez que eu me sinto assim. Sempre quando vou cantar, digo pra mim mesma, “decididamente, essa foi minha pior apresentação até hoje, sem sombra de dúvidas. Cara, nunca me senti tão mal na vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem se eu vou só tocar. Quando eu toco, sinto que só 1.000.000 pessoas estão olhando pra mim e me julgando, dizendo “olha, ela errou aquela nota que deveria ser um mi bemol, e não um fá sustenido”. Mas quando eu canto, além de sentir que a população de cinco Chinas inteiras está me olhando e me julgando, eu me sinto uma Vera Fischer cantando (lembrando que a Vera Fischer, de tanto botox que colocou, não tem mais que uma expressão facial só). Que merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho conclusões para esse texto. Eu sempre prometo pra mim mesma que a próxima apresentação vai ser diferente, mas nunca é. Sempre pratico para os meus armários, e eles adoram, mas na hora de cantar para pessoas que não são armários, nunca dá certo. Algumas sempre chegam pra mim depois me parabenizando, mas eu nunca sei se é porque elas gostaram mesmo ou se é porque elas vêm dizer coisas bonitas pra me consolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dia eu marco um show nesse local hipotético em que o Frank Sinatra tocou. De repente, se eu imaginar que todos são armários e espelhos do meu quarto, eu consiga uma presença de palco melhor que a do João Gilberto.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-4431255824129590826?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/4431255824129590826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=4431255824129590826&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4431255824129590826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/4431255824129590826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/abujamra-dos-armrios.html' title='A Abujamra dos armários'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-528089087263863628</id><published>2008-11-09T16:23:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T16:29:56.081-08:00</updated><title type='text'>Maldito IV - O Ator</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SRd_Rg8RRxI/AAAAAAAAAcQ/BHcQKT7AJdY/s1600-h/franck.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266818228110313234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SRd_Rg8RRxI/AAAAAAAAAcQ/BHcQKT7AJdY/s320/franck.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspx?VP=XSpecific_MAG.PhotographerDetail_VPage&amp;amp;pid=2K7O3R14HDL9&amp;amp;nm=Martine"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Martine Franck&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;, Maquillage. &lt;a href="http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspx?VP=Mod_ViewBoxInsertion.ViewBoxInsertion_VPage&amp;amp;R=2S5RYD1CJFYG&amp;amp;RP=Mod_ViewBox.ViewBoxThumb_VPage&amp;amp;CT=Story&amp;amp;SP=Story"&gt;Pièce: Les Clowns. Théâtre du Soleil. Aubervilliers.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Minha vida era um palco iluminado&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;E eu vivia vestido de dourado&lt;br /&gt;Palhaço das perdidas ilusões&lt;br /&gt;Cheio dos guizos falsos da alegria&lt;br /&gt;Andei cantando minha fantasia&lt;br /&gt;Entre as palmas febris dos corações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Chão de Estrelas, Silvio Caldas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Treinei meu perfil para dores e alegrias. A voz, suportada pelo diafragma, atende sem esforço a velhinha surda da última fileira. Suo sem vergonha sob o holofote ácido que evidencia cada pêlo, cada pele, cada parte. Há muito tempo que não sou meu; há muito tempo que dei minh’alma às tragédias alheias, às dores dos outros, a espíritos febris e agoniados que precisavam um pouco mais do que o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caros senhores. Começo esse espetáculo com o aconchego de quem estrangula em público a própria alma. Nesse ato não existe quarta parede; nesse ato somos só eu e vocês. Que haveria de contar-lhes histórias bonitas, amores de princesa, tragédias de traição, enredos que trazem no fim uma bela moral. Não ofereço moral: não a tenho. Tenho apenas a crueza de uma vida banal, medíocre, vulgar, a crueza que vem de tempos em tempos, que quase não aparece, que não me é amiga. A crueza que adormece sob as cortinas de dramas históricos, de enredos memoráveis, de textos escritos por alguma outra crueza distante que sente falta dos dragões, assim como eu. Empresto o corpo, a alma, a voz e a essência a sentimentos que não me são: que são de outrem, sentimentos que vivem por si, distantes daquele de quem a escreveu, distante daquele que ouve. Faço deles o que bem entendo ou o que de mim é feito por eles. Ah, coração; que se puder será assim por toda a vida. A cada cortina, a cada espetáculo, uma nova entrega: um herói, um assassino, um pai amaldiçoado, um vilão, um palhaço, um simples narrador. A inconstância da vida me atrai desde os ossos. Uma trama fica em cartaz o tempo necessário para esgotar-se; então, acaba. Não há decadência, não há o enfadonho de seguir um diário que já não é feliz há muito tempo; não há a tristeza das coisas que se repetem no beco vazio de um quarto fechado. Há a maquilagem, a beleza de um rosto que não é meu, que não sou eu, mas que existe por causa de mim. Há o poder de bailar as páginas conforme a vontade e o instinto; de viver cada instante sabendo qual será o final; de controlar o momento de chorar, o momento de sorrir, o instante de maior ênfase, o intervalo cômico que precede o terceiro ato. Há a dualidade de tudo aquilo que tem dois gumes: há a iluminação, a trilha, o olhar hipnotizado da menina da primeira fila, há o figurino doce mas pesado. E há a escuridão! A cortina da coxia que fede a mofo; o silêncio aterrorizante do minuto antes de entrar em cena, a atriz sem figurino e maquiagem, a vela queimada, a vista do canto de poltronas vazias, aquilo que me mostra uma realidade que em meio a tanto mito me parece sempre a parte falsa. Não sou mais do real, não pertenço à verdade; que a risada de todos os dias é moldada pelo ângulo mais bonito, que o discurso e a conversa são sempre feitos em ordem, em rima, preparados para a platéia e nunca para mim. Que o segredo não existe; não pode ser dividido, não me permitem que guarde. Que o que é meu não me pertence mais. Mas que entrego de bom grado aos donos das palavras que precisam de um corpo que lhes dêem vida. É o papel triste, é a iluminação falha, é figuração da vida que alguém tem de fazer.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-528089087263863628?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/528089087263863628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=528089087263863628&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/528089087263863628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/528089087263863628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/maldito-iv-o-ator.html' title='Maldito IV - O Ator'/><author><name>iasa monique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01508273672110239564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SxxV75JybDI/AAAAAAAAAmg/OmVBmHZYJXI/S220/iasablog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SRd_Rg8RRxI/AAAAAAAAAcQ/BHcQKT7AJdY/s72-c/franck.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6353304758426317634</id><published>2008-11-08T23:20:00.000-08:00</published><updated>2008-11-08T23:27:12.444-08:00</updated><title type='text'>Taxonomia (ou cenas de Lisboa)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaQDVky1dI/AAAAAAAAAbM/_knzMPrdT8M/s1600-h/lisbon4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaQDVky1dI/AAAAAAAAAbM/_knzMPrdT8M/s320/lisbon4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266555201261852114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;varal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaP1SR3nFI/AAAAAAAAAbE/S2pKbUaC1GM/s1600-h/lisbon6.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 189px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaP1SR3nFI/AAAAAAAAAbE/S2pKbUaC1GM/s320/lisbon6.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266554959858998354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;lambreta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaPivHDlBI/AAAAAAAAAas/QCYUm36uHvM/s1600-h/lisbon3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaPh6IHZPI/AAAAAAAAAac/R1pvJ7QhsoQ/s320/lisbon1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266554626958124274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;marasmo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaPjfQiLmI/AAAAAAAAAa8/kmmd2DFD6IE/s1600-h/lisbon5.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 213px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaPjfQiLmI/AAAAAAAAAa8/kmmd2DFD6IE/s320/lisbon5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266554654105415266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: trebuchet ms;"&gt;rosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6353304758426317634?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6353304758426317634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6353304758426317634&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6353304758426317634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6353304758426317634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/taxonomia-ou-cenas-de-lisboa.html' title='Taxonomia (ou cenas de Lisboa)'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SRaQDVky1dI/AAAAAAAAAbM/_knzMPrdT8M/s72-c/lisbon4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-8992756778404046234</id><published>2008-11-07T15:46:00.000-08:00</published><updated>2008-11-07T15:51:16.062-08:00</updated><title type='text'>fim sem graça</title><content type='html'>Peço desculpas pelas poucas postagens, mas quero dizer que náo será hoje que o texto trará belas reflexões, ou belas palavras, ou figuras de linguagem cuidadosamente encaixadas. Nada disso. Só quero falar de uma coisa engraçada, ou até triste dependendo do ponto de vista, que aconteceu, e só isso por hoje.  Lá vamos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram horas a olhar. Pra onde ela fosse, eu ia junto, só pra ficar observando. E quando não estava junto, eu ficava pensando como seria bom ficar com ela o tempo todo. Arranjei um jeito de falar com ela. Daí logo vieram as risadas, as brincadeiras, os tapinhas no braço, os convites pra sair, e tal como duas pessoas românticas, um cinema. E daí veio o refrigerante dividido, daí veio a conversa ao pé do ouvido, daí o beijo úmido no pescoço, daí já viu. Em casa, vimos um filme pela metade, nos divertimos à exaustão, e ficamos deitados a ouvir música. Foi buscar um copo d'água. Quando voltou ao quarto, olhei a silhueta quase perfeita. Veio até mim e eu pensei 'olha só o que eu tenho nas mãos', até ela começar a me beijar. Não tinha notado com tanta ênfase antes, mas aquele beijo era muito bom. Minha nossa, como ela beijava bem. Mas beijava bem demais. Aquela língua não tinha aprendido aquilo comigo. Tentei amenizar os movimentos, mas ela queria continuar. Eu tentei ir mais devagar, juro que tentei, mas ela não me deixava parar. E aquilo ia se movimentando, molhada daquele jeito, tão prazerosamente, mas tão vulgar, e eu comecei a pensar por quantas pessoas aquilo poderia já ter passado, quantas mãos já tinham pegado naquele corpo, quanta experiência já deveria ter absorvido para chegar naquele nível de conhecimento, e eu comecei a achar aquilo repugnante, asqueroso, nojento, até que eu desprendi repentinamente minha boca da dela, e apliquei em seu delicado rosto um tapa. Ela parou e olhou para mim com a face corada no lado do tapa. Eu, sem poder explicar qualquer coisa, disse 'desculpa', ainda supreso comigo mesmo. A coisa continuou sabe-se lá como, para acabar sem emoção num outro dia qualquer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-8992756778404046234?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/8992756778404046234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=8992756778404046234&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8992756778404046234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8992756778404046234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/fim-sem-graa.html' title='fim sem graça'/><author><name>Fábio Pupo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1856188727749998872</id><published>2008-11-06T08:14:00.000-08:00</published><updated>2008-11-06T08:15:03.422-08:00</updated><title type='text'>O Estado e os cigarros</title><content type='html'>Em última instância, a pátria é uma instituição abstrata, quase sempre despropositada. A idéia fica mais clara quando analisamos países continentais como Brasil, ou a África, com suas fronteiras feitas à régua. A pátria é quase sempre algo artificial, plástico, unificado à força, desconsiderando particularidades regionais. Acima dela paira o Estado, regulador, responsável por mantê-la sem maiores atrapalhos  – numa mão o diapasão, na outra o monopólio da força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que serve o Estado? Simplificando bastante, é aquele que tanto bate quanto assopra para que nós – sociedade, povo – não causemos maiores problemas à estabilidade do país. A política é uma arte de previsibilidade, quase um exercício de futurologia – eis a questão. Mas até onde pode ir o Estado? Isso já é mais complexo. O tema não é de forma alguma novo e já foi explorado absurdamente pelo cinema e pela literatura – 1984, de Orwell, talvez seja o mais perfeito exemplo; tão perfeito que virou inclusive um clichê.  Está tudo lá: o controle absoluto dos indivíduos, de seu trabalho, de seu lazer; o duplipensar; o monopólio do Estado sobre a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está o ponto, e nem ao menos é um ponto distópico. Todas as religiões monoteístas condenam desde sempre o suicídio, com o discurso de que ele é o único pecado sem perdão; o Estado dito laico absorveu a idéia, ilustrada na proibição da eutanásia. É a eterna dificuldade do homem em aceitar a finitude da condição humana, agora cambiada em instituições. A tevê, na sua ânsia de agradar ao todo, nos fulmina com programas sobre como viver mais e melhor (?) - uma taça de vinho por dia e chegue aos 80 anos; duas bananas e a vitalidade da pele, etc. Tudo desemboca na mentalidade atual de que todos precisamos ser saudáveis. Mentalidade que acode ao desejo primal do homem de longevidade e também à necessidade do Estado por força de trabalho e eventual contingente militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso da auto-ajuda, a meu ver, também tem a ver com isso. Uma tentativa boba de transcender para cristalizar uma vida efêmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a vilania do cigarro hoje, que é mais uma escolha deliberada de alvo fácil do que necessariamente de mensuração de males. No mundo moderno, o cigarro é apenas um num universo de “malfeitores”: comida industrializada, stress, poluição. O movimento do Estado é lento, porém. Por isso a necessidade de enxergá-lo em perspectiva. Do cerco ao cigarro podemos perfeitamente chegar ao cerco à carne vermelha. É uma questão perfeitamente racional, em relação ao cerceamento das liberdades individuais, a atitude primeira dos totalitarismos – Estado forte, centralizado, um pastor de carneiros submissos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O – mau? - hábito de fumar deixou de ser glamouroso. Ninguém mais se sente charmoso com um cigarro entre os dedos. Cada vez mais o fumante é vítima de preconceito. Um preconceito ingênuo, que desconsidera toda a miríade da vida moderna, e que vem de todos os lados – família, trabalho, etc. Desconsidera também o fato de que viver envolve certa margem de risco e que abrir mão da liberdade em prol da “segurança” é uma afronta aos ideais que tanto defendemos nos últimos três ou quatro séculos. Ao contrário de glamour, podemos ver no cigarro atualmente muito mais um gesto de rebelião, daqueles que querem ter algum direito sobre a própria vida – e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, é claro: ele também é o maior ansiolítico já inventado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1856188727749998872?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1856188727749998872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1856188727749998872&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1856188727749998872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1856188727749998872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/o-estado-e-os-cigarros.html' title='O Estado e os cigarros'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-2248532124726751273</id><published>2008-11-05T17:50:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T18:14:31.556-08:00</updated><title type='text'>Sobre pedras e sons</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SRJQu41bvCI/AAAAAAAAAI4/zksFkMlxR8Q/s1600-h/392045_stonese.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 121px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SRJQu41bvCI/AAAAAAAAAI4/zksFkMlxR8Q/s200/392045_stonese.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265359680810236962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- yeah.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Há alguns anos atrás, não me lembro exatamente quando, eu estava faminta por música. Queria conhecer mais, sair da mesmice, ver o que havia de diferente no mundo. Não fui atrás de conhecer a CDteca dos meus pais (que era um coisa assim impressionante e assustadora, centenas de CDs de música brasileira dos mais diversos estilos) por pura rebelião juvenil. Eu não precisava de MPB, mas de rock. Rock dos bão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então lembrei de um amigo meu. Ele é uma daquelas pessoas queridas que a vida leva pra tão longe que até o mundo cibernético é incapaz de suportar a distância. E aquele safado sabia de música... Enfim, estava conversando com meu amigo e pedi a ele que me apresentasse a alguns sons legais. Ele respondeu que não. "Não. Você precisa conhecer por você mesma. Tem que bater aquele &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;feeling&lt;/span&gt; de &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;do it yourself&lt;/span&gt;, de procurar, ver o que você gosta e o que não gosta... Seja independente, essa é toda a grandeza do mundo". Depois não se conteve. Disse: "Tá, mas pra começar, você TEM que ouvir uma música. Incrível. Chama-se &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Gimme Shelter&lt;/span&gt; e é dos Stones". E me mandou a dita-cuja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Oh, a storm is threat'ning&lt;br /&gt;My very life today&lt;br /&gt;If I don't get some shelter&lt;br /&gt;Oh yeah, I'm gonna fade away&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tipo UAU. Daí ouvi de novo. E de novo. E de novo. Depois li a letra. E foi como uma revolução no meu pequenino coração. Era tudo aquilo que eu precisava: um bando de caras loucos, suados, descabelados, falando verdades em meio a berros e solos de guitarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;War, children, it's just a shot away&lt;br /&gt;It's just a shot away&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I tell you love, sister, it's just a kiss away&lt;br /&gt;It's just a kiss away&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A guerra está a um tiro de distância. O amor está a um beijo de distância", meu amigo me disse. E não é que é? É sim. Me lembrei de uma conversa que havia tido algum tempo antes com outro amigo. Nós concordamos que começar a amar uma pessoa é uma coisa muito fácil. É só ficar olhando, admirando seus detalhes, se impressionando com cada coisinha que ela fizer, fazer um esforço para ela se tornar extremamente interessante. Pronto. Você está interessado nela. A partir daí o bicho pega. Mas isso não interessa. A coisa é que a distância que separa a indiferença do amor é um beijo; a paz da guerra é um tiro; o estranho do normal é o uso; o bom do ruim é o tempo; o cara normal do grandioso é a morte. E assim vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi o começo da minha jornada musical. Poderia ter voltado mais o relógio, para contar do grande salto que eu dei aos 10, 11 anos, quando decidi que iria gostar de Hanson (heh) porque eles, pelo menos, cantavam, compunham e tocavam as próprias músicas. Decidi, naquele momento, alguns fatores básicos que determinavam a chamada 'música boa'. Mas foi depois de Gimme Shelter que eu descobri o rock clássico. Pink Floyd, Led Zeppelin, Bob Dylan, Janis Joplin. E esses dinossauros me levaram à todas as outras coisas que eu antes nem imaginava que existiam: a psicodelia dos mutantes, a bossa nova super-minimalista, o chico, o brilho brega dos anos 80, os garotos sujos do grunge, o rock dançante do começo dos anos 2000, e a mistureba que é hoje. Samba-rock, &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;jazz 'n roll&lt;/span&gt;, tango eletrônico e outras maluquices a parte que fazem o mundo ficar mais bonito. E tudo começou com um &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;riff&lt;/span&gt; pirado dos Stones.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-2248532124726751273?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/2248532124726751273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=2248532124726751273&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2248532124726751273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2248532124726751273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/sobre-pedras-e-sons.html' title='Sobre pedras e sons'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SRJQu41bvCI/AAAAAAAAAI4/zksFkMlxR8Q/s72-c/392045_stonese.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-7802773373717102561</id><published>2008-11-04T12:27:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T15:27:05.164-08:00</updated><title type='text'>Um viva à média aritmética</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Estar contente nada tem do encanto de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de uma batalha contra a tentação, nem de uma derrota fatal pela paixão ou pela dúvida. A felicidade nunca é grandiosa [...] A felicidade é uma soberana exigente – especialmente a felicidade dos outros”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aldous Houxley, Admirável Mundo Novo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O problema com todos está em uma coisa: tentar ser criança por toda a vida quando só se é criança quando se é criança. Quando se é criança realmente, as coisas são novas, coloridas, brilhantes, pululantes, narcotizantes. Tudo está ao alcance das mãos. Ninguém é sozinho, o mundo é completo. Não há problemas, e se há algum problema, desanda-se a chorar. Não há controle dos sentimentos, não há aceitação daquilo que reprime. Se algo é reprimido, pronto, lá vem mais choro. Claro, os responsáveis por reprimir certos atos são os pais. Mas eu não quero entrar nessa questão. Deixemos ela para todos os psicólogos e afins do universo (principalmente porque essa questão me interessa tanto quanto saber quem foi que inventou os óculos de plástico que são também um canudo para tomar refrigerante).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No momento em que as pessoas crescem, elas aprendem a reprimir um bando de coisas. Aprendem que não podem ter tudo, eu diria até que elas chegam a crescer um pouco. Mas algo que ninguém abandona é a vontade de ser feliz sempre e de nunca estar sozinho, o que é parte, creio eu, da vida infantil. Todos querem ser felizes como uma criança. Todos querem ter o peito limpo como um recém nascido (me desculpem pelo 'todos'. Obviamente sei que não são todos, mas se eu colocasse a expressão 'muita gente' eu talvez não conseguiria o impacto dramático desejado).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ouço milhares de hipócritas dizerem “ felicidade não faz romance”. Mas todos eles querem estar alegres, com um belo pirulito daqueles gigantes na mão e um bonézinho azul, brincando no parquinho. Talvez nenhum deles saiba lidar com e aceitar uma real situação de aperto, desespero, agonia, dúvida. Não que uma pessoazinha como eu consiga efetivamente lidar com isso (e aqui é importante lembrar que não cabe nesse (con)texto explicar em que nível de hipocrisia eu me encaixo. Na verdade, eu só quero reclamar. Me deixem reclamar).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As pessoas definitivamente não sabem estar sozinhas. Elas têm medo da solidão, da tristeza. Mas eu fiz uma descoberta esses dias (minha primeira!): a gente não cresce pra ser feliz. Se fosse assim, o mundo ia ser 'algo pontacabeça'. As pessoas nasceriam velhas e terminariam como crianças, começariam murchas como o Robert Plant está agora e terminariam felizes como um recém nascido que encontra à sua frente um mundo totalmente novo (eu não lembro da experiência. Mas Carlos Castaneda jura que já conseguiu tal façanha).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Caramba, é tão simples. A gente cresce pra deixar de ser ingênuo, pra aceitar coisas que seriam insuportáveis para uma criança. A gente cresce pra aprender a ser sozinho e descobrir as coisas sem depender de ninguém berrando ordens ao seu ouvido. E quando a gente descobre as coisas sem ninguém, descobre também que não é possível a felicidade perene. A gente descobre que está sozinho e ao mesmo tempo que há tristeza na solidão, e que a solidão é parte da vida. Quando a gente está só, descobre que a agonia é parte da vida, que o aperto no peito e a sensação de se estar perdido é parte da vida. E a felicidade é só uma parte da vida também, veja só. Alegria é um momentozinho. E a gente fica acreditando que tem que estar alegre o tempo todo porque já foi criança. A gente vive pra tentar fazer daquilo que devia ser um momentozinho algo perene.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Crescer é algo interessante. Não se sentir mais uma criança é mais interessante ainda. Dizer “me deixe ficar triste, eu não preciso sorrir hoje” é a coisa mais legal que eu poderia pensar ouvir de alguém. Quando você está triste, é porque há algo na tristeza. Você vai simplesmente ignorar esse algo e forçar um momento de felicidade? Você vai chorar como um bebê? Ou vai chorar como um adulto deveria? Ou ainda, você vai se forçar a permanecer rodeado de pessoas quando na verdade deveria estar sozinho?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E ainda tem outra coisa, outra coisa que eu acho muito estranha: tem pessoas que aceitam a tristeza mas que pensam nela como uma forma de auto-destruição. O sujeitinho diz pra si mesmo, “vou aceitar a tristeza”. Na outra manhã você encontra o pobre coitado jogado em qualquer sarjeta, estuprado, sem fígado, com roupas sujas (se ainda tiver sobrado alguma roupa), sem comer, sem dentes porque parou de escová-los por seis meses (como ele fez isso, sendo que decidiu ser triste ontem, eu não sei) e ainda por cima orgulhoso de si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Caramba, eu acho o conceito bastante simples. Você aprende a ser triste, mas não aprende a ser só triste. Não aprende a ser um triste kamikaze. Não faz da tristeza um orgulho. Eu simplesmente odeio quando as pessoas decidem levar tudo ao extremo. “Vou só ser triste. Ai, ai... Como eu gosto da dor!”. Aí a gente já esbarra em um paródoxo, porque dor é dor, não é pra você ficar feliz com a dor. Acredito que você só tem que perceber que nem tudo são só flores e nem tudo são só espinhos (lugares comuns, o que seria de nós sem eles?). E tentar entender o que aquele momento ou triste ou feliz tem a te dizer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quem leu o Admirável Mundo Novo sabe o motivo de eu estar escrevendo tudo isso. E eu só estou enchendo o saco das pessoas com esse texto presunçoso porque eu li e fiquei pensando muito nessas coisas. E eu gostei dos pensamentos que tive. Aí estão eles para todos os 10 leitores assíduos de nosso blog. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-7802773373717102561?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/7802773373717102561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=7802773373717102561&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7802773373717102561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7802773373717102561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/um-viva-mdia-aritmtica.html' title='Um viva à média aritmética'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6416312188629543766</id><published>2008-11-03T20:52:00.000-08:00</published><updated>2008-11-03T20:54:40.950-08:00</updated><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>Hoje eu queria escrever sobre a minha esperança. Às vezes ela é uma espécie de Eldorado. Um Éden sem um Deus para te dizer não. Um campeonato em que você não pode perder, mas ainda assim pode se emocionar. Um filme que nunca acaba, apenas te prende, e te prende, e te prende até um ponto em que você não pode se desvencilhar, deixa de ser uma vida e se torna um sorriso tenso. Apenas um sorriso tenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes ela é um porto. Uma vila pacata no meio do mar, distante de tudo o que importa, mas ainda assim mais aprazível que o convés de um navio cheio de piratas bêbados vomitando, cantando e dançando como se cada segundo fosse o único instante de suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu queria escrever sobre os meus planos. Eles são sempre maiores que eu. Maiores do que eu jamais deveria ousar sonhar. Mas a cada dia eu vejo que eles ficam menores. E menores. E menores. Mas ainda sou feliz por jamais planejado qualquer coisa exeqüível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu queria escrever sobre as pessoas que eu amo. Como eu as machuco, quase todo dia, quase que deliberadamente. Como eu me inflo de tanta raiva e paixão que eu grito todas as palavras que nenhum ser humano deveria pensar, como eu me esgoto de tanto amor a ponto de odiá-las, como elas me machucam com todas as suas garras até o ponto em que eu me sinto um nada. Um inseto tentando esticar seus braços para alcançar seus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas às vezes, dentro de um carro depois de um almoço de domingo, na cozinha de casa depois de uma viagem, tomando um café para espantar o sono, algumas palavras sem sentido, conversas sobre nada, sobre passados que já não interessam a ninguém, sobre futuros que jamais devem se concretizar, sobre qual é a melhor rua para cruzar o Bigorrilho em um determinado horário em um determinado dia da semana, toda a dor, toda a angústia, toda a frustração de se amar incondicionalmente alguém, seja de qual forma for, se dissipa no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cada vez que eu penso nas pessoas que eu amo, eu lembro que toda a esperança e todos os planos que eu tenho são incompatíveis com qualquer forma de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu queria escrever sobre um choro bobo. Aquele choro sem sentido, que às vezes aparece nos meus olhos quando eu ouço um disco qualquer, vejo um filme qualquer, lembro de alguma besteira qualquer. Um choro que justifica passar madrugadas acordado. Um choro que justifica beber mais uma lata de cerveja, sozinho, no escuro. Um choro que justifica até escrever bobagens, de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não quero escrever sobre mim mesmo. Eu detesto escrever sobre mim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6416312188629543766?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6416312188629543766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6416312188629543766&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6416312188629543766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6416312188629543766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>Chico Marés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03795712040759695041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-7287300314384147983</id><published>2008-11-02T13:42:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T13:50:48.214-08:00</updated><title type='text'>maldito III - A Mãe</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SQ4gTydBj7I/AAAAAAAAAcA/COQqx1KYz5E/s1600-h/bischof.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264180538775801778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SQ4gTydBj7I/AAAAAAAAAcA/COQqx1KYz5E/s320/bischof.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspx?VP=XSpecific_MAG.PhotographerDetail_VPage&amp;amp;pid=2K7O3R14WSNQ&amp;amp;nm=Werner"&gt;Werner Bischof&lt;/a&gt;, India.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt; 1951&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;quando, seu moço, nasceu meu rebento&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Não era o momento dele rebentar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;já foi nascendo com cara de fome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;e eu não tinha nem nome prá lhe dar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;como fui levando&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;não sei lhe explicar&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;fui assim levando&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;ele a me levar&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;O Meu Guri, Chico Buarque&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A mão, nunca levantei; a mão, o cinto, o fio de luz. Esse intenso que me dói tão fundo foi sempre tão mais forte do que a raiva, do que a decepção, do que a dor. Eu e todas aquelas como eu nos munimos do paradoxo divino de conviver a dor e a alegria, e da desgraça de guardar no peito tanta coisa que ninguém nunca soube nomear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que sou feita não sei dizer. Abro os olhos e respiro a agonia de me saber o mais humilde dos seres humanos; aquele que menos sabe, aquele que menos diz. Entre remédios improvisados e convencimentos de mim a mim mesma, não sei dar nome a metade daquilo que me aperta o peito. A culpa é minha, única responsável: como poderia alguém nomear o que não sente? Ah, que se pudesse pedir, pediria só uma coisa, uma só, longe de mim debulhar-me em pedidos e tristezas, que se nasci mulher nasci pré-fadada a tais tormentas. Pediria e isso sim, a calmaria de um rio translúcido, tão opostamente distinto ao meu coração. Que não me dói quando me bate, não me dóem as palavras amargas e dilacerantes, não me dói a vergonha frente a outros que tem os seus mais bem arrumados e sucedidos, não me dói tanto a mentira, a traição, a indiferença, a violência praticada, o desalento, o desconsolo, o desatino. Ou, se dói, quem sou eu pra reclamar; se me vi acorrentada, algemada, retorcida no momento em que dividi-me em dois, em que arranquei de mim toda a parte boa, a parte pura, a parte digna, e que a tive engolida pelo mundo sem que nem tivesse oferecido, e o mundo estendeu os braços feios sujos e verdes e levou consigo a minha parte melhor e assim largou-me à tortura de assistir aos poucos ao corrompimento de tudo aquilo que era eu e que não é mais. Assim, dei-me à desgraça: a desgraça de não saber doer, de absorver a dor e a amargura em uma esponja vermelha e pulsante, e que de lá vá tudo sabe-de lá para onde, que tenho outras preocupações nessa vida além de choramingar. Tenho ainda de dar de comer, tenho de costurar os cortes, de limpar as carnes, tenho de fazer ninar, de me oferecer o peito todo aberto àquele mesmo montro das mãos sujas quatro vezes por dia, se não mais, tenho ainda de tomar cuidado com os carros, com os vírus, com cadarços; tenho de esquentar a sopa, o colchão e o desespero. Tenho de engolir pregos quando me perguntam porque é que o fiz, que não o tinham me pedido; quando passo a ser responsável por tudo, porque é minha obrigação aguentar; quando sou velha, resmungona, quando não mereço atenção, quando envergonho, diminúo, quando sou feia, dou trabalho, exijo tempo, quando não me importa o peito mas a carteira, quando não valho a pena, simplesmente. E na madrugada seguinte, de olheiras e coração em boca, a esperar passos que me acalmem o peito condenando finalmente a volta saudável de alguém que sou ou fui, quando me levanto e sei que vou a dar de cara, mais uma vez, com um mundo inteiro verde e sujo cujos dentes estão à minha porta e a língua ácida entrando pelo quarto daquilo que já fui, me apego às panelas, às facas, aos isqueiros, àquilo que tiver a mão e sigo, rumo ao mundo, me valendo daquilo que tenho e que não tenho, do peito, das vozes, do estômago, aos gritos e com força, atravancando o caminho de qualquer que seja a ameaça que pode ser que faça doer a parte separada de mim, mesmo essa parte às minhas costas, a me espetar e me puxar pelos cabelos ansiando entregar-se ao monstro, que chama de jeitos tão sedutores mas que eu, por instinto, desconfio e não posse convidar a entrar. E apunhalada pelas costas eu sigo ali, fazendo dos pés raízes fortes que sustentem, à frente, o mundo. Mas por isso não posso reclamar, ora essa, não por isso, porque esse é meu fardo e é a isso que sou. Que se pudesse pedir, pediria uma coisa só, pediria a calmaria de coisas que continuem a ser como são, e que se tiver de doer, que doa; porque é assim que se combate o perigo e é assim que se respira o amor, mesmo escondido, mesmo um amor arredio, que não me vai voltar a mim: sou provedora e não cabe a mim me renegar ao posto. Se sou mãe de filho, sou mãe de todo o resto das coisas que existem, de todas as coisas que existem, porque não há ainda nada nesse mundo que se tenha feito imune pelo que sobrou das partes arrancadas.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-7287300314384147983?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/7287300314384147983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=7287300314384147983&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7287300314384147983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7287300314384147983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/maldito-iii-me.html' title='maldito III - A Mãe'/><author><name>iasa monique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01508273672110239564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SxxV75JybDI/AAAAAAAAAmg/OmVBmHZYJXI/S220/iasablog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SQ4gTydBj7I/AAAAAAAAAcA/COQqx1KYz5E/s72-c/bischof.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-3878300605807518419</id><published>2008-11-01T21:33:00.000-07:00</published><updated>2008-11-01T22:26:47.513-07:00</updated><title type='text'>Pequena crônica para o dia 2 de novembro</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Dia desses, meu tio Helinho decidiu que era hora de mostrar a seus filhos, Julio e Jaime, o lugar onde nossa doce tia Jane foi enterrada. Achou que os meninos estavam prontos para entender essas coisas de enterro, morte, cemitério sem ficarem tão abalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou os dois para o cemitério de Santo Amaro e, estando no Recife, obviamente fazia sol. “Ô calor da gota!”, nada propício para uma daquelas cenas clichês de enterro dos filme: centenas de guarda-chuvas pretos se aglomeram em meio a gotas e lágrimas torrenciais. Tio Helinho fez tudo como manda o figurino: comprou flores, rezou com os meninos, contou-lhes direitinho o que tinha acontecido e começou a explicar tudo sobre o cerimonial de um enterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criança é bicho curioso, e esses meus primos são dois moleques ligados no 220. Depois de toda a explicação do pai, começaram a interrogá-lo incessantemente e colocaram em suas cabecinhas que queriam-porque-queriam ver como era um enterro. “Ahh painho! Bora ver um!” Meu tio, imagino que calmamente, explicou que não era bem assim, que não se pode seguir qualquer enterro. Usou de todos os argumentos, mas eles não se convenceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de toda essa argumentação de pai e filhos, veio chegando uma pequena multidão, acompanhando um enterro. Não teve jeito: os três tiveram que segui-lo. Tio Helinho não podia se sentir mais estranho:  “Onde já se viu minino! Seguir enterro dos outros!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Julio e Jaime observavam tudo minuciosamente, meu tio se põs a observar também. “Ôxe.... eu conheço aquele homem...”. Quanto mais olhava as pessoas, mais conhecidos ele identificava. “Oxente... qué isso? Quem morreu, meu Deus?”. Aconteceu, então, o que ele temia, um homem trajando preto olhou para ele, condescendente, encostou a mão em seu ombro e proferiu as mais inesperadas palavras: “Meus Pêsames...”. Pronto. “Eita, to ficando abestalhado!?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o choque, ele descobriu que era o enterro de sua tia-avó, tia de meu avô, bastante distante. E meu avô não pôde ir até a cerimônia o que dificultou ainda mais a descoberta do mistério, não fosse pelas mentes curiosas de Jaiminho e Julinho... “Bora lá, painho...”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-3878300605807518419?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/3878300605807518419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=3878300605807518419&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/3878300605807518419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/3878300605807518419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/11/pequena-crnica-para-o-dia-2-de-novembro.html' title='Pequena crônica para o dia 2 de novembro'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-839471652281886857</id><published>2008-10-29T18:35:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T18:49:03.351-07:00</updated><title type='text'>Vai e diz, diz assim</title><content type='html'>-- A gente bem que podia estar em um daqueles rios americanos, que têm a água parada e um monte de graminhas crescendo na borda, e a gente ia ter que navegar em um daqueles barcos com ventiladores gigantes, sabe, aqueles que são todos abertos e só tem aquela grande hélice atrás que serve como motor. Sabe? Aqueles filmes americanos que passam na sessão da tarde, que você nem sabe se eles são mesmo dos EUA ou do Canadá ou da Inglaterra porque são todos dublados. Mas não são daqui, porque as crianças são todas loiras e vermelhas, o pai é heróico e a mãe morreu, então a família conhece uma mulher super legal e descolada, que provavelmente é a guia turística. Ela é bonita e bem boba, está solteira e acaba virando a mãe das crianças. Mas então, a gente tá no barco, e tá calor. A gente limpa o suor da testa com lenços de linho bordado, usamos calças cáqui e camisetas de algodão. Também tem que ter um chapéu de palha, não de vaqueiro, tem que ser daqueles estilosos, com uma aba grande na frente e um lencinho amarrado no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Você deve saber do que eu tô falando. A gente tá lá. E vai ter um jacaré. Um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crocodile&lt;/span&gt;, bem americano. Vem com a bocona aberta assim, porque isso sempre acontece nos filmes americanos. Tipo um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crocodilo dundie&lt;/span&gt;. É, não aquele cara, mas um bichão mesmo. Ele come os animaizinhos que vão tomar água na borda. E então você pode me salvar. Se você tivesse fora do barco, viria nadando pela correnteza, lutando com outros jacarés. Eu ia falar que você viria em um cipó, mas daí ficaria muito fora da realidade... Não, você tem que estar dentro do barco, e nos salvar só no último minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu não seria a mulher legal e solteira, eu nem sou assim, sou bem mais complexa, mais complexada até. Acho que eu nem ia estar no filme. Mas tô contando a história, então me deixa. Você me salvaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tá, eu sei que não. Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei? Eu sei lá. Bem que podia. Pô, não te custa nada. Já te deixei como o pai herói. Você nem é herói. Tá mais é pra um desses caras normais que ficam por aí, se ferrando o dia inteiro. Não sei porque te acho herói. Nem me salvar você salvaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E você sabe que não precisa gostar de mim pra fazer um ato heróico. Seria bem mais bonito se fosse ao contrário: você nem gosta de mim, me despreza até, mas vai lá e não me deixa morrer. Heróis de verdade são assim. Porque é muito fácil não deixar morrer aquelas pessoas que a gente ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Você podia gostar de mim. Podia, não podia? Pô, o que custa? Pelo menos enquanto a gente tá navegando pelo Mississipi. Ou sei lá que outros rios têm nos Estados Unidos, no Canadá ou na Inglaterra. E que outros rios são infestados de crocodilos? Não pode ser no Nilo, porque eu nunca vi um filme egípcio. Cleópatra não conta. Moisés é de lá, né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Por que você não gosta de mim?! Você tem que gostar de mim! E isso não depende de rios, jacarés, chapéus de palha e nem de suor secado com panos de linho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fala pelo menos alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Oi? Você está falando comigo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-839471652281886857?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/839471652281886857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=839471652281886857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/839471652281886857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/839471652281886857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/vai-e-diz-diz-assim.html' title='Vai e diz, diz assim'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-2341299919840189713</id><published>2008-10-27T20:24:00.001-07:00</published><updated>2008-10-27T20:24:44.164-07:00</updated><title type='text'>Pão com ovo</title><content type='html'>O cara que inventou o pão com ovo merecia o prêmio Nobel. Eu proporia fechar todas as categorias numa só e propor um prêmio Nobel combo para homenagear esse sujeito, afinal, ele é infinitamente melhor que todos os escritores, médicos, pacifistas, economistas e cientistas em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico imaginando como ele criou essa porra. O sujeito chega em casa esfomeado, depois de ter passado a noite no Luzitano economizando no pão com bife pra tomar mais uma Antarctica, abre a geladeira e vê um ovo. Uma porra duma buceta dum caralho de um ovo. Dá uma girada 360 com a cabeça e vê que tem um pão em cima da mesa. Vê uma frigideira. “Porra, mano, será que isso dá liga?” Voi-lá, pau no rabo de todos os Alex Atala do mundo, o cara promoveu bêbado o que é provavelmente a maior revolução da história da gastronomia mundial desde que algum homem das cavernas descobriu que morder os outros bichos gordos da savana era mais massa que comer folha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pão com ovo virou a base da minha alimentação. Estou pensando até em escrever uma tese em nutrição sobre como essa iguaria é um revigorante sem igual. Tem que acordar cedo para trabalhar? Come um pão com ovo que em cinco minutos tu tá mais elétrico que o Popeye de pau duro. Chegou em casa quase morto de tanto trabalhar e ainda precisa editar oito textos para daqui a meia hora? Pão com ovo e você edita até texto em wingdings com um sorriso no rosto. E não é que nem café, que você toma e se sente acordado, mas meio aéreo, meio distante de qualquer forma de concentração. Pão com ovo te deixa vivo, todos os raciocínios no lugar, tudo perfeito. É, definitivamente, o melhor energético do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que alguém fala que não sabe cozinhar diz que não sabe nem fritar um ovo. Percebe-se, só por essa frase, que o cara não sabe cozinhar. Fritar ovo é tenso. Primeiro, você nunca sabe quanto óleo jogar na frigideira. Eu sempre botava uma quantidade e achava que estava exagerando. Até que um dia meu pai apareceu na cozinha enquanto eu preparava meu pão com ovo e se propôs a fritar o ovo pra mim. Como eu sempre acho que as coisas são melhores se elas são feitas com o esforço alheio, não hesitei em deixar o velho pilotar o fogão. Ele virou a garrafa de óleo dentro da frigideira de um jeito que eu até dei um pulo para trás. Achei que o velho queria fritar um mamute. Desde esse dia eu aprendi que se você soca a frigideira de óleo, o troço fica bem melhor, mais bonito, e fácil de fritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois tem toda a questão do quebrar o ovo. É aquele medo de esporrar o ovo pela cozinha inteira. Você pega uma xícara, dá uma batidinha e não vai nada. Você tenta de novo, e nem arranha o ovo. Daí você bate com a mesma força, a casca quebra e você tem que jogar a porra toda dentro da frigideira para não perder todo o conteúdo. Isso morrendo de medo de espirrar óleo na tua cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí chega a hora de virar o ovo. Eu, pessoalmente, acho que não devem existir mais do que três coisas melhores do que gema mole. Levando em conta que mulher, cerveja, café e cigarro são quatro coisas, dá para se imaginar que eu considero gema mole pra caralho. Não é melhor que mulher, mas briga de macho com o resto da turma. Mas é muito foda você virar o ovo e conseguir manter a gema mole. Eu nunca consigo, sempre tento, mas nunca consigo. Vou tentar virar, o ovo gruda no fundo na panela, tento fazer com mais força, a gema escorrega e se mistura com a clara e puta que pariu a gema tá escorrendo por toda a frigideira fodeu nada mais de gema mole caralho espátula filha da puta da porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas beleza, eu me resigno. Ovo frito é sempre bom, mesmo com a gema dura e espalhada. Abro o pão, boto o ovo no pão, e, mesmo com todas as dificuldades, mesmo com todos os percalços, me sinto um homem orgulhoso e feliz por poder comer um pão com ovo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-2341299919840189713?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/2341299919840189713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=2341299919840189713&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2341299919840189713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2341299919840189713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/po-com-ovo.html' title='Pão com ovo'/><author><name>Chico Marés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03795712040759695041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-2949887676220261234</id><published>2008-10-25T12:23:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T12:28:32.200-07:00</updated><title type='text'>Rosa Abandonada (ou uma ficção antiga)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CFLVIA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Palatino Linotype"; 	panose-1:2 4 5 2 5 5 5 3 3 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-536870009 1073741843 0 0 415 0;} @font-face 	{font-family:Garamond; 	panose-1:2 2 4 4 3 3 1 1 8 3; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:647 0 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;N&lt;/span&gt;o chão do quarto, uma miríade de recortes, fotografias, pedaços de papel, cartas antigas, correspondências secretas (aquelas que nunca chegam aos seus destinatários). Os olhos refletem amores antigos, receios, tranças da infância, displicências já passadas, uma inconstância adolescente. Nostalgia é a palavra que enche o coração e os olhos de lágrimas. Num papel amassado, encontra as seguintes palavras que a fazem lembrar de tanta coisa perdida, mas lhe trazem à boca o sorriso:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“- Ela me deixou, sem mais explicações, sem mais entendimento, simplesmente me deixou. Nenhum bilhete e nenhum adeus, só sobrou-me uma rosa vermelha. O galho, escuro, corroído e retorcido. Na melancolia da flor, desabrochado, o botão rubro, com seus tons acobreados, e curvas espirais de pétalas dantes firmes e frágeis. A rosa rejeitada, renegada e esquecida dentro de minha alma.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;- Sempre fui calada, atos pensados e repensados, natureza reflexiva. Horas a meditar razões e conseqüências. Talvez eu seja apreensiva demais. Preciso saber dos detalhes de tudo o que faço. Estou numa fase incerta, não sei onde essas curvas sinuosas vão chegar. Tudo o que serei em um futuro próximo está envolto por uma densa bruma, uma dubiedade paira em minha alma. E eu que sou assim, acabei destinada a fazer escolhas sem questionar o porquê.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;- Ela é magnífica. Coração lindo, beleza esplendorosa. Cuidou de mim como ninguém o havia feito. Dedicou a mim muitos de seus momentos, superou e agüentou meus pesares. Estava sempre pronta para compreender minhas inseguranças e me confortar. E eu, que sou inquieto, não consegui entender esta dedicação. Minha alma arruinou toda a paixão, todo o amor que ela tinha por mim. Levou-a embora de minha vida, e me deixou somente com a rosa na mão. Imagino que Ela não me queira ver nunca mais. Sua alma carinhosa assustou-se.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;- A paixão tende sempre a ser arrebatadora. O que eu sentia por ele era amor. Em minha vida, não cabe este sentimento. Tenho tendência ao afastamento, meu coração é melhor vazio, pois me perturbo com o amor, com a idéia de proteção. Meu corpo só se adequa a paixões arrebatadoras. Elas vêm e vão como as ondas batem na praia. Uma força enorme alcança as areias e se escuta um grande estrondo, a água escura e densa, então, chega na areia, dissipa-se, descolore. A espuma antes branca, límpida e fresca, desaparece.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;- Nós dois tínhamos em comum a indignação com o mundo. Dávamo-nos bem sozinhos. Nossa vida virava uma só e esquecia do resto do mundo. Conversávamos durante horas sobre a vida. Essa vida que nos fazia tão felizes e tão tristes. As indagações sobre nossos grandes mistérios. Quem nos visse, não entenderia nossa felicidade. Porém, se nos olhássemos no espelho, poderíamos ver dentro dos olhos um do outro, a realização de ambas as almas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;- Às vezes, não entendo meus próprios pensamentos. Vivo em várias freqüências diferentes. Minha personalidade oscila como as marés. Posso viver ser como o ser mais amável do mundo, e meu brilho irá encostar por onde eu passar, e as pessoas poderão pensar em como sou maravilhosa e bondosa. Mas há dias em que meu coração encontra-se em estado de letargia. Não consigo transmitir qualquer forma de sentimento. Também, em alguns períodos, entristeço e acredito ser o pior dos seres. Sinto uma tristeza infinita, minha alma em pedaços. Sinto vontade de cometer loucuras totalmente contra meus princípios. De repente sinto desejo de ir embora e não mais ver quem vejo todos os dias, quem me ama, para não mais me deparar comigo mesma. Foi o que fiz com ele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span&gt;                - Esses meus sentimentos, imagino serem normais em todas as pessoas abandonadas. Mas uma confusão se coloca em minha mente quando enxergo o quanto todos são bravos, fortes, inabaláveis. É praticamente impossível que as pessoas sejam assim quando se encontram sozinhas somente com seus corações. E é isso que me atormenta. Será que no mundo, existem pessoas que mesmo nos momentos mais infelizes não chorem, quando sozinhas em seus quartos. No silêncio da madrugada não há ninguém com quem elas possam dividir seus segredos mais profundos.Será então que Ela jamais chore por mim? Não há mais como descobrir... E eu me sinto tão mal, eu e a rosa, flor do amor despedaçado.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Uma ficção inspirada em As Ondas de Virgínia Woolf&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-2949887676220261234?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/2949887676220261234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=2949887676220261234&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2949887676220261234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2949887676220261234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/rosa-abandonada-ou-uma-fico-antiga.html' title='Rosa Abandonada (ou uma ficção antiga)'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-357855037710035156</id><published>2008-10-23T07:53:00.000-07:00</published><updated>2008-10-23T07:59:23.414-07:00</updated><title type='text'>Uma melodia de sangue</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K1lHWt-f5sY/SQCQaQdS8VI/AAAAAAAAACY/VC0fZviZW-8/s1600-h/s%C3%A9timo_selo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 235px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_K1lHWt-f5sY/SQCQaQdS8VI/AAAAAAAAACY/VC0fZviZW-8/s320/s%C3%A9timo_selo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260363145537581394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia de perto; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte do mundo, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apocalipse, 6;7-8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O violão soava como um lamento, um murmúrio dolorido de desassossego. Pelo ar parado, o som perambulava, triste, lânguido, fraco de vontade. Dona Lúcia cruzou a mercearia arrastando os chinelos, e serviu mais uma rodada de cachaça aos que jogavam caxeta nos fundos, ocultos na frouxidão da penumbra. Os sinos da igreja a repicar anunciavam as seis horas, e ela pensou que em breve o lugar estaria cheio, os homens que encerravam o trabalho na olaria ao lado acomodariam-se nas mesas ou no balcão e beberiam cachaça e cerveja, à espera de que ambas lhes viajassem pelos músculos e trouxessem algum alento ao corpo fatigado. Estacou em frente ao velho, para pedir se ele desejava algo. Por de trás do bigode grisalho alourado pelo fumo, ele sorriu, revelando um dente de ouro e recusando a garrafa que Dona Lúcia trazia nas mãos. Indicou o copo que há uma hora jazia a seu lado, ainda pela metade. Então, fez apenas baixar a cabeça e voltar a cutucar o violão, as cordas a vibrar numa melancolia torturante.&lt;br /&gt; No fim de tarde melífluo, o tempo tornara-se uma dimensão grevista, e recusava sua obrigação primeira, o ofício de simplesmente passar. Nem ao menos as copas das árvores estavam dispostas a incomodar-se; na falta de brisa, eram frondosas estátuas sob o sol que agora mirava o ocaso, e lançavam compridas sombras que cobriam de um lado a outro a rua de chão batido. Dona Lúcia apoiou os cotovelos sobre o balcão e ficou a ouvir o velho. A melancolia do violão era tanta que ela sentiu por ele um afeto triste. Dona Lúcia reconhecia, embora não tivesse consciência disso, a dignidade da tristeza, que é diferente da aflição, posto que não reivindica amparo. A tristeza, sim, reconhecia seu valor, o valor desse incurável amor por algo que já não nos pode dispensar o mesmo apego; a tristeza perpétua, resignada, que não exige coisa alguma, apenas não ser molestada – sim, ela era digna. Um modesto sorriso tangeu-lhe o rosto. Reparou, então, que a fronte do violão estava cravejada de bijuterias a formar um nome – Joaquim.&lt;br /&gt; “Joaquim?”, disse a meia-voz, como que a perguntar àquele forasteiro se era assim que deveria chamá-lo.&lt;br /&gt; O velho entendeu tudo de súbito, mas não deu-se ao trabalho de levantar os olhos para responder. Com o rosto escondido pela aba do chapéu, falou com a voz calma e rouca, uma voz sem pressa ou direção, como se estivesse na verdade a falar para si mesmo:&lt;br /&gt; “Não... era de meu filho...”&lt;br /&gt; Era como se quem estivesse a falar fosse o violão. A voz mansa e triste entrou cautelosa pelos ouvidos de Dona Lúcia e, parecendo já conhecer o caminho, foi direto sussurrar-lhe ao coração. Era o falar terno de uma assombração que não metia medo. &lt;br /&gt; “E o que é feito dele?”, tornou a querer saber dona Lúcia.&lt;br /&gt; “Morreu de tiro... atiraram nele.”&lt;br /&gt; Não havia raiva ou rancor – apenas uma tristeza árida. Dona Lúcia pensou entender: o velho viera à procura de paz, fugido do passado; o passado – poderia ter pensado ela – esse tempo que se recusa a aceitar a idade avançada e, portanto, faz-se sempre presente.&lt;br /&gt; “Nunca vi o senhor por estas bandas. Foi por isso que veio pra cá?”&lt;br /&gt; “Sim. Cheguei ontem”, respondeu o velho, o violão lamentoso apoiado sobre as pernas cruzadas.&lt;br /&gt; “Deve ser duro, perder um filho assim”, assentiu dona Lúcia. “Faz tempo que sucedeu?”&lt;br /&gt; “Um ano.”&lt;br /&gt; “A gente se acostuma. Eu também perdi uma filha, há quatro anos. Não foi de tiro, mas perdi. Os vivos precisam continuar levando.”&lt;br /&gt; O velho não respondeu, e dona Lúcia achou por bem deixá-lo em paz com seu pranto seco, um pranto cujas lágrimas eram notas tristes, comedidas, expelidas por um violão. Saiu do balcão e foi atender aos trabalhadores que agora já começavam a encher a mercearia. Mais mesas de jogo passavam a se formar. Os homens pareciam taciturnos, traziam o sobrolho carregado por um estranho pressentimento, como se aquela melodia de desespero medido que o velho tocava estivesse a trazer algo, um mau agouro, uma desgraça da qual lhes seria impossível escapar. Maneca, um jovem robusto de cabelos de fogo cortados à moda militar e olhos azuis severos, irritou-se:&lt;br /&gt; “Ei, velho, é sexta-feira! Há alguma maneira de fazê-lo parar?”&lt;br /&gt; O velho nada disse. Apenas levantou-se calmamente, deixou de lado o violão e começou a dirigir-se para mesa de Maneca, o meio copo de cachaça em uma das mãos, passos lentos mas jamais vacilantes. Era realmente velho, e a camisa aberta até a metade mostrava um peito ossudo. No rosto, as rugas e marcas do tempo haviam se acentuado ao ponto de se transformarem em vincos profundos, pregas. Uma papada seca pendia-lhe da garganta, como se não pertencesse a ele, como se tivesse sido fundida à goela. Sim, era realmente velho, franzino, mas o andar decidido e resoluto mostrava que havia algo mais naquele pequeno feixe de ossos, músculos e nervos.&lt;br /&gt; “Há um lugar para mim na caxeta de vocês?”, perguntou ele, ao alcançar a mesa.&lt;br /&gt; “Quer jogar com a gente, senhor?”, respondeu perguntando, cortesmente, um homem moreno, forte como um touro.&lt;br /&gt; “Bem, creio que um jogador a mais não lhes fará mal, fará?”, rebateu o velho.&lt;br /&gt; “Aqui, nós jogamos a sério, vovô”, advertiu Maneca.&lt;br /&gt; “Compreendo”, disse o velho. “Não tencionava brincar mesmo.” Puxou uma cadeira e acomodou-se. Bebeu um gole da cachaça, esfregou as mãos e ficou à espera das cartas.&lt;br /&gt; O lusco-fusco instaurava-se. Fora, conforme a escuridão descia, as janelas de casas modestas passavam a iluminar-se dos dois lados da estrada. A luz fraca e cambiante dos postes de iluminação também surgia, tímida, constrangida, quase a pedir desculpas por estar ali e poder fazer tão pouco. O silêncio agora era quebrado pelos pardais, que em alvoroço começavam a instalar-se para pernoitar nas árvores. Dona Lúcia percorreu novamente as mesas da mercearia, servindo mais cachaça. O velho aceitou, mas ao contrário dos outros, que engoliram tudo de um trago, passou a bebericar o copo.&lt;br /&gt; “Acho que estou velho demais para vocês”, comentou, rindo-se.&lt;br /&gt; A caxeta começou, e o velho mostrou-se um jogador desgraçado; não tinha nem mesmo uma mísera idéia do que fazia. Os homens, no entanto, pilharam-no com cautela. Não por filantropia, é sabido, mas por acreditarem que aquele forasteiro poderia render-lhes mais se pudessem mantê-lo disposto para futuros jogos.&lt;br /&gt; “O senhor vem da onde?”, quis saber a certa altura Maneca, que despontava como líder do grupo.&lt;br /&gt; “Mato Grosso”, disse o velho.&lt;br /&gt; “Lá é terra de dinheiro. Terra que tá começando agora. Veio fazer o que no interior do Paraná, neste fim-de-mundo? Olha que esse lugar aqui não dá mais nada, hein?”&lt;br /&gt; “Estou velho demais para dinheiro”, explicou o velho. “Na minha idade... vim para um lugar onde possa morrer em paz.”&lt;br /&gt; “De fato”, disse um homem louro e precocemente calvo, um alemão de pele avermelhada. “E se há um lugar onde há paz para se morrer, é aqui”. Riu do próprio comentário, no que foi acompanhado por alguns, mas não pelo velho.&lt;br /&gt; “Mas o que é que causa tanto barulho em Mato Grosso?”, perguntou Maneca, jogando o dinheiro daquela rodada sobre a mesa.&lt;br /&gt; O velho apertou um cigarro de palha entre os dentes e acompanhou-o, também jogando na mesa uma amassada e encardida nota de dinheiro. Resmungou:&lt;br /&gt; “Aquilo lá é terra de malvadeza, terra de pistoleiro. Vira-e-mexe matam um.”&lt;br /&gt; Maneca concordou com um leve aceno de cabeça. Pareceu perturbado. O lamento do violão dera lugar às conversas nas mesas de jogo, mas a melodia ainda parecia estar lá, camuflada, fazendo das tripas coração para conter um gemido.&lt;br /&gt; “Não sei como pode, um lugar onde se mata um ser vivente assim, sem mais nem menos”, continuou o velho. “Aquilo lá é terra de gente sem coração.”&lt;br /&gt; Acenou para o balcão e pediu mais uma dose de cachaça. O alemão, que estava à sua frente, fez um aceno de cabeça, indicando que havia 'batido'.&lt;br /&gt; “E o que o senhor faz? Digo, como pretende viver por aqui? Na sua idade, não acho que consiga trabalho na olaria...”&lt;br /&gt; Era Maneca, subitamente muito interessado por aquele homem – sessenta? Talvez setenta anos, calculou.&lt;br /&gt; “Não sei”, respondeu o velho. “Mas não vai ser de baralho.” Sorriu. “Nem por muito tempo.”&lt;br /&gt; Levantou-se da mesa, impassível diante das perdas; apanhou o violão e foi ao balcão. A luz mortiça da mercearia agora engalfinhava-se na porta com a escuridão da noite, defendendo sua jurisdição – aquela, porém, parecia ser uma batalha há muito perdida. O violão recomeçou seu murmúrio lamentoso.&lt;br /&gt; A mesa de jogo de Maneca se desfez. Os homens chegaram junto ao balcão, próximos ao velho, como se a melancolia daquela canção tivesse algo de mesmerizante, de insuportavelmente atraente.&lt;br /&gt; “Sabe, o senhor é um homem bem tristonho”, comentou Maneca, um sorriso modesto contorcendo a boca de lábios grossos e incrivelmente vermelhos.&lt;br /&gt; “Você também seria, se tivesse matado alguém”, assentiu o velho.&lt;br /&gt; “Você já matou um homem, velho?”, perguntou Maneca.&lt;br /&gt; “Não.”&lt;br /&gt; Maneca franziu o sobrolho, numa expressão de estranhamento à resposta - conversa mais sem pé nem cabeça.&lt;br /&gt; “De qualquer forma, acredite, eu sei como é”, disse por fim.&lt;br /&gt; “Eu acredito em você”, respondeu o velho.&lt;br /&gt; Pela primeira vez na noite, ergueu o rosto completamente e encarou Maneca. Antes que o ruivo forte pudesse ter certeza de a quem pertencia aquela cara levemente familiar, os olhos muito verdes do velho flamejaram. Num gesto rápido, ele levou uma mão às costas e cravou na garganta do ruivo uma grande faca disforme. O ruivo cambaleou, soltou um ruído de desespero, gorgolejou afogando-se no próprio sangue. A mercearia tinha agora poucas pessoas, que demoraram algum tempo para entender o sucedido; dona Lúcia soltou um grito de horror. Maneca caiu junto ao balcão, os olhos vidrados de terror fitando o rosto daquele que o degolara. O velho mostrou àqueles olhos de vidro o violão onde estava inscrito o nome do filho.&lt;br /&gt; “Joaquim era um bom filho”, arrematou.&lt;br /&gt; Ninguém jamais soube seu nome. Viveu ainda por dois ou três minutos, o tempo que os companheiros de Maneca precisaram para extingui-lo a socos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-357855037710035156?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/357855037710035156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=357855037710035156&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/357855037710035156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/357855037710035156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/uma-melodia-de-sangue.html' title='Uma melodia de sangue'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K1lHWt-f5sY/SQCQaQdS8VI/AAAAAAAAACY/VC0fZviZW-8/s72-c/s%C3%A9timo_selo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-2830257484316830651</id><published>2008-10-22T21:04:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T21:11:32.395-07:00</updated><title type='text'>Eu vejo tudo enquadrado</title><content type='html'>Remoto controle. Bem remoto. Por mais que eu tente observar as coisas com um certo distanciamento, não me envolver demais, percebo que aí está o grande desafio (principalmente considerando a profissão que escolhi): a verdade é que eu amo demais as pessoas. Não o amor caridoso que é aquilo de amar para gostar mais de si próprio; não, é ao contrário, é amar sem querer amar. É odiar amar, mas continuar amando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo a todos, muito e apaixonadamente. Amo as pessoas que andam de ônibus e enconstam a cabeça no vidro para descansar; amo as crianças que comem algodão doce usando as máscaras de Bob Esponja que vêm na embalagem; amo os velhinhos que cheiram a armário e ficam sentados em uma pracinha o dia inteiro, a observar o movimento; amo tudo aquilo que me dá medo, que é essa vida normal e cotidiana que todos nós vivemos. É, realmente, uma relação de amor e ódio. Como apreciar essas coisas tão medíocres? Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei explicar. Só sei que amo. Os bêbados e sua constante vergonha; os pobres e sua revolta; os frentistas dos postos que trabalham de madrugada; os atendentes de telemarketing; todos os malditos que a Iasa conta. Tanto amo que sinto vontade de beijar cada um deles, a sua dor pungente, de lhes dar a mão e mais o braço, e beijar-lhes também os pés, que são abençoados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pode ser um problema ao Jornalismo, para mim me parece uma solução. Sendo jornalista, falo com as pessoas. Elas ainda têm a esperança de se valer da imprensa quando nada mais funciona - governo, polícia, o escambau. Dá para perceber a importância do jornalismo social em pequenos gestos. Ontem, na TV, uma senhora ligou porque assistiu a uma reportagem sobre pessoas que começam a trabalhar depois dos 60 anos. Me perguntou o que fazer para conseguir um emprego. Eu lhe passei o contato da agência do trabalhador. Sua voz se iluminou. 'Será mesmo que eu conseguiria uma vaga?'. 'Com certeza!', eu lhe disse, com toda a alegria que pude passar, apesar de sentir pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Vai ser a melhor coisa, vou sair de casa, ver gente. Sei que tenho o dom para ser vendedora', ela disse. A senhora perdeu seu marido, sua mãe e um neto de onze anos em pouco mais de um mês. Entrou em depressão e pouco saía de casa. Mora sozinha. Quando assistiu ao jornal, decidiu que tinha que mudar. Entusiasmada com o seu entusiasmo, passei pra ela também o telefone do Sesc, disse que lá tem bons cursos para passar o tempo. Ela ia anotando tudo. Por fim, perguntou meu nome e pediu que Deus me abençoasse. Eu desejei em dobro. Foi aí que se perdeu o elo do atendimento burocrático que nos foi imposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas sofrem e nada mais cruel que ouví-las prontas a responder com algo pronto. Não. É preciso fazer o máximo para entendê-las. Daí, qualquer história pode virar a matéria mais fantástica. Isso é realismo fantástico dos bons. E não é que o mais maravilhoso da vida é essa dualidade entre o amor e o mais profundo enfado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[escrito em total fluxo de consciência]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-2830257484316830651?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/2830257484316830651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=2830257484316830651&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2830257484316830651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2830257484316830651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/eu-vejo-tudo-enquadrado.html' title='Eu vejo tudo enquadrado'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-40963598571060621</id><published>2008-10-21T20:56:00.000-07:00</published><updated>2008-10-23T18:57:02.863-07:00</updated><title type='text'>Roberto Carlos que nada. O Rei tem outro nome.</title><content type='html'>Malditos são os vivos que pensam não serem governados pelos mortos. Digitem no Google: C Dm G7 C Am. 183.000 resultados. Apenas algumas alternativas que você irá encontrar de algumas das músicas que existem com essas sequências de acordes (me desculpem, estou sem trema e não sei onde achar. Mas isso não tem o mínimo problema, pois daqui a pouco nem lingüiça vai ter trema. Olha só, maldito corretor. Na lingüiça ele bota trema. Desconfiável, no mínimo.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas músicas não existem com essa combinação de acordes? E o tanto de músicas que a gente pode achar com essas letrinhas, não exatamente nessa mesma ordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas letrinhas foram escritas por um senhor bastante conhecido, há no mínimo 200 anos. O senhor Johann Sebastian Bach nasceu em 21 de março de 1685 (quase a data do meu aniversário. Pois é, fico bastante feliz com isso. Penso até que posso ser o próximo Bach, se eu continuar compondo meus fragentos de música que se juntam de forma extremamente estranha. Mas o problema é que eu teria de ter pelo menos 10 filhos, todos eles músicos). Bach, numa época bastante propensa, escreveu o 'cravo bem temperado'. E depois disso, ninguém mais sossegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe o que é o tal do dodecafonismo. Ninguém sabe o que é o tal do modalismo. Ninguém sabe o que é o tal do serialismo. Ninguém sabe o que é a tal da música eletroacústica. Mas todos, mesmo que não saibam em conceitos o que é o tonalismo, escutam música tonal. Pode ser que as pessoas não tenham escutado música modal, pode ser que as pessoas não tenham escutado música serial, pode ser que as pesssoas não tenham escutado música eletroacústica, pode ser que as pessoas não tenham escutado música dodecafônica. Mas música tonal, todos, e eu não tenho dúvidas em afirmar isso, exatamente e completamente, todos ouviram. Que me cortem as orelhas aqueles que não ouviram música tonal. Que me cortem todos os braços e pernas aqueles que nunca ouviram música tonal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música tonal é chicletes. A música tonal está aí para ficar. Desde que Bach decicidiu organizar o tal do tonalismo, no tal do cravo bem temperado, nunca mais as coisas foram as mesmas. Nunca mais mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bach inspirou tudo. Praticamente tudo. E acho que ninguém sabe disso. Pois fiquem sabendo, Bach é nosso rei. Nada de Roberto Carlos no fim do ano. Bach é o cara. O tonalismo está presente em quase tudo. Com exceção de algumas músicas do Secos e Molhados, com exceção de algumas músicas do Tom Jobim e essas coisas mais rebuscadas, acho que tudo é Bach. Tudo é tonalismo. Tonalismo simples ou tonalismo complicado, tudo acaba em um acorde principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que estudam música estudam o tonalismo. Até a exaustão. Escalas das mais variadas, escalas alteradas, escalas diminutas, escalas dominantes diminutas, solfejo em todos os tons, tudo isso com a ajuda de Bach. Estudar música é estudar o que Bach propôs, alongar o que Bach propôs. Olhar para o piano é olhar para Bach. Olhar para a guitarra, para o baixo, e todos os instrumentos com casinhas separando um lugar do outro é Bach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de indianos, nada de chineses, nada de japoneses. A sensação, há muitos e muitos exaustivos anos, é Bach, a tendência da música ocidental. Eu arriscaria dizer que tudo é Bach. A indústria cultural não seria nada sem Bach. Os músicos do século XX até tentaram desbancar o tal do Sr. Bach. Algum deles conseguiu? Não. Nenhum conseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu odeio Bach? De forma alguma. Poderia de maneira segura dizer que Paixão segundo São Mateus foi a obra mais maravilhosa que eu vi sendo apresentada no mundo. Do que eu estou reclamando? De nada. Absolutamente nada. O problema é que fiquei me perguntando se as pessoas realmente sabem que elas são governadas pelos mortos. Se elas sabem que, mesmo negando o passado, os reis de verdade são os reis do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o que seria de Chitãzinho e Xororó, o que seria da Sandy e do Junior, o que seria da Beyoncé sem esse senhor de 323 anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seria até mesmo daqueles que negaram o tonalismo? Daqueles que dizem que o tonalismo acabou com a música? Se não se tem contra quem lutar, não há luta alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jazz, até os ramos mais complexos, são uma extensão do tonalismo. Não uma negação dele. É extremamente intelectualizado, difícil de aprender, mas vem do tonalismo. Tem um quê de tonalismo no meio daquilo tudo. O samba é tonal. O choro é tonal. Muitos rocks são tonais. Tudo tem um tom. Tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me venham então, dizer os senhores, que são avulsos ao passado. Que o que passou, passou. Não me venham com essa hipocrisia. Todos são governados pelo que passou. O que passou continua. O que passou determina o hoje. E enquanto ninguém souber o que é o hoje, o ontem será sempre o rei. O rei de todos são os mortos. O rei da música ocidental é calvo. E provavelmente usava perucas para disfarçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-40963598571060621?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/40963598571060621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=40963598571060621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/40963598571060621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/40963598571060621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/roberto-carlos-que-nada-o-rei-tem-outro.html' title='Roberto Carlos que nada. O Rei tem outro nome.'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-2118805115418204513</id><published>2008-10-19T18:37:00.000-07:00</published><updated>2008-10-19T21:18:52.111-07:00</updated><title type='text'>maldito II - O Padre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SPvh1-L1IyI/AAAAAAAAAbQ/gVk2YFpteCQ/s1600-h/padre.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259045307227120418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SPvh1-L1IyI/AAAAAAAAAbQ/gVk2YFpteCQ/s320/padre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;a href="http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspx?VP=XSpecific_MAG.PhotographerDetail_VPage&amp;amp;pid=2K7O3R14HDL9&amp;amp;nm=Martine"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#000000;"&gt;Martine Franck&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#000000;"&gt;, France. 1994.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros,&lt;br /&gt;nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos,&lt;br /&gt;nem os bêbados, nem os difamadores,&lt;br /&gt;nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1 Coríntios 6:9&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas por que razão gritam tão altos estes sinos? Não parece-me outra coisa que não a insistente zombaria àquilo que reprimo abaixo da batina. A meu mumúrio, que ninguém ouça. Nem mesmo Deus, se for possível. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje aniversariamos, meu Pai; eu e esse meu respirar pesado, aliado fiel desde a primeira missa ministrada em Tua voz. A velhice de nossa comemoração guardo só a Ti e incapaz seria minha garganta de pronunciá-la em alto; esquivo-me de semear qualquer desconfiança quanto a botar em contas os anos de minha dedicação. Sei também que a isso nada tem a ver o Teu descontentamento, e à disposição deixo meus ouvidos para o que julgares necessário para a minha Rendição. Sim, meu Senhor, que me sinto digno de Teu perdão, embora há muito tempo tenha deixado de sentir o gosto do Teu sagrado corpo; o aroma do Teu sagrado sangue. Sim, meu Senhor, que tenho consciência do tamanho do tumor que se alojou em meu peito e do fracasso podre e pagão do qual sofri por ter deixá-lo em carne viva e, nem assim, tê-lo arrancado. De lá para cá, passaram-se mil ave-marias; vinte cinco mil pai-nossos; e não sei contar por quantas vezes senti o coração parar sob o peso branco de Seus olhares. Eis que revirei o Livro outras tantas vezes, como não fazia desde os tempos de seminário — e, meu Pai, por onde devo começar? Uma vida inteira de estudos não adiantou-me de nada quando o pecado me veio bater à porta e profanou em inundância todas as esquinas de minha vida. Que, nas mesmas páginas onde encontrei perdão e aconchego, achei também ameaças e terminâncias. Das mesmas palavras extraí determinações impiedosas e calmarias à correnteza do coração. Ó, meu Pai, que desta última vez deixei o Livro não só com lágrimas, mas com outro sentimento, um sentimento negro no nome mas de uma sinceridade tão intensa que custo a não vê-lo luminoso, uma coisa que me toma, por vezes, quando vejo o quanto somos reprimidos de sermos o que somos, o quanto sofremos na busca eterna de nos tornarmos aquilo que, na verdade, não nascemos pra ser, e que muito raramente o desejamos de verdade; que na verdade nada mais queremos a não ser poder gozar dos frutos que a vida nos oferece de mão amiga, sem que precisemos pedir — mas não podemos, ó Pai, não podemos, porque temos olhos em todos os lugares que nos perseguem e buscam e acorrentam e por vezes dão-nos chibatadas, e mostram-no alguma vivência passada de alguém que não reconhecemos como nossos e nem ao menos entendemos qual relação têm eles, indivíduos longínquos e tão indiscutivelmente egoístas como nós, e por quê temos de levar nossas atitudes com um pesar acumulado pelo qual não fomos nunca responsáveis, mas, se não o fizermos, estamos condenados a uma vida ainda pior do que esta, em outro lugar que não nos permitem nem ao menos conhecer as condições, porque tudo nessa vida é assim, um passo no escuro, e nós que estejamos prontos para tudo e qualquer coisa e nada mais digno do que nos resignarmos e agradecermos, não é, meu Pai, pela oportunidade de atravessar mais um dia de mágoas e tristezas e flechas atiradas contra o peito; somos gratos, sim Senhor, eu e os montes de pobres almas que vêm até a Sua morada pedir perdão por uma regalia a mais, por um desejo qualquer incontrolável que tomou conta de um coração outrora fiel, pela tristeza que nos levou a desejar o mal, pelo amor àquilo a que não se tem direito, pelo desejo carnal, pela revolta com essas grades postas por todos os lados, por ter que agüentarmos calados todo tipo de injúria e infelicidade só pra estarmos na fila daqueles que talvez, algum dia, tenham as almas aquietadas em um reino celeste que ninguém nunca provou existir! * ............ Vês, meu Pai... vês onde me encontro, onde é que me botaste, meu Pai, perdoa-me, por que me fazer passar por tanto? Eu, que sempre estive aqui a seu lado, agora derramando sobre ti tanta heresia, mesmo sabendo que por mais inquieto que esteja meu coração é Tu que sabes dos valores e da fé e que é nela que preciso depositar todo o meu ser. Quanta vergonha, meu Pai, quanta vergonha, ao sabão com toda a minha boca e toda a minha língua, que Teus sagrados ouvidos não hão de sofrer novamente a mesma imprudência. Eu, que aniversario hoje uma carreira toda de dedicação, ó, Senhor, perdoai, perdoai. Haverás de punir-me, não é? Já o prevejo e aqui me comprometo a jamais profanar uma só palavra a pedir alívio do que julgarás ser meu castigo. Aceitarei, Senhor, de comum acordo, por uma redenção que espero conquistar novamente, assim que purificar meu coração. Ó, Pai, que já o sinto purificando... ó, Pai, como é grande o Teu poder, já sinto Sua presença a acalmar-me a inquietude. Perdoai, Pai. Perdoai, que eu também hei de garantir uma nuvem confortável no reino dos céus. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-2118805115418204513?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/2118805115418204513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=2118805115418204513&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2118805115418204513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/2118805115418204513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/maldito-ii-o-padre.html' title='maldito II - O Padre'/><author><name>iasa monique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01508273672110239564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SxxV75JybDI/AAAAAAAAAmg/OmVBmHZYJXI/S220/iasablog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SPvh1-L1IyI/AAAAAAAAAbQ/gVk2YFpteCQ/s72-c/padre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1428777394753655288</id><published>2008-10-18T14:28:00.000-07:00</published><updated>2008-10-18T14:36:12.615-07:00</updated><title type='text'>Ao Tejo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPpVcch9QVI/AAAAAAAAATY/7JHAJGEBPFE/s1600-h/DSC_0392_internet.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPpVcch9QVI/AAAAAAAAATY/7JHAJGEBPFE/s320/DSC_0392_internet.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258609462091792722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CFLVIA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:78%;"  &gt;Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:78%;"  &gt;E a saudade do que sinto não é nem no passado nem no futuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:78%;"  &gt;Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Fui, como ervas, e não me arrancaram.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Álvaro de Campos, 1928&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Os olhos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt; refletem um rio. Um rio imenso, azul, intransponível, ameaçador. O rio. As lentes dos óculos estarão sujas ou o que vê é realmente o rio: &lt;i style=""&gt;unbelievable. &lt;/i&gt;Ergue a câmara fotográfica – os olhos agora não mais refletem o rio: eles refletem a imagem (oscilante) de um rio que passa por um emaranhado de vidros e chega inverso ao espelho que chega aos olhos. Os olhos estão fixos. E nada, nada, nada distrai-os da idéia de que olham o rio. E enquadram (e esquadrinham) o rio. Aquele clique oscilante e os olhos não mais olham rio nenhum (por exatamente 1/300 segundo). O êxtase do dever cumprido toma conta dos olhos. "C'est mettre sur la mêmem ligne de mire la tête, l'oiel et le coeur.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;" O rio não é mais o mesmo rio - já sabia Heráclito, os olhos só descobrem agora. Que objetividade o quê! Os olhos só querem saber do seu próprio reflexo &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;(eles são olhos egoístas). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E seu reflexo é agora o rio. A prova está marcada a luz e sais de prata. Os olhos e o rio foram, &lt;i style=""&gt;isso foi&lt;/i&gt;. A câmara se aquieta por instantes, abraçada por mãos inquietas. Os olhos fecham-se: o que vale é a fotografia da mente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1428777394753655288?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1428777394753655288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1428777394753655288&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1428777394753655288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1428777394753655288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/ao-tejo.html' title='Ao Tejo'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPpVcch9QVI/AAAAAAAAATY/7JHAJGEBPFE/s72-c/DSC_0392_internet.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6459810707264904620</id><published>2008-10-16T20:56:00.000-07:00</published><updated>2008-10-17T10:28:00.169-07:00</updated><title type='text'>Os céus de Curitiba</title><content type='html'>A primeira coisa que você aprende quando chega em Curitiba é que guarda-chuva tem aqui função diferente da do resto do mundo. Lá longe, muito longe, no resto do mundo, eles servem para proteger corpos passíveis de pneumonia contra precipitações pluviais; aqui, são mais como amuletos, cuja utilidade é basicamente espantar a chuva – xô!, xô! Repare: se você não levar o guarda-chuva, choverá – e choverá desgraçadamente, uma tormenta decidida a inundar o mundo, o céu a rasgar-se numa hemorragia incontrolável –; se levá-lo, fará um sol de rachar cabeça de calango, só para obrigá-lo a constranger-se o dia todo, carregando a tralha de um lado a outro, enquanto o sol espraia-se, satisfeito, no firmamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Às vezes penso mesmo que os céus curitibanos têm algo contra mim. Basta que coloque o nariz fora da porta para que nuvens até então escondidas, à espreita, passem a surgir nas alturas, o céu tinga-se de matizes de cinza que evoluem para um negrume assustador e, zás!, água que deus manda. Já temi ser abocanhado por um tubarão no cruzamento da Tibagi com a Visconde, onde notoriamente andamos a precisar de um sistema de drenagem – ou de um porto –; certa vez cheguei mesmo a ver uma barbatana a insinuar-se no lado de lá da calçada. Em outra ocasião, pensei ter flagrado um cardume de tilápias à esperar que o sinal abrisse; pena não estar devidamente equipado para uma pescaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Até não seria tão ruim não fosse o motorista curitibano. Em verdade, vos digo: jamais existirá no mundo algo mais cretino do que o motorista curitibano. Não bastasse a dificuldade congênita que eles têm com a seta – já cheguei a explicar a um sujeito, em meio a rua e meio aos berros, que aquela varetinha ao lado do volante tinha uma finalidade específica, e não era a de coçar as costas -, ainda sentem um prazer sádico em, na primeira oportunidade, molhar-lhe até os ossos. Gostam mesmo de cruzar totalmente amalucados pelas poças d'água – verdadeiros riachos – deixadas pela chuva e lançar nas calçadas gigantescas ondas de mar em tempestade – enquanto o pobre do pedestre fica lá, bestando, meio que avaliando se o melhor seria mergulhar ou surfar aquela massa d'água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas tem mais – sempre tem mais, este mundo nunca se cansa de nos chatear. Com essa chuvarada, esse aguaceiro que nos mandam, tudo fica mais difícil. Nem ao menos nos é permitido fumar um cigarrinho em paz, enquanto se anda pela rua. Não fosse já suficiente a proibição do fumo em lugares fechados, agora São Pedro também aderiu à campanha anti-tabaco. Estamos encurralados. Fumar na chuva, todo fumante que se preze sabe, é tarefa das mais ingratas, inclusive porque o gosto de fumo molhado é algo insalubre que agarra-se à língua e de lá não sai, de lá ninguém o tira. Talvez possa ser isso um coalizão da caretice convicta com as forças da natureza? Não creio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando era pequeno, minha vó garantia-me que a chuva era o pranto de Deus. Digo agora que Deus anda muito emotivo pro meu gosto. Filho ingrato que sou, vou tirar satisfações. Que tens tu, meu Pai? É a crise financeira? São as crianças famélicas na África? É essa democracia sem povo em que vivemos? É o fato de um partido xenófobo estar no poder na Itália? É a Seleção (sim, se o Senhor for mesmo brasileiro é bem plausível ser a Seleção)? É Bush? É Ratzinger? Bem sabes tu que tenho um rim esquerdo canalha e que este tempo instável em nada me ajuda. É, quem sabe – por que não? –, o Gerald Thomas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus, como sempre, faz-me ouvidos de mercador. Resta-me levar o guarda-chuva, resignado. Ou mudar-me para o sertão de Pernambuco. Sei lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6459810707264904620?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6459810707264904620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6459810707264904620&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6459810707264904620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6459810707264904620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/os-cus-de-curitiba.html' title='Os céus de Curitiba'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-6812350905918758943</id><published>2008-10-15T18:54:00.000-07:00</published><updated>2008-10-15T19:09:06.182-07:00</updated><title type='text'>Minha vida querida</title><content type='html'>Quando nasci, veio um anjo torto e me disse: não disse nada, e se dissesse eu provavelmente não entenderia mesmo. Só sei que nasci, que um anjo me viu e que desde então tudo que faço é olhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa da vó, quando ela ainda morava na pequeníssima e sereníssima Oriente, eu sumia por horas. Ficava a observar os pequenos detalhes daquela decoração kitsch que é coisa tão característica de avós. Havia uma caixinha de música que, meu Deus, nunca mais encontrei algo tão fascinante. Tinha uma flor no meio de um monte de água, e brilhava em verde e azul. E a bailarina rodopiaba, presa por um ímã. Eu apagava a luz e ficava a mirar. E também as flores miudinhas vermelhas, as panelas amassadas, o cachorro velho, os sacos de amendoim do vô, os puxadores de cortina que eram um pompom espalhafatoso, os contornos do piso da área, a flor que minha vó chamava de língua-de-gato e sempre me dizia que apanhava da sua mãe com ela porque ardia, a campanhia antiga cor bege, aliás tudo era bege, o sofá era bege, o fim de tarde era bege, às vezes laranja, só os shorts da tia que eram roxos e de cotton, a cortina de rolinhos de madeira que separava a cozinha da sala e era uma diversão ficar passando pelo meio, o corredor que não tinha nada, o medo de dormir lá à noite, as histórias de fantasma da minha vó, que sempre disse que a gente tem mais é que ter medo dos vivos e não dos mortos, o vô sempre quieto, o vô sempre lendo, o vô e a vó vendo jogo do Palmeiras, o vô me ensinando a andar de bicicleta, o vô que me dava dinheiro e eu ficava com peso na consciência porque eu devia tê-lo beijado mais, a cor da noite quando a gente voltava pra casa, a estrada era escura e as coisas corriam tão rápido, eu sempre via a morte ali no meio, correndo do lado do carro, pensava baixinho uma oração para ela não levar meu avós, ia rezando, olhava a morte por trás de cada árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(porque eu vi um filme uma vez em que a morte queria entrar para levar um filho, e os pais fecharam todas as portas e janelas da casa, e a morte era uma luz verde e azul, e eu não lembro se ela entrava)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e também tem uma história que meu pai me contou uma vez, quando ele lia pra mim antes de dormir - ele fez isso até eu ser bem grandinha, e eram sempre contos do Malba Tahan - e se chamava Minha vida querida. era sobre um homem que recebe a visita da morte, que lhe anuncia: "vim levar sua mulher". ele se desespera, pois ela é o amor de sua vida, e diz: "não faça isso! vamos negociar". eles, o homem e a morte, discutem então uma maneira de deixar a mulher viver. depois de uma longa discussão, o homem descobre que tem ainda mais 40 anos de vida, então propõe que, desses 40, 20 sejam dados a mulher. assim, os dois poderão viver juntos por mais vinte anos. a morte aceita. passa a noite. no dia seguinte o homem acorda e vê que sua mulher está morta. desesperado, clama pela injustiça. a morte ouve o chamado e explica: "esta noite seu filho ficou doente e esteve prestes a morrer. quando vim buscá-lo, sua mulher me disse: 'dê todo o meu tempo de vida a meu filho'. você demorou horas para dar metade de sua vida à sua mulher, mas ela deu sua vida inteira ao filho sem para pensar nem por um segundo". o homem se envergonhou)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos oito anos, a maior diversão era deitar no chão do jardim da escolinha e ficar olhando as outras pessoas por entre as folhas. Tinha um buraquinho certeiro, do tamanho dos meus cotovelos apoiados no chão. Como meu pai sempre atrasava muito para ir me buscar, eu me escondia ali e ficava observando os outros alunos saindo da aula, arrumando a mochila, dando um beijo na mãe ou na tia da kombi, indo embora. Me pergunto o que as outras pessoas pensavam ao me ver ali, de barriga na terra, pés pra fora, só observando a vida que ia embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria voltar a olhar assim. Queria, pelo menos, ter beijado mais meu avô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abri meu coração, isso é tudo que sou, chorei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-6812350905918758943?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/6812350905918758943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=6812350905918758943&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6812350905918758943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/6812350905918758943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/minha-vida-querida.html' title='Minha vida querida'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-7816626202726519142</id><published>2008-10-14T13:48:00.000-07:00</published><updated>2008-10-18T14:06:58.051-07:00</updated><title type='text'>sem títulos legais</title><content type='html'>&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;Bom, hoje é meu dia de postar. A minha vontade era mesmo de me fazer de joão-sem-braço e "esquecer" de escrever. Mas o blog anda meio abandonado, eaíeu pensei “então tá, vamos escrever nessaporra” (podemos postar palavrões?). O texto não vai ser legal, estou muito chata por causa da minha monografia. Mas eu estou quase terminando, prometo que minha chatice não será longa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;Acredito que muitas pessoas não conheçam os talentos literários do Beatle mais engraçado de todos (ele até competia com o Ringo, mas o Ringo tem um nariz muito grande – não que eu possa ter qualquer coisa contra narizes grandes, mas ok). Enfim, o John Lennon gostava de escrever. E ele não era um escritor desses que se encaixam nos padrões de escritores. Ele meio que vomitava palavras, brincava com a gramática inglesa, inventava palavras. Um mesmo conto podia tanto ter uma moral muito profunda como simplesmente não ter moral alguma.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;Tem muito gracejo do Lennon que já é famoso, mas seus textos não são lá tão divulgados. Deveriam ser. Para mim, e para o Leminski também, o estilo literário do Lennon, se é que a gente pode chamar assim, é um retrato bastante fiel da contra cultura que começava a tomar seu lugar durante os anos 60. O Leminski diz que o Lennon retratou bem esse espírito juvenil de quebra-quebra da época. Ele disse ainda sobre o Lennon que ele não escrevia errado, mas escrevia erros, subvertia a grafia dos vocábulos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;Para quem entende inglês, é muitomassa ler os textos do Lennon e ver o tanto de coisas absurdas que tem escrito ali. Para quem não entende, não tem problema nenhum. O próprio Leminski realizou uma transcriação (como ele mesmo chama) dos textos de Lennon (porque para o que o Lennon escreveu não tem mesmo tradução. Simplesmente não dá. A única escapatória foi a que Leminski encontrou, e muito bem). É bem divertido. &lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;Todos os textos dele são fragmentos, não tem nenhuma história completa de milhares de páginas. &lt;em&gt;A Spaniard in the Works&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;John Lennon in his own Write&lt;/em&gt; são os nomes dos dois únicos livros que o John publicou, o primeiro em 1965 e o outro logo depois, não me recordo a data. É muito legal a maneira com que as histórias às vezes não possuem sentido nenhum e mesmo assim você lê até o final. A brincadeira com as pontuações, com a grafia, as sátiras sobre o cotidiano, tudo isso é muito legal. Claro que para a maioria das pessoas é só besteira. Mas pra mim é uma besteira bastante engraçada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;O Leminski concorda comigo. Quando ele escreveu sobre o Lennon, no próprio “A Spaniard in the works” que transcriou, colocou citações de Freud e Brecht para dizer que o humor é mesmo legal. E daí segue falando sobre como o humor inglês de Lennon é legal. Eu gostei das citações:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;“&lt;em&gt;O humor é a vitória do ego sobre o princípio da realidade&lt;/em&gt;” (Freud)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;“&lt;em&gt;Quem não tem senso de humor nunca vai entender a dialética&lt;/em&gt;” (Brecht) (hahaha)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;Segue um dos fragmentos do " &lt;em&gt;A Spaniard in the works&lt;/em&gt;" - transcriação de Paulo Leminski. Nesse texto Lennon dá “instruções” de como falar em público. Sugiro ler esse texto-fragmento no original em inglês (estou com preguiça de digitar). E também todos os outros. Tem na biblioteca pública. Não sejam preguiçosos. A identificação do livro é 823.91, L554, SPA. São os doislivros do Lennon em um só. Mas vocês vão ter que esperar eu devolver. Se bem que não tem problema, se não me engano tem um outro exemplar por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;Todos a Bordo em Vozalta (All abord speeching)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;1. Fale claro e nasal, por isento.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; MARGIN-LEFT: 1.25cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;"Ron cordialmente pede informar Mamãe tudo foi perdoador.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;Muitas personas expressam grande peso com a palavra Mamãe.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;2. Cante-se com voz longa.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;Digamos assim.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;Respirar fundo é Nescafé para uma voz escura, inspirar fundo e com frêmito é muito importante para loucutortos e áreas de ópus... visibilidade zero em Rockall e Fredastaire? Praticar todo dia mas não se você for murdo e súbito.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;3. Por ex-emplo, a palavra freneticamente lavrada, deve ser carregada gramaticalmente com um vogálbulo prominuciado estrangularmente.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;p. ex. “Enquanto falo sobre você meus Ivãs estavam ficando frios, e você sabe, tão bem quanto eu, que devemos malhar o Ivã enquanto ainda está quente”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;Nótinguem que em Oxfam eles pronunciam “Aivã” mas em Caimbiltre “Óivan” - a advogal assim por extenso qualibrada – bingo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Pratiquem davidamente, mas não se vocês forem o Mordo e o Gagro. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-7816626202726519142?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/7816626202726519142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=7816626202726519142&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7816626202726519142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7816626202726519142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/sem-ttulos-legais_14.html' title='sem títulos legais'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-669715449785543532</id><published>2008-10-11T12:01:00.000-07:00</published><updated>2008-10-11T12:12:37.640-07:00</updated><title type='text'>Me faltam palavras...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPD6Rbf7eHI/AAAAAAAAATM/P5v17XlIoHk/s1600-h/porto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPD6Rbf7eHI/AAAAAAAAATM/P5v17XlIoHk/s320/porto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255975942487767154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPD6RR7FWAI/AAAAAAAAATE/IoXpIIvNmRs/s1600-h/lisboa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPD6RR7FWAI/AAAAAAAAATE/IoXpIIvNmRs/s320/lisboa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255975939917305858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPD426eMjTI/AAAAAAAAAS8/xFtUwWWEKCU/s1600-h/aveiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPD426eMjTI/AAAAAAAAAS8/xFtUwWWEKCU/s320/aveiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255974387433901362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...mas as portas se abrem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-669715449785543532?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/669715449785543532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=669715449785543532&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/669715449785543532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/669715449785543532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/me-faltam-palavras.html' title='Me faltam palavras...'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SPD6Rbf7eHI/AAAAAAAAATM/P5v17XlIoHk/s72-c/porto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-8676443819780248442</id><published>2008-10-10T21:51:00.000-07:00</published><updated>2008-10-11T07:42:11.811-07:00</updated><title type='text'>Chacina deixa quatro mortos e dois feridos em São José dos Pinhais</title><content type='html'>O som do tênis no asfalto ouvia-se em toda a rua. O ar entrando pelas narinas fazia barulho também, assim como as poucas moedas que chacoalhavam e batiam no cano de seu 38, apressadamente acomodado no bolso da calça jeans. O caminho que escolhera era o mais rápido até sua casa. Mas ele não precisava estar correndo por esse atalho agora, se há tempos atrás não tivesse entrado num outro caminho, que já não tinha mais volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pernas faziam o que podiam. O corpo, já bastante desgastado para um jovem, não contribuía. Enquanto usava a força das coxas e agüentava o impacto nos pés ao percorrer sua via crucis, arrependeu-se de todo os pecados. Há sete anos, entrou para a escola. Há cinco anos, abandonou. Há quatro anos, fumou o primeiro baseado. Há três anos, aprendeu a roubar direito. Há dois anos, experimentou pela primeira vez cocaína direto na veia. Há um ano, foi expulso de casa. Há três meses, prometeu pagar toda sua dívida com um traficante que o ameaçava. Há três horas, recebeu uma ligação de casa - era a mãe pedindo socorro. Há vinte minutos, arranjou uma arma. Desde então, só o que faz é correr desesperadamente aquela rua escura e comprida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das brigas constantes, dos roubos e da expulsão do próprio lar, ainda amava a mãe e as irmãs (meio-irmãs, a bem da verdade). Eram as únicas pessoas por quem tinha carinho. Nunca conheceu o pai. Odiava o padrasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda correndo, lembrou da primeira vez que a irmã sorriu para ele, ainda recém-nascida, e ele também bastante pequeno. Lembrou de um longínquo Natal em que ganhou o brinquedo-febre da época, resultado das economias da mãe. As lágrimas saíam dos olhos mas logo tornavam-se secas pelo vento gelado da madrugada. Não podia deixar que sua família sofresse por sua causa. De repente, não muito distante, o barulho de tiros e gritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desespero, acelerou a corrida. Virou a esquina. Todas as casinhas mal iluminadas fechadas, mas visivelmente com pessoas dentro, refugiadas. Para elas, mais um dia de inferno na região. Mas um dia como nenhum outro para esse garoto. Lá estava sua casa. Luzes acesas. Portão aberto. O coração parecia disputar espaço com os pulmões no peito comprimido. A mão sacou o revólver, a outra engatilhou. Os joelhos dobraram para a cabeça não ficar acima do muro. Os pedregulhos pressionados pela sola do tênis contra o concreto faziam barulho. A respiração ofegante também. Passo por passo, entrou pelo quintal, foi até a porta principal, entreaberta, e entrou. Os dedos não tiveram forças para segurar, e o 38 caiu no piso de madeira. A mãe estava desacordada no chão da sala, apoiada nas paredes, coberta pelo sangue que ainda escorria da cabeça. O corpo do marido inexplicavelmente parecia protegê-la. Andou dois passos, num ângulo que possibilitava enxergar as duas irmãs, uma de 11 e outra de 15, abraçadas no quarto, imóveis, ensangüentadas entre os ursinhos de pelúcia. Cambaleou dois passos para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não viu de onde veio o tiro. Os joelhos bateram no chão primeiro. O peito e o rosto, logo em seguida. Atrás dele, o policial que havia acabado de chegar ao local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manchete do dia seguinte juntava-se a outras do caderno policial. “Chacina deixa quatro mortos e dois feridos em São José dos Pinhais”. O delegado explicou: as vítimas eram ligadas ao tráfico de drogas. O leitor virou a página. O garoto ficou sem nome. Outros detalhes não foram contemplados pela reportagem e não tiveram mais relevância no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_chacina_me.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_chacina_me.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&amp;amp;id=814041&amp;amp;tit="&gt;http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&amp;amp;id=814041&amp;amp;tit=&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-8676443819780248442?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/8676443819780248442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=8676443819780248442&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8676443819780248442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8676443819780248442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/chacina-deixa-quatro-mortos-e-dois.html' title='Chacina deixa quatro mortos e dois feridos em São José dos Pinhais'/><author><name>Fábio Pupo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-154150321233434910</id><published>2008-10-09T20:16:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T20:17:21.550-07:00</updated><title type='text'>Computadores rebeldes</title><content type='html'>Meu computador é uma máquina jurássica e dada a insurreições rotineiras. Jurássica, sim. Costumo dizer que ele não tem memória; no máximo uma vaga lembrança. Insurgente, detesta ser contrariado. Na certa está a reivindicar melhores condições de trabalho, bombardeando-me com mensagens em que ameaça atear fogo a si mesmo e incinerar meus escritos, e em que só me dá uma opção: “Ok”. Ok, digo eu. Concordo, já que sou obrigado a concordar, mas faço isso com o mesmo ânimo com que concordaria com um bombardeio de napalm a uma aldeia miserável da Ásia Central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato, sou forçado a admitir, é que sou o perfeito exemplar de uma besta tecnológica. Não me dou com tecnologia, ela não se dá comigo. Nos suportamos, já que não há nada mais a ser feito. Não vivo aos afagos e juras de lealdade eterna com meu computador, mas também é certo que jamais lhe espanquei, na vã pretensão de que sob coação física ele decidisse que era melhor fazer o que eu queria que ele fizesse, sabe-se lá do que um maluco como esse é capaz, ele pode muito decidir atirar-me pela janela, chucro que é. Mas nunca cheguei a esse ponto; procurei sempre manter o diálogo, por mais que a conversação não raro vire monólogo, com ele a xingar-me freneticamente, o monitor salpicando-se de mensagenzinhas que atestam minha capital inépcia para computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação insustentável. E como tudo nesta vida tem limites, minha paciência aí inclusa, decidi há alguns dias me livrar de meu computador. Afinal, ninguém carece de ter um inimigo declarado dentro de casa. Uma noite, decidi, com um olhar triunfante e superior, substituí-lo. Mas como fazer isso, sendo eu uma besta tecnológica? Fiz o que qualquer besta tecnológica razoavelmente sensata – sim, ainda me resta certa sensatez – faria em caso semelhante: procurei um amigo que entende do riscado e decorei uma configuração que ele – e não eu, que eu não ia dar palpites em assuntos dessa complexidade – considerou satisfatória para meus padrões de uso. Munido disso, empreendi uma viagem pelo mundo nerd das lojas de informática; mas não sem antes, é claro, ensaiar em frente ao espelho um semblante de entendido e decorar umas perguntas técnicas para soltar a esmo, só para parecer que eu tinha alguma idéia do que estava falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfiado e arredio, optei por um computador portátil, para ter maior mobilidade dentro de casa e poder, quem sabe, escrever da cama, apenas de cueca. Ainda não pude fazer isso, infelizmente, porque nos últimos dois dias tenho empreendido uma verdadeira luta corporal com o manual de instruções. Perdi desgraçadamente, é claro, como também perdi a batalha com a cafeteira que ganhei de aniversário – ela recusa-se a dar-me café quente. É bem possível, eu sei, que ela seja uma cafeteira zelosa, que esteja preocupada com o meu tubo digestivo, e por isso me sirva aquele café morno, quase em temperatura ambiente – mas também acho perfeitamente possível que eu me reserve o direito de recusar-me a tomar aquela coisa insossa e sem-graça. Condenei assim a cafeteira ao ostracismo da cozinha, a uma aposentadoria compulsória, e voltei ao bule. Como voltei hoje ao velho computador, onde bato agora este trôpego texto. O monitor parece me sorrir um sorriso iluminado e satisfeito, um sorriso de vingança; ri de mim. Sim, eu sei que monitores não sorriem, oras, que maluquice essa a minha, mas posso garantir, em algum lugar desta tela está um sorriso; algo ri de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria a rebelião das máquinas? Estariam elas acossando a mim, um raro e tolo exemplar analógico de minha geração? Poderiam elas me extinguir? Não sei, não sei, assim como não sei de quase nada neste mundo. Sei apenas que por hoje basta; estou farto de computadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-154150321233434910?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/154150321233434910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=154150321233434910&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/154150321233434910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/154150321233434910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/computadores-rebeldes.html' title='Computadores rebeldes'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-8048166144684735304</id><published>2008-10-08T18:34:00.000-07:00</published><updated>2008-10-08T18:40:04.627-07:00</updated><title type='text'>Eu podia tá matando, eu podia tá roubando...</title><content type='html'>Interrompo por algumas linhas a nossa programação normal para dar um recadinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoal, a UFPR tá penando no Desafio da Notícia, da Band. Nossas matérias são ótimas, mas tem uma coisinha chamada Voto Popular que sempre deixa a gente em desvantagem. Acontece que, nessa competição, leva a melhor quem conseguir mais votos - por meio de mensagens de celular. Nosso campus é pequeno, não tem muito lugar para divulgar, ao contrário das outras universidades que estão competindo com a gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, por favor mesmo, de coração, dêem uma ajudinha pra gente continuar na luta... É só mandar uma mensagem pro número (41) 8423-6685, com o texto 'UFPR'. A equipe toda se compromete a continuar fazendo o mesmo trabalho de qualidade que apresentamos desde o começo, e sempre buscando melhorar cada vez mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! E depois do Cid Moreira, agora quem pede voto para a UFPR é a Analy Rosa, ex-Big Brother. Olha aí:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fjNXqbhnGKI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fjNXqbhnGKI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Pra quem ainda não tá convencido, eu faço uma promessa que nada tem de político: se a gente ganhar esse Desafio, vai rolar festa. Com cerveja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-8048166144684735304?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/8048166144684735304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=8048166144684735304&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8048166144684735304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/8048166144684735304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/interrompo-por-algumas-linhas-nossa.html' title='Eu podia tá matando, eu podia tá roubando...'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1542521936353904215</id><published>2008-10-07T09:29:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T10:53:19.090-07:00</updated><title type='text'>Como um rouxinol com dor de dentes</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;“Só como alimentos brancos: ovos, açúcar, ossos moídos; gorduras de animais mortos; vitela, sal, cocos, frango cozido em água branca; mofos de frutas, arroz, nabos; chouriço canforado, pastas, queijo (branco), salada de algodão e certos peixes (sem a pele)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu médico sempre me diz para fumar. E acrescenta a seus conselhos:&lt;br /&gt;- Fume meu amigo, se não outro fumará em seu lugar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erik Satie, em O Dia de um Músico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca consigo dizer o quanto eu gosto de sujeitinhos espirituosos que conseguem incluir suas respectivas espirituosidades nas músicas que fazem. Realmente, eu nunca consigo. Que ninguém duvide de mim. Toda vez que eu leio, assisto a, ouço ou lembro de alguma piadinha de humor refinado e sem graça que algum músico engraçadinho resolveu jogar nos seus trabalhos, ou em alguma entrevista, ou em qualquer outra situação, juro que tento explicar para os outros. Eu tento explicar o quanto eu me senti feliz com aquela situação totalmente sem graça, o quanto aquilo fez o meu dia. Eu nunca consigo. Mas vendo pelo lado bom: já consegui com essa história inúmeras demonstrações de preocupação, de apreço, coisas que me mostraram que as pessoas realmente se esforçam em me compreender. “Coitada, se isso é o que faz você rir, agora entendo porque suas piadas são sempre tão ruins”, ou algo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo bem. Eu fico muito feliz mesmo quando as pessoas se preocupam comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao texto, estou com muita vontade de me enrolar muito numa linguagem meio prosaica, ou qualquer termo que se julgue adequado. Mas tudo bem. Eu não sei nada de lingüística mesmo, só de música. Eu bem que gostaria, mas já faço duas faculdades. Meu cérebro está ocupado o bastante. Por isso, que os lingüistas de plantão – se houver algum por aqui – façam um esforço em compreender uma situação como a minha. Estamos combinados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, eu só estou aqui para demonstrar meu amor pelo pai da “satiricidade” em obras de caráter erudito (e essa, músicos de plantão - se houver algum por aqui-, é uma afirmação que eu faço decididamente sem embasamento teórico nenhum, ok? Estamos combinados, então.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dizer de um senhor que se proclama adepto de uma só religião, a da “Igreja Metropolitana de Arte e Jesus como Guia”, da qual ele mesmo é o fundador, e cujo único adepto é ele mesmo? O que eu posso dizer de um senhor respeitoso que escreve uma peça para piano para ser repetida 840 vezes e que dura no mínimo 18 horas? (E aqui eu aproveito para registrar também o quanto eu fico feliz que John Cage tenha existido, esse que foi talvez o único, eu imagino, mas com certeza o primeiro que se meteu a dirigir e apresentar a peça de Satie na íntegra. Mas assim, o Cage é assunto à parte, do qual eu ainda gostaria de tratar em outro texto. Cage não era engraçado, ou não pretendia ser, mas o que ele fez com certeza foi contra a chatice costumeira das rotinas diárias. E Sr. Poletto, espero que você não se importe de eu ter roubado o seu recurso de escrever chatices enormes entre parênteses, mas é que eu realmente gostei da idéia. E talvez eu nem precise me preocupar com isso, já que você já deve ter parado de ler o texto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decididamente um senhor assim fala por si. Um senhor que, de alguma forma, não se afetou totalmente pela epidemia wagneriana que contaminou todos os músicos do fim do século XIX e mandou todos eles serem sérios e chatos como Tristão e Isolda. Eu nunca, NUNCA consegui ouvir a ópera inteira. Ela me dá agonia. Meu professor de música contemporânea que me desculpe. Mas essa é a verdade. Apesar de eu ter falado bem de Wagner na prova, eu nunca gostei dele. E sempre preferi os vanguardistas que não decidiram aprofundar o tonalismo em técnicas ininteligíveis, ou que não gostavam da seriedade que tem nessas levas de compositores. Assim, eu sei que Schoemberg é decididamente a figura mais proeminente do século XX. Eu sei que ele escreveu os princípios da harmonia funcional, e que ele morreu falando que muita coisa ainda poderia ser feita em dó maior. Mas eu nunca consegui ouvir uma obra dodecafônica dele e achar bonito. E eu sei que Satie não pôde escapar de ser afetado pela onda-sensação wagneriana de não poder mais compor obras tonais e certinhas e “polidas”. Mas ele fez isso de uma forma muito engraçada. Muito legal. Eu gosto de Stravinski, mas ele nunca conseguiu ser tão legal quanto Satie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu quase não falei do trabalho do Senhor Satie. Pois bem, este é Erik Satie: um senhor que começou escrevendo obras medievais com ar místico e acabou antecipando o impressionismo, que daí se cansou disso e foi tocar valsas em cabarés, que daí se cansou disso e foi tirar um diploma de contraponto e escrever suas peças mais engraçadas e importantes. Gosto muito de pessoas instáveis. Elas deixam um trabalho diversificado e são engraçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns nomes de peças do Senhor Satie (como eu disse, ele fala por si): Três Peças em Forma de Pêra (1903), Prelúdios Flácidos para um Cão (1912), Três Valsas Distintas do Afetado Enfadonho (1914). Algumas de suas indicações na partitura para os músicos intérpretes: “sem enrubescer o dedo”, ou “como um rouxinol com dor de dentes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus entendimentos sobre o humor do Senhor Satie (E SE VOCÊ NÃO QUISER LER O TEXTO INTEIRO, PODE PULAR PARA ESSA PARTE, POIS ACREDITO QUE AQUI VAI ENTRAR A CONCLUSÃO): apesar de não ser engraçado assim de uma maneira como todos vêem o engraçado hoje, o humor do Senhor Satie era um humor crítico. Aquele humor que você demonstra porque o dia-a-dia é muito chato, porque as regras são muito chatas, porque o academicismo é muito chato. E as pessoas, mesmo que Satie tenha existido, mesmo que vários outros incorporantes do “humor-flecha” tenham existido, continuam chatas. Tudo continua a mesma coisa. O mundo teima em ser enfadonho. O que o mundo precisa é de mais Saties. De mais Arrigos (que já fez muitas coisas dodecafônicas, mas todas muito engraçadas), de mais Lennons, de mais Itamares. E enquanto o mundo não abrigar mais pessoas como eles, eu vou ficar insistindo em textos gigantes e enfadonhos (acredito que tédio só se pode combater com mais tédio, assim as pessoas talvez vejam como elas são tediosas). O que eu quero dizer é que o mundo, assim como a música, não pode ser feito só pelos chatos. Também por eles, mas não só por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu havia dito, e meu texto prova a veracidade da minha afirmação: eu nunca consigo dizer o quanto eu gosto de pessoas espirituosas. Eu juro que tento, mas não consigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1542521936353904215?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1542521936353904215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1542521936353904215&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1542521936353904215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1542521936353904215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/como-um-rouxinol-com-dor-de-dentes.html' title='Como um rouxinol com dor de dentes'/><author><name>Mari Cioffi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03442428422024923116</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_1DKykU7Lr-Q/St2qchk6woI/AAAAAAAAABc/WPvLoMYJH50/S220/DSC_6646+(Medium).JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-522099652613811886</id><published>2008-10-06T18:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T18:59:41.266-07:00</updated><title type='text'>Ai meu Deus, estou cercado de tucanos!</title><content type='html'>Vencer com 77,27% dos votos, por incrível que pareça, não foi o grande trunfo do Beto Richa nessas eleições. Era evidente que a prefeitura ia acabar nas mãos dele; além do alto índice de aprovação (que, desde a eleição de Barrabás, não quer dizer exatamente que o cidadão mandou bem), a fraqueza dos quadros da oposição e a alta rejeição e forte campanha midíatica contrária ao governador Requião apontavam que, invariavelmente, Beto ia ganhar. Era uma questão de saber se o Barcelona ia ganhar do Combate Barreirinha de 5x0 ou de 10x0. O que realmente valeu a pena para o atual prefeito e futuro governador do Paraná – blé! – é a total desarticulação da oposição na câmara dos vereadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse deveria ter sido o plano da oposição: reforçar suas bases na câmara municipal. A situação era calamitosa: PMDB perdera todos os seus vereadores para partidos da base aliada de Beto Richa. Partido do governador do estado não tinha sequer um emedebista veio de guerra Praça Eufrásio Correia. Os quadros do PV e do PCdoB estavam votando majoritariamente junto com a base aliada, e o mesmo vale para PTB e PRTB. No fim, sobrava para os cinco vereadores do PT fazerem alguma oposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada partido de oposição deveria ter se ocupado de uma estratégia diferente. PT precisava aumentar seus quadros, conseguir votos. Já o PMDB de Requião não podia se contentar com isso, para não repetir a falha do passado. Devia mesmo era apostar em gente próxima, gente com algum alinhamento histórico com o governador. Já PV e PCdoB precisavam largar a pecha de partido de aluguel e garantir gente alinhada com o ambientalismo e com o, ahm, “comunismo” em seus quadros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos, sem exceção, foram engolidos por Beto. Sua base aliada oficial subiu de 24 para 28 vereadores, o que por si só já é grande coisa. Mas a situação ficou ainda pior para qualquer um que faça oposição em Curitiba. Dos dez vereadores não pertencentes à base aliada, apenas três podem ser considerados de fato oposição a Beto Richa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PV, junto com o PT, acabou sendo o partido de oposição mais bem sucedido nas urnas: conseguiu garantir três vagas na câmara. No entanto, os três ocupantes não tem absolutamente nada a ver com a causa ambientalista, ou com qualquer causa. Um deles é professor Galdino, aquele mesmo, que conseguiu espantosos onze mil votos sem apresentar sequer uma proposta. Ele declara, por exemplo, que só é filiado ao PV porque tem que se filiar a algum partido para ser candidato. Uma opção curitibana pelo niilismo. Já Aladim é um pouco mais coerente: sendo ex-jogador do Coxa, faz algum sentido ser do partido verde. O terceiro é Roberto Accioli, vereador mais votado de todo o pleito e membro da turma do “atirar antes e perguntar depois”. A pergunta é a seguinte: um sujeito contrário aos direitos humanos vai se importar com um peixe morto no rio Belém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o PMDB foi um pouco mais coerente com o que deveria ser feito: lançou candidatos com potencial de votos mais alinhados a Requião do que a Mauro Moraes. Mas não adiantou nada: nenhum requionista passou da casa dos dois mil votos. O partido conseguiu apenas dois vereadores: Algaci Túlio, emedebista por acidente, e Noêmia da Assembléia. Fica a pergunta: quem é Noêmia da Assembléia na noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Assembléia vem de Assembléia de Deus. Para bom entendedor...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os outros dois eleitos da oposição foram Julião da Caveira, do PSC, e Pastor Valdemir, do PRB. O que um líder de torcida pode agregar para o espaço democrático? “Excelentíssimos vereadores, gostaria de propor uma moção de repúdio ao Keirrison”. Já Pastor Valdemir é da igreja... é da igreja. Não vai querer indispor sua congregação com o poder municipal, e deve mudar de lado já no dia primeiro de janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal erro, principalmente do PT e do PMDB, foi não investir suficientemente nas campanhas de vereadores. Requião resolveu ir espalhar seu apoio no interior, onde lhe era mais conveniente. O tiro saiu pela culatra, e o governador ficou novamente sem nenhum vereador em Curitiba. Já o PT até tentou, mas... não deu. Não deu mesmo. Além de continuar isolado, perdeu duas cadeiras. Vai ser só mais um partideco sem voz no meio de um mar de situacionistas de coração e de ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a frente de esquerda, a única que realmente propunha uma oposição mais combativa dentro da cidade, lançou apenas cinco candidatos. Se é preciso de vinte mil votos para conseguir uma única cadeira na câmara, isso significa que os cinco candidatos deveriam fazer uma média de quatro mil votos cada. Isso tendo um orçamento mínimo. Deviam ter aprendido com o PSL (quem?): o partido da base governista lançou tantos candidatos bizarros, mas tantos candidatos bizarros que, somando tudo, conseguiram emplacar uma cadeirinha na câmara. Somando os cem, duzentos votos de cada José da Farmácia, Joaquim da Padaria e Maria do Posto de Saúde, elegeram algum João da Loja de Ferragens para dizer sim às propostas governistas. Fica a pergunta: pra quê? E outra, mais importante: vocês chamam isso de democracia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão é que nunca foi tão fácil para o Beto Richa governar a cidade. Nem durante a ditadura o poder executivo teria uma base aliada tão forte dentro do legislativo. Os próximos quatro anos devem ser de mera imposição: o que o PSDB decidir, tá decidido. E os problemas vão seguir os mesmos, o modelo seguirá o mesmo, tudo seguirá exatamente a mesma coisa: os ônibus entupidos, a especulação imobiliária tomando conta de todos os bairros, as mesmas falcatruas, os mesmos esqueminhas com a iniciativa privada de sempre. E ai de quem for contra!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-522099652613811886?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/522099652613811886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=522099652613811886&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/522099652613811886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/522099652613811886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/ai-meu-deus-estou-cercado-de-tucanos.html' title='Ai meu Deus, estou cercado de tucanos!'/><author><name>Chico Marés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03795712040759695041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1336892284066166046</id><published>2008-10-05T08:56:00.000-07:00</published><updated>2008-10-05T09:30:20.008-07:00</updated><title type='text'>maldito I - A Puta</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253699561364965522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SOjj6m_IyJI/AAAAAAAAAbE/hRvER1C_Bcc/s320/micha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspx?VP=XSpecific_MAG.PhotographerDetail_VPage&amp;amp;pid=2K7O3R14FBA7&amp;amp;nm=Micha"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;color:#333333;"&gt;Micha Bar Am&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;color:#333333;"&gt;A "hostess" in Hayarkon Street, Tel Aviv. 1969.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;"Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;mas na manhã seguinte, não conta até vinte, te afasta de mim&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;pois já não vales nada, és página virada&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;em&gt;descartada do meu folhetim."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#333333;"&gt;Sou suja e velha. Tenho, por conveniência, vinte anos, mas os olhos são feitos de mais. Mas sou bonita. Aos que pensam assim, já desminto: não é pelo sexo que eles me condenam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#333333;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha maldição é a honestidade. Dela, conheço mais que o cheiro, que a dor, que o arrepio. É dela que vem meu karma; é por causa dela que me cospem, que me vaiam, que cochicham ferozes quando passo. Se eu me fingisse, se mentisse, disfarçasse, não seria tão hostil. Sou infiel; mas não é por isso que me condenam. Sou infiel e não só assumo – faço questão de avisar. A honestidade é quem me amortece das pedradas. Conheci um homem certa vez. Não era bonito nem feio. Gostava de mim. Mimava meus dias com uma devoção quase cruel - dava-me perfumes, pagava-me jantares, abria a porta do carro quando me levava a lugares onde podíamos ficar à vontade. Pulsava no peito dele a paixão. No meu peito, quase sempre coberto por grandes mãos ou pêlos ou peles, pulsava a luxúria. Tantos mimos me fizeram acostumar. Numa noite, ele distante, outro homem se aproximou valente, desbravador, como se soubesse estar entrando em terreno alheio. Parecia gostar. O calafrio lânguido das coisas sujas e erradas que fazemos me agrada; sou barata. Me deixei tomar, pegar, sentir – me libertei das correntes do dia e me atei com força às da noite. Aprisionei-me por mim mesma num caminho de prazeres e prendas (e dores, dores ardidas, que forçam suspiros, que pedem gemidos, que exigem pequenos rasgos de carne, de sangue, o suor que corre o corpo todo, as mãos, os úmidos, úmidos, molhados de desejo, de vergonha, de um coração que bate forte, forte, a força das mãos que pegam e passam e puxam e rasgam e soltam e pegam de novo, e o corpo que vive sozinho, e pulsa, e pulsa, e pulsa, e pulsa, com força, sem carinho, sem cuidado, só a força o suor o gemido a entrada os olhos que fecham que apertam que choram a dor, a dor, a dor, a dor o mundo que pára que cheira que goza que vaza que vaza que vaza que vaza que vaza, e que então, acaba). A princípio, não contei ao primeiro. Deixei que continuasse a me mimar, me dizer o quanto sou bela, me acariciar os cabelos, com cara de quem sabe o que quer. Não me incomodo que seja assim. Não quero que seja diferente. Um dia enjoei, pedi que me esquecesse. Disse adeus. O homem ficou bravo, quebrou o vidro, rasgou a foto, bateu o carro. Não liguei. Assim, da mesma forma, se deu com outro, e outro, e mais outro, e uma sequência de vários, que administro como bem entendo e de acordo com o meu humor do dia. Sou egoísta. É o egoísmo que me julga, que me denuncia aos olhos dos outros, de todos os outros, das verdureiras, das mães, das meninas da feira, dos homens que compram jornal. Eles me condenam por ser assim e por gostar, por não reclamar da vida, dos homens, do pouco dinheiro, do tempo que mudou. Por me dar inteira aos prazeres e gritar bem alto quando aquilo chega intenso e dolorido, profanando a rua, a noite calma, o entardecer, o meio dia, na hora do almoço das crianças, da missa na igreja, do mendigo pedindo esmola. Me condenam por deixar claro e aberto que não há como ser diferente. Que não vou jamais ser só de um. Me condenam por ter me tornado arisca e arredia e escorregadia, e por saberem que isso tudo me favorece maravilhosamente. Me condenam por ser vadia e ainda assim bonita. Bem cuidada. Por seduzir todos sem pudor e ainda assim fazê-los sentir que são os únicos. Me condenam por mentir, por profanar, por magoar corações desavisados. Por ser vilã e mocinha, por saber como é a vida, por sentir tudo que dá. Não é pelo sexo que eles me condenam. É por ser exatamente aquilo que todo mundo quer ser, mas não diz.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por amar, quem me condena sou eu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;color:#333333;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1336892284066166046?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1336892284066166046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1336892284066166046&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1336892284066166046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1336892284066166046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/maldito-i-puta.html' title='maldito I - A Puta'/><author><name>iasa monique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01508273672110239564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://4.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SxxV75JybDI/AAAAAAAAAmg/OmVBmHZYJXI/S220/iasablog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ofXPw5Uvom8/SOjj6m_IyJI/AAAAAAAAAbE/hRvER1C_Bcc/s72-c/micha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-7679956445689393850</id><published>2008-10-04T12:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T09:54:09.867-07:00</updated><title type='text'>Ficção fotográfica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SOfHt_yg0II/AAAAAAAAASU/t6rzC3QTwFw/s1600-h/diane+arbus.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SOfHt_yg0II/AAAAAAAAASU/t6rzC3QTwFw/s320/diane+arbus.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253387083382313090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CFLVIA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:Verdana; 	panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-family:Verdana;"&gt;"A photograph is a secret about a secret. The more it tells you the less you know".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-family:Verdana;"&gt;Diane Arbus&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CFLVIA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:Verdana; 	panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;A fotógrafa vestia um vestido preto sóbrio. Os cabelos: curtíssimos - ela mesma havia cortado. O céu daquele dia de 1962 era azul e N.Y.C clamava por sua Rolleiflex. Desceu os degraus de seu apartamento vagarosamente, câmara nas mãos. Seguiu sem refletir ao Central Park, sem enxergar nada que aqueles olhos incompreensíveis poderiam se interessar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;A atmosfera do parque era de domingo – as mães passeavam com os &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;meninos e as meninas e os carrinhos de bebê; olhavam para Diane, uma mulher sozinha e uma câmara. Ela ainda não se acostumara com a condição. E naquele domingo nada parecia captar seus olhos. Aquela Diane estava sempre a buscar instantes de humanidade perturbadores, mesmo sem conscientemente saber disso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Diane parou. Os olhos fixos em um rapazinho loiro, uns nove anos no máximo. Ele usava uma camisa estampada com brasões – todos os botões fechados. Como mandava o figurino de rapazinhos loiros de nove anos de 1962, trajava também calças curtas, suspensórios – um deles caído sobre o cotovelo -, tênis com solado de borracha e meias levantadas. Do alto de suas pernas finas, o rapazinho encarou Diane; ela não se movia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Com a câmara fixa nas mãos e os olhos nos olhos do rapazinho – Diane escolheu uma ‘Rollei’ para poder olhar para os olhos dos retratos – não fez nada, esperava um sinal de identificação. O rapazinho se pôs nervoso com aquele olhar, e Diane percebeu que ele carregava uma granada de brinquedo e não houve tempo para absolutamente mais nada e apertou o disparador ua Rolleiflex rápido com se puxasse o pino de uma granada, Diane e o rapazinho explodiram no Central Park.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Depois daquele instante decisivo, e de se recomporem da explosão, Diane pediu ao rapazinho diversas poses, mãozinhas na cintura etc. Mas ela sabia que naquele rolo de filme, o sal de prata já tinha fixado a luz que desejava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Se despediu do rapazinho com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SOfIcffqHkI/AAAAAAAAASc/9BXRRg4WDyo/s1600-h/diane-arbus-planche-contact.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SOfIcffqHkI/AAAAAAAAASc/9BXRRg4WDyo/s320/diane-arbus-planche-contact.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253387882167148098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;A foto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Child with toy hand grenade in Central Park&lt;/span&gt;, N.Y.C., 1962, está &lt;a href="http://images.tribe.net/tribe/upload/photo/410/f57/410f57cf-cadc-4f4d-9ebb-28d0228bdd23"&gt;aqui.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-7679956445689393850?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/7679956445689393850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=7679956445689393850&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7679956445689393850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/7679956445689393850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/fico-fotogrfica.html' title='Ficção fotográfica'/><author><name>Manuela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12815576295742096198</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://bp2.blogger.com/_lA_F148N--E/SFR1CeLP-vI/AAAAAAAAAPQ/h1a9AIhmr-w/S220/orkut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lA_F148N--E/SOfHt_yg0II/AAAAAAAAASU/t6rzC3QTwFw/s72-c/diane+arbus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-1224082729705032350</id><published>2008-10-03T11:26:00.000-07:00</published><updated>2008-10-03T11:29:24.048-07:00</updated><title type='text'>Grana e colchões</title><content type='html'>Agora que o Congresso americano aprovou o pacote anti-crise de Bush, creio que o mundo já por ir dormir um pouquinho mais sossegado. Também não sei por que tanto barulho antes. Li, hoje pela manhã, que só agora a crise chega de fato ao mercado ‘real’. Isso deve significar que antes o que estava em crise era o mercado de mentirinha, algo meio Banco Imobiliário – você pode sair do jogo quebrado, mas daí é só sacar de sua carteira ‘real’, ir até a esquina, beber umas cervejas e esquecer o assunto. Não carecia assim de tanto estardalhaço.&lt;br /&gt;Cada vez mais, essa crise parece um conto de Jorge Luís Borges, impossível de entender racionalmente. O sistema imobiliário dos Estados Unidos consegue ser mais confuso do que seu sistema eleitoral – para conseguir alguma luz, é preciso abstrair o máximo da abstração que já é o dinheiro.  Daí que fica tudo meio fantástico, com títulos oníricos e nebulosos valendo até 20 vezes mais do que valeriam no tal mercado ‘real’. Uma fábula, um conto de fadas escrito pelos mauricinhos que brincam com a grana.&lt;br /&gt;Não há motivo para pânico, no entanto – pelo menos é o que me dizem. Alguns analistas garantem que a atual crise é um processo natural; o centro sísmico do poder financeiro estaria se deslocando dos Estados Unidos para China e Índia. Algo que, continuam os tais analistas, já aconteceu no século XIX, quando esse mesmo centro saiu da Europa e atravessou o Atlântico, a nado, engolindo um bocado de água, num processo que quase o fez ter um colapso por exaustão. Nada de comparação com 1929, portanto, senhores analistas da Globo News. A coisa aqui é diferente: mais como um inadiável movimento tectônico que faz tudo tremer antes que a santa paz possa novamente reinar sobre a Terra.&lt;br /&gt;Mas há uma conclusão (um tanto óbvia) que se pode tirar de todo esse auê de homens arrancando os próprios cabelos, em desespero, em bolsas de valores espalhadas pelo mundo: o liberalismo não existe. Sem as regulares intervenções do pai-Estado, o filho pródigo, o sistema econômico capitalista, morreria por inanição. O capitalismo é um sistema que se retroalimenta – “dinheiro gera dinheiro”, diz a sabedoria popular, que enfim parece mesmo sábia – e quando parte do dinheiro vaza por uma mal calafetada fenda do fantasma do mercado, o Estado precisa estar lá, firme, com a mesada a postos, ou então é possível que tudo vá para o buraco.&lt;br /&gt;Marx estava errado. Smith estava errado. As teorias econômicas clássicas parecem falidas. Nada, porém, que possa afligir a nós, mortais, pobres diabos que nem ao menos conseguimos entender direito toda essa algazarra. Para a gente, como sempre, continua existindo uma aplicação seguríssima: a parte debaixo do colchão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Com um pouco de atraso, começo a ocupar o espaço que me cabe nesta confraria. Tal qual a Justiça, tardo, mas não falho.)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-1224082729705032350?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/1224082729705032350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=1224082729705032350&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1224082729705032350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/1224082729705032350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/grana-e-colches.html' title='Grana e colchões'/><author><name>sandoval matheus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1294770409683937779.post-68422334118816893</id><published>2008-10-01T19:00:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T19:10:00.072-07:00</updated><title type='text'>Paulo e Maria</title><content type='html'>Maria Aparecida tem 40 anos, 1,60 de altura, poucos quilos, dois filhos e uma sobrinha. Ela mora em alguma rua da periferia de Curitiba, de favor na casa da irmã. Durante o dia, vai para o Centro junto com seus meninos para fazer alguns bicos e pedir trocados. A vida é dura; o feijão é pouco. Ela saiu de casa na sexta-feira de manhã, com alta irritabilidade no nariz, para batalhar alguns trocados. Sua irmã havia lhe pedido para ajudar nas contas da casa, o que ela raramente fez; ou por não poder ou por ter outras prioridades. Acabou passando a noite na rua, e amanheceu no sábado no sofá de uma conhecida. Encontrou Renato, seu filho mais velho, e a sobrinha, Caroline, em frente ao Mercadorama da Rua Mariano Torres. Eles iriam tentar catar latinhas para vender, e foram subindo a XV de Novembro. Atravessaram o calçadão e a Praça Osório. Só então Maria Aparecida percebeu que havia ficado menstruada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo José tem 35 anos, uma mulher e duas crianças, uma casinha no Boqueirão e dois cachorros Fox Paulistinha. Um se chama Zé e o outro Lelé. Paulo é segurança. No sábado, ele acordou atrasado e perdeu o ônibus para o Centro. Não deu tempo de tomar café. Pensava nesta desavença da vida cotidiana enquanto colocava seu imponente terno engomado. Maria do Carmo, sua esposa, fazia questão de lavá-lo e passá-lo todos os dias. De seu posto habitual, no corredor do piso inferior do centro comercial, observando o movimento, Paulo viu quando Maria Aparecida, Renato e Caroline entraram no shopping center. Ele precisava agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Aparecida sabe que não é bem-quista naquele lugar. Ela pode ver nos olhos de todos que estão ali, com suas roupas passadinhas e cheirando a perfume do Boticário. Está acostumada a ser vista assim, com maus olhos. É verdade que às vezes pratica pequenos furtos, mas nada que fosse mudar a vida de alguém. Ela só quer ir a um banheiro e se limpar, afinal sua dignidade está manchada. Caminha até o segurança, que está parado com cara de poucos amigos. Seu filho e a sobrinha estão olhando algumas vitrines. Com coragem e desdém, característicos de quem sempre apanhou e já tem o olhar firme para desafiar, ela pergunta a Paulo José onde é o banheiro. Ela também queria importuná-lo, por motivos inexplicáveis e entedíveis somente por aqueles que já acumularam tanto sangue nos olhos quanto sangraram pelo corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo ouviu a pergunta, mas limitou-se a agarrar Maria Aparecida pelo braço e puxá-la até a porta do estabelecimento. A pressão de seu punho não era forte, e com palavras brandas ele dizia que a senhora poderia usar o banheiro de algum bar daquela rua. "Eles todos deixam, não se preocupe. Mas não posso deixar a senhora ficar aqui". Maria Aparecida não entendia. Já estava esperando uma resposta mal educada do segurança, mas nunca imaginou que ele a iria enxotar dali. Estava cansada, humilhada e com as calças manchadas. Fez um escândalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na rua, Maria Aparecida era amparada por seu filho e sobrinha. A garota pedia para que o menino procurasse uma calça para a tia, enquanto a ajudava a se restabelecer. Antes tão sisuda, Maria Aparecida estava desolada. Chorava alto e dizia que foi tratada pior que a um cachorro para quem quisesse ouvir. Paulo José assistia à cena da porta. As pessoas que passavam olhavam com olhares de censura; para ele ou para ela. Não era unanimidade quem era o vilão e quem era o mocinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os comerciantes diziam "que absurdo! Uma mulher bêbada criando caso". Os passantes se entretinham com a novidade da tarde monótona de sábado. Maria Aparecida, Renato e Caroline seguiram seu curso. Ela chorando, eles xingando. Quase ninguém viu quando Paulo José, envergonhado da sua atitude, entrou discretamente no interior do shopping e se encorujou na velha posição. Em casa, esta noite, sua mulher lhe consolaria dizendo que ele fez o que devia fazer. À noite, sonhou que estava se afogando e acordou assustado. Não quis acordar Maria do Carmo. Foi até a cozinha, pegou um copo d'água e respirou fundo. Passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(inspirado em fatos reais)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1294770409683937779-68422334118816893?l=odiazepam.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odiazepam.blogspot.com/feeds/68422334118816893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1294770409683937779&amp;postID=68422334118816893&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/68422334118816893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1294770409683937779/posts/default/68422334118816893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odiazepam.blogspot.com/2008/10/paulo-e-maria.html' title='Paulo e Maria'/><author><name>amanda audi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17260762293177016723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_ocICiiMZDas/SS8nz9YS5AI/AAAAAAAAAKs/DmbdcFzgO_o/S220/pic+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
